Educação Ambiental

Horta auxilia na formação integral em creches

As atividades na horta contribuem, também, para incentivar as crianças a consumir hortaliças

A Creche de Educação Infantil Frei Tito implantou há dez meses o projeto no qual quase 150 crianças de 2 e 4 anos vivenciam a agroecologia ( Foto: JL Rosa )
01:00 · 03.09.2018 por André Costa - Especial para Cidade

Outrora lugar apenas de cuidados ou assistência social, as creches passaram a ser vistas como espaços provedores de educação e desenvolvimento. Inclinada nessa visão plural, a Creche de Educação Infantil Frei Tito, na Praia do Futuro, em Fortaleza, implantou há dez meses, o projeto “Hortinha do Tito”, na qual quase 150 crianças com idades entre 2 e 4 anos vivenciam diariamente a agroecologia.

Desde novas, as crianças desenvolvem a percepção de preservar e valorizar o meio ambiente. Essa Educação Ambiental, conforme a professora Maria de Deus Araújo, passa a ser importância para às crianças que iniciam a vida educacional pois “estudam o conceito de interação”.

As atividades na horta contribuem, também, segundo a coordenadora da creche, Marilac Brito, para incentivar as crianças a consumir hortaliças, vistas por elas como “de gosto ruim”, além “mostrar, de uma maneira diferente, as contribuições que tais hortaliças podem trazer para uma alimentação saudável”. Maria de Deus ressalta que a creche passará a consumir o que é plantado na horta.

“A criança vê a terra limpa, sem nada. Depois começa a plantar e, em um terceiro momento, está comendo. Isso mexe com o imaginário, aguça a criatividade, ela passa a se questionar sobre o processo de plantio e colheita, é uma atividade fundamental para o desenvolvido”, afirma.

Durante a ida até a Hortinha, as crianças são imersas em mundo múltiplo de conhecimentos. “Elas aprendem o nome das hortaliças, as cores, desenvolvem a percepção de como cada uma é plantada e colhida, o tempo e ainda brincam”, explica Maria de Deus. Neste sentido, a coordenadora faz uma ressalva: o papel da creche mudou e os meios educacionais são impactados por essa metamorfose. “A creche não é tida mais apenas como um lugar de cuidados ou assistência social. Elas passaram a ser vistas como espaços provedores de educação e desenvolvimento”. 

Além da creche Frei Tito, a experiência agroecológica já está sendo implantada em outras cinco escolas públicas municipais de Ensino Fundamental, em Fortaleza: Monteiro de Moraes, José Bonifácio, Filgueiras Lima, Fernanda Magalhães e Herbert de Souza. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Educação do Município que nos disse “não ter um balanço atual de quantas escolas estão aplicando o projeto”.

Ainda de acordo com a Pasta, “está ocorrendo um processo de reestruturação e reorganização do programa e, no momento, não há uma posição acerca da ampliação ou manutenção das hortas”. A secretaria também não soube informar se os alimentos produzidos nas creches são consumidos integralmente pelas escolas ou se há comercialização do excedente.

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