CONTATO FÍSICO

Igreja orienta fiéis para prevenção da H1N1

01:00 · 09.05.2018 / atualizado às 16:01 · 10.05.2018

Para auxiliar na campanha de vacinação da Influenza H1N1, o arcebispo Dom José Antônio, da Arquidiocese de Fortaleza, recomendou que, durante a missa, os fiéis não rezem o "Pai Nosso" de mãos dadas, não deem o 'Abraço da Paz', nem recebam a Óstia diretamente na boca.

O clérigo fez a orientação durante uma reunião na última sexta-feira (4), com o coordenador da Pastoral da Igreja Nossa Senhora de Fátima, Padre Francisco Ivan de Souza, e os episcopais de Fortaleza. "Ele pediu que todas as pastorais fizessem um trabalho conjunto, um grande mutirão, para ajudar na divulgação desses três itens e também da vacina. Todas as pastorais receberam uma carta do Governo do Estado pedindo isso", relata o Padre Francisco Ivan.

Segundo o pároco da Igreja N.S. De Fátima, o intuito é preservar a saúde do clérigo e dos fiéis, além de reforçar a importância da vacina. "Têm pessoas que não gostam de receber a Óstia na mão. Não vamos fazer confusão, mas é uma medida para proteger ambas as vidas", explica.

A providência é interessante e importante, de acordo com o presidente da Sociedade Cearense de Infectologia (SCI), dr. Guilherme Henn. Segundo ele, a H1N1 é transmitida principalmente por gotículas de secreção respiratórias. "O que acontece é que as pessoas estão, o tempo inteiro, colocando a mão na boca e no nariz, principalmente quem está resfriado, deixando partículas virais nas mãos. Dessa forma, as mãos são um veiculo de transmissão muito eficiente", explica o presidente.

Guilherme enfatiza que não é como se as pessoas não pudessem encostar nas outras, mas a missa é um local onde os indivíduos se aglomeram; então, para diminuir o risco de transmissão, o ideal é reduzir o contato. "Essa recomendação também foi legal para as pessoas ficarem conscientes do quão eficaz é a transmissão pelas mãos", explica.

Outra dica do médico é sempre ter um álcool em gel em mãos. "Quem estiver com virose respiratória deve evitar ir a público para não ser fonte desse vírus. Se a pessoa precisar ter contato com alguém, deve usar máscara comum, e, caso não tenha a máscara, sempre que espirrar ou tossir, deve cobrir a boca com lenço descartável", recomenda o presidente da SCI.

Bebês

Um grupo de mães têm compartilhado nas redes sociais um alerta que diz "em mão de bebê não se pega", seguido de um texto sobre o risco da transmissão de H1N1 em crianças pequenas, principalmente as menores de 6 meses, que não podem tomar a vacina.

Roberta Costa, mãe do João, de apenas quatro meses, é uma das mulheres que têm compartilhado o alerta em todas as suas redes socais. Os cuidados que Roberta tem tomado devido ao surto da gripe H1N1 são muitos: todos os familiares que convivem diariamente com o bebê já se vacinaram, eles lavam a mão o tempo todo e, atualmente, João só sai de casa para ir ao pediatra. Contudo, os visitantes do menininho é que ainda representam uma dificuldade.

"É muito delicado pedir para as pessoas não virem em casa se estiverem gripadas, mas estou me vendo obrigada a isso. É complicado", afirma Roberta.

Contudo, o presidente da Sociedade Cearense de Infectologia revela que todo cuidado é importante com bebês abaixo dos seis meses. "Os nenéns gostam muito de colocar a mão na boca; então, ao visitar, a pessoa deve higienizar as mãos, não estar doente e nem pegar nas mãos do bebê. O sistema imune deles é muito imaturo, então eles podem ter sérias infecções por conta de um contato com pessoas doentes", diz Guilherme Henn.

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