videomonitoramento

Homicídios caem 75% na Barra após torres de segurança

Os índices também apontam redução de mortes no bairro Jangurussu, área de atuação de facções

01:00 · 01.09.2018 por João Neto - Repórter

Os bairros Barra do Ceará e Jangurussu, regiões que receberam torres de segurança do Programa Municipal de Proteção Urbana (PMPU), em 2018, apresentam queda de homicídios, respectivamente, de 75,5% e 50,7%. Não é difícil andar por Fortaleza e se sentir vigiado por uma câmera. No trânsito, em prédios públicos e em torres de segurança, existe a presença dos equipamentos. Sob gerência da Secretaria Municipal da Segurança Cidadã (Sesec), guardas municipais utilizam 112 câmeras de videomonitoramento.

Para se ter uma ideia da queda expressiva dos índices, os óbitos na Capital e Interior tiveram um decréscimo bem mais tímido. Em Fortaleza, de janeiro a julho de 2017, houve 1.078 assassinatos. No primeiro semestre deste ano, o registro foi de 900 mortes: uma diminuição de 15,5%. No Estado, a queda foi ainda menor, de apensas 0,5%.

Quem mora em Fortaleza será vigiado por mais 400 câmeras até o fim do ano de 2019. Conforme publicação no Diário Oficial do Município, no dia 24 de agosto deste ano, a Prefeitura contratou uma empresa estrangeira, com filial no Brasil, pelo valor de R$10 milhões para cuidar da modernização, monitoramento e recomposição do sistema de videomonitoramento.

"O valor informado é referente ao contrato mencionado no Diário Oficial é um registro de preço. Frações desse valor serão utilizadas de acordo com as demandas identificadas", explica a Pasta de segurança municipal.

Atualmente, 80 câmeras são usadas nas duas Células de Proteção Comunitária existentes, nos bairros Jangurussu e Goiabeiras, que fazem parte do Programa Municipal de Proteção Urbana (PMPU), e 32 no Centro e Paço Municipal, local de trabalho do prefeito.

É importante salientar que, até o fim de 2019, esse número será bem maior, pois haverá outras Células de Proteção Comunitária funcionando. A previsão é de mais dez. Cada célula terá, em média, 40 câmeras. "Esse contrato já contempla eventual manutenção em todas as câmeras que estiverem operando", explica a Sesec em nota.

Manutenção

De acordo com a Pasta de Segurança do Município, cerca de 20% das câmeras instaladas nas torres de segurança e demais regiões da Capital estão obsoletas e outras peças precisam de manutenção para melhorar a operação. O contrato com a empresa, com duração de cinco anos, deve suprir as necessidades do órgão com reparo e reposição destes equipamentos.

Segundo o Município, o objetivo principal dos equipamentos é munir os setores de inteligência com imagens e dados para subsidiar ações de segurança preventiva. As primeiras câmeras foram instaladas na região mais movimentada do Centro de Fortaleza, há mais de cinco anos. As do PMPU são deste ano.

Composta por 40 guardas municipais e 20 policiais militares, cada célula possui uma torre de observação que é o ponto de apoio operacional das equipes de motos e viaturas que fazem o patrulhamento do perímetro de atuação estabelecido no PMPU.

Além disso, dois guardas municipais e um policial militar realizam o monitoramento através de câmeras de vigilância que serão instaladas na área. Estão previstas, até o fim deste ano, as instalações de mais três células de proteção comunitária, nos bairros Vila Velha, Barra do Ceará e Caça e Pesca.

Para o pesquisador de Sociologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Marcelo Ribeiro, a aquisição das câmeras passa sensação de segurança e se mostra eficiente, mas é um equipamento que não substitui o trabalho do ser humano. "A política pública por si só não pode ser vista como salvadora. O custo é alto. Não podemos cair no fetichismo da tecnologia. Ela sozinha não vai resolver. É preciso profissionais que saibam manusear essas câmeras, além da integração da comunicação de cada torre".

Em pesquisas realizadas na sala do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), Ribeiro conta que o discurso dos guardas é sobre a necessidade da presença permanente dos profissionais. "Quem faz a triagem sobre um assalto ou incêndio é o ser humano, não a máquina", conta o especialista.

Trânsito

Atualmente, 43 câmeras são gerenciadas pela Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC). O principal objetivo é o monitoramento da fluidez e segurança viária. Desse modo, quaisquer interrupções no tráfego são rapidamente identificadas e, a partir das imagens, adotadas ações para a imediata desobstrução da via, como acionamento dos órgãos envolvidos e alterações nos tempos dos semáforos impactados. Também é realizado o controle de congestionamento nas principais vias da cidade. Em segundo plano é feito o acompanhamento por agentes de trânsito que visam identificar infrações que comprometam a fluidez.

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