Transporte público

Insegurança desvia rota de ônibus

22:00 · 15.02.2014 / atualizado às 00:00 · 16.02.2014 por Thiago Rocha por Repórter
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Na última sexta-feira, ônibus foi incendiado pela população, supostamente em protesto pela morte de um homem que teria sido espancado por dois policiais. Motoristas não se sentem seguros para voltar a circular pelo local ( Foto: Naval Sarmento )

Motoristas de coletivos da linha Parangaba/Parque Veras não fazem todo o percurso após incêndio de ônibus

Após um dos ônibus que fazia a linha Parangaba/Parque Veras ser incendiado pela população, na noite da ultima sexta-feira (14), os coletivos não estavam realizando todo o percurso, na manhã deste sábado. Já é a segunda vez, somente neste mês, que a população de um bairro de Fortaleza é prejudicada com os desvios de rota do transporte público devido à insegurança do local onde eles circulam.

No último dia 5, discussão entre um motorista de ônibus e um motoqueiro fez com que traficantes da comunidade do Dendê impedissem os coletivos das linhas Edson Queiroz/Papicu e Edson Queiroz/Centro de chegarem ao fim do percurso. A circulação foi normalizada no dia 9, após reforço policial.

Além de conviver com os constantes assaltos aos coletivos - nos últimos dois anos, o número de ocorrências aumentou 309% - agora, os passageiros têm que se preocupar também com essas mudanças de itinerário. Em sua rota normal, pelo bairro Maraponga, o coletivo da linha Parangaba/Parque Veras deveria seguir pela Rua Francisco Glicério, em seguida entrar na Travessa Iracema, depois continuar pela Rua Clóvis Meton para chegar até a Rua Rosa Cruz, cruzamento onde o veículo foi incendiado.

Ontem, os motoristas seguiam normalmente pela Francisco Glicério, continuavam na Travessa Iracema, mas voltavam para a Rua Francisco Glicério. Portanto, os passageiros que aguardavam o transporte, neste sábado, no restante dos pontos dessa linha, foram afetados pela mudança.

"O que estão dizendo é que aquela área onde o ônibus foi incendiado está interditada e, por isso, os ônibus estão fazendo a volta. Espero que isso seja só por hoje, pois durante a semana vai prejudicar muita gente", comentou um vendedor que preferiu não se identificar.

Para ele, isso aconteceu devido à revolta da população em relação à morte do pedreiro Francisco Ricardo, que teria sido espancado por uma dupla de policiais, na última sexta-feira.

O número de assaltos em transporte público, de acordo com informações do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), tem aumentado nos últimos três anos. Em 2011, foram 279 ações; no ano seguinte, esse número subiu para 615 e, no ano passado, foram registradas 2.517 ocorrências.

O tenente-coronel Fernando Albano, relações-públicas da Polícia Militar do Ceará, informou que, para manter a segurança nos coletivos que trafegam pela Capital, os policiais militares realizam blitze em vários pontos da cidade. O objetivo dessas ações é fazer com que os motoristas, cobradores e passageiros se sintam mais seguros.

Segundo a assessoria de comunicação da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), desde ontem, os motoristas se recusam a seguir até o fim da linha, pois se sentem inseguros. A assessoria ressaltou que essa não é uma recomendação do órgão e nem do Sindiônibus, mas deve ser respeitada.

O Sindiônibus, através da sua diretoria, repudiou ação de todos aqueles que incendiaram o ônibus. "Não podemos admitir que qualquer que seja o segmento da sociedade realize algum tipo de protesto ameaçando a integridade e a vida das pessoas, além de prejudicar a população fortalezense, em especial a parcela que tem no transporte coletivo o seu principal ou único meio de deslocamento", dizia a nota.
 

Thiago Rocha
Repórter

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