COMÉRCIO CLANDESTINO

Ibama apreende peixes enviados pelos Correios

01:19 · 20.08.2010
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Os fraudadores tentam burlar a segurança cobrindo com alumínio as caixas de isopor com os bichos

Partindo de locais de captura desconhecidos, peixes ornamentais, crustáceos, moluscos, equinodermos e cnidários têm sido, com frequência, enviados para o Ceará via Correios. Por ser caracterizada como tráfico ou comércio clandestino, a prática está sendo combatida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que apreende as encomendas ilegais com o auxílio da Empresa Brasileira de Correios e Telegráfos (ECT).

Somente no período de maio a agosto deste ano, o Ibama chegou a realizar 12 apreensões no Estado. Numa das cargas, havia, inclusive, uma estrela-do-mar que pode estar na Lista Nacional das Espécies de Invertebrados Aquáticos e Peixes Ameaçadas de Extinção.

Os analistas do Instituto estão trabalhando na identificação da espécie com a ajuda de especialistas. Eles suspeitam que se trata da "estrela" chamada Linckia Guildingi.

As encomendas são remetidas, em sua maioria, dos estados de São Paulo, Paraíba e Pernambuco. Tanto quem envia como quem recebe a "mercadoria" pode ser autuado pelo Ibama. As multas podem variar de R$1.000,00 a R$ 100.000,00.

Raio-X

Desde maio deste ano, quando começou a intensificar as ações de fiscalização, a ECT tem conseguido barrar, pelo menos duas vezes por mês, encomendas que se caracterizam como tráfico de animais. Utilizando aparelhos de raio-X, os técnicos identificam, numa tela de vídeo, a presença de material biológico nos pacotes. Para cada tipo de material, o aparelho exibe uma cor distinta.

Os criadores clandestinos tentam burlar o raio-X cobrindo com alumínio os sacos plásticos cheios de água ou as caixas de isopor que carregam os bichos. Mas esses métodos são falíveis.

Mesmo quando os remetentes tentam disfarçar o tamanho da encomenda colocando os peixes em caixas exageradamente maiores, os técnicos conseguem identificar o teor da carga. Até as caixas que são preenchidas com os mais diversos materiais para melhorar o disfarce são retidas. Tanto os compradores como os remetentes são, geralmente, colecionadores.

O engenheiro de pesca e presidente da Associação dos Criadores e Lojas de Aquário do Ceará (Aclace), Ivan Oliveira, acredita que as transações comerciais são feitas por meio da internet. "Se você observar, nestes sites de comércio eletrônico, existe a venda de peixes, corais, tanto de água salgada como doce, que chegam a custar R$ 300,00", observa.

Como não se sabe de onde os animais são coletados, se da natureza ou de cativeiro, o transporte precisa ser fiscalizado. O envio, pelo correio, de peixes e invertebrados com fins ornamentais não é proibida. Entretanto, o aquicultor que realiza o envio precisa ter cadastro no Ibama e registro no Ministério de Pesca e Aquicultura. Além disso, os bichos precisam estar acompanhados de uma Guia de Trânsito de Peixes com Fins Ornamentais e de Aquariofilia, além de nota fiscal.

JANAYDE GONÇALVES
REPÓRTER

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