Itaiçaba está debaixo d´água - Cidade - Diario do Nordeste

2,20M ACIMA DO NÍVEL DO MAR

Itaiçaba está debaixo d´água

02.05.2009

Itaiçaba. A cada dia, a porção terrestre deste município, a 164 Km de Fortaleza, diminui e dá espaço às águas que invadem a cidade, proveniente dos rios Jaguaribe e Palhano e do Riacho Uraribu. Até às 11h de ontem, havia 150 famílias desabrigadas, segundo a Defesa Civil de Itaiçaba, perfazendo uma média de 600 pessoas sem abrigo. Conforme técnicos da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) que estão na cidade, o nível do Rio Jaguaribe sobe 1 Cm por hora. No último monitoramento feito até o fechamento desta edição, o manancial já estava 2,20m acima do nível do mar. A zona rural de Itaiçaba está ilhada.

Grande parte da sede do município já está inundada. O barco é o único meio de transporte para chegar a alguns bairros. Em determinados abrigos na parte central da cidade — mais alta, já chega a faltar alimentos. É o que acontece em uma loja cerâmica situada no bairro Alto Brito, cedida para uso da Defesa Civil pelo proprietário do estabelecimento, José Eraico da Silva. Ontem pela manhã, havia 40 famílias no local, mas a cada hora chegavam caminhões com mais desalojados.

Para conseguir mais alimentos para o município, o prefeito Frank Gomes Freitas veio a Fortaleza pedir auxílio ao governador Cid Gomes. A Defesa Civil de Itaiçaba só conseguiu arrecadar até agora 50 cestas básicas. Além de alimentos não-perecíveis, as famílias necessitam de colchões e lençóis. O prefeito já decretou estado de emergência no município e já cogita até elevar o nível para calamidade pública.

Segundo o secretário de Agricultura e coordenador da Defesa Civil de Itaiçaba, Marcos Vinícios Silva Viera, as perdas com a lavoura já chegam a 50% do plantio de mandioca e 70% do milho e feijão. Muita gente fica sem fazer nada durante o dia, apenas olhando a água avançar sobre a cidade, caso do agricultor Raimundo Nonato de Moura, 55, que diz “estar pastorando o rio”.

Um dos pontos de concentração tem sido a Igreja Matriz de Itaiçaba, cujo salão paroquial também virou abrigo. O templo fica no ponto mais alto da cidade e, conforme lembra o padre Hélito Fidélis, guarda nas paredes marcas das últimas grandes cheias do Rio Jaguaribe, em 1974 e em 1985. Neste ano, a água chegou a 1,60 metros da parede. Ontem, a dona-de-casa Francisca Edileuza da Silva, 34, foi retirada de casa pela Defesa Civil. “Estou desesperada, sem dormir, com medo de deixar a casa só”, confessou, com medo de assaltos.

Mais informações:
Defesa Civil de Itaiçaba
(85) 3410.1112

Comente essa matéria


Editora Verdes Mares Ltda.

Praça da Imprensa, S/N. Bairro: Dionísio Torres

Fone: (85) 3266.9999