MERCADOS

Memória, samba e afeto na cidade

Espaços e equipamentos públicos que remontam à história de Fortaleza ganham novos usos nesses quatro dias de festa. Mercados, praças e bairros que carregam traços do patrimônio, afetividade e da boemia da Capital são invadidos por novos ritmos públicos no Carnaval

01:00 · 14.02.2018
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O Mercado dos Pinhões se tornou espaço tradicional da folia alencarina ( Fotos: Thiago Gadelha )

Mesmo passando por processos de modernização, os mercados de ferro dos Pinhões e da Aerolândia, o Mercado dos Peixes, na Beira-Mar, e o do bairro Joaquim Távora remanescem como símbolos vivos de diferentes Fortalezas do passado. Se, no cotidiano, eles são frequentados como centros de compras, cultura e lazer, no Carnaval ganham novas atribuições e se tornam verdadeiras confrarias de camaradagem e vibração.

Das crianças carregadas no colo ou montadas no pescoço aos idosos que gingam ao som das marchinhas, os Mercados abrigam, mesmo que por algumas horas, gente a fim de sair da rotina e extravasar as emoções. São incontáveis sorrisos e gargalhadas de donas de casa, motoristas, professoras, músicos, cabeleireiras, auxiliares administrativos - isso contando apenas algumas pessoas ouvidas pela reportagem.

Além do uso dos espaços, o entorno também recebe novas conotações e discussões. Entre as falas, uma unanimidade: é preciso preservar a memória afetiva e geográfica da cidade, onde antigos hábitos se mantêm, mesmo diante das facilidades dos grandes centros de consumo e lazer.

Além dos mercados, logradouros como o Passeio Público, a Praça dos Leões reforçam a ocupação do Centro como espaço de convivência. "Devemos pensar nisso e praticar essa ocupação ao longo de todo o ano, porque é nossa memória viva, nossa história", frisa a professora Maria da Glória Carvalho, que há três anos leva os filhos para o bailinho no Passeio.

O diretor do bloco "As Gata Pira" , Jackson Quemel, comenta que há seis anos quando o bloco foi criado o propósito já era o de ocupação desta área (Praça dos Leões) no Centro.

Segurança e trânsito foram os pontos positivos das festas que aconteceram nos mercados, no Passeio Público e na Praça dos Leões. A limitação de banheiros públicos continua sendo um entrave na garantia de conforto da festa.

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