poliomielite e sarampo

Fortaleza tem menos de 50% de cobertura vacinal

A campanha de vacinação é voltada para crianças na faixa etária de um (1) a menos de cinco (5) anos

01:00 · 23.08.2018
vacina
Conforme dados do Ministério da Saúde, até o fim da manhã desta quarta-feira (22), o Ceará era o 6º estado com a maior cobertura do País ( FOTO: THIAGO GADELHA )

A poucos dias do fim da campanha nacional de vacinação contra poliomielite e sarampo, Fortaleza ainda não imunizou nem metade do número esperado de crianças. De acordo com dados do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunização (SIPNI), até as 23h30 de ontem (22), apenas 42,86% do público-alvo havia se vacinado contra poliomielite, e 42,67% contra o sarampo. A meta é proteger, no mínimo, 95% dos 138.317 meninos e meninos da Capital que devem participar da mobilização, prevista para terminar no dia 31 deste mês.

No cenário estadual, 67,44% do público-alvo, formado por 509.183 crianças, recebeu a imunização. Atingir a meta de 95% é necessário para impedir o retorno da pólio, já eliminada do Brasil, e diminuir as possibilidades de reemergência do sarampo, atualmente responsável por dois surtos no País, nos estados de Roraima e Amazonas.

A campanha é voltada para crianças na faixa etária de um (1) a menos de cinco (5) anos. Para proteger contra a poliomielite, crianças que ainda não receberam nenhuma dose da vacina devem ser imunizadas com a Vacina Inativada Poliomielite. As que já se vacinaram receberão a vacina oral.

Já no caso do sarampo, todas as crianças, independentemente da situação vacinal, precisarão de uma nova dose.

Segundo a coordenadora das regionais de Saúde de Fortaleza, Aline Gouveia, o SIPNI é atualizados constantemente e ainda deve computar, nos próximos dias, as doses aplicadas durante o dia D da campanha, realizado no último sábado (18).

Atualização

"Além dos postos de saúde, ofertamos, no sábado, 75 pontos de apoio, que tiveram apuração volumosa. Como o sistema não vai com o profissional, é preenchida uma ficha de contingência, para posteriormente os dados serem inseridos no sistema", diz Aline.

Até a última terça-feira (21), a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) estimava coberturas de, aproximadamente, 58,1% para a vacinação contra a poliomielite, e 57,8% contra o sarampo.

Mesmo com o término da campanha se aproximando, a coordenadora afirma que a adesão da população tem sido significativa e acredita que a Capital conseguirá atingir a meta de 95%. Ao fim desta semana, a Secretaria deverá analisar os dados atualizados de cobertura com o objetivo de traçar estratégias de fortalecimento da vacinação nas regionais com os menores índices.

Esperado

Sobre a cobertura em nível estadual, a coordenadora de Imunizações da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), Ana Vilma Leite afirma que o percentual está dentro da expectativa do órgão. "O índice era o esperado, pois temos alcançado semana a semana, que é um parâmetro inclusive do Ministério da Saúde. Até o fim da campanha, no dia 31, a gente espera conseguir os 95%", revela Ana Vilma.

Conforme dados do Ministério da Saúde, até o fim da manhã desta quarta-feira (22), o Ceará era o 6º estado com a maior cobertura do País contra a poliomielite e o 7º na vacinação contra o sarampo.

Embora a Capital ainda não tenha alcançado a meta, municípios do interior do Estado, como Mauriti, Groairas, Pereiro e Barreira, já vacinaram mais de 100% do público-alvo. Segundo Ana Vila, o percentual superior pode ser explicado porque "há a questão de famílias que se mudaram recentemente, ou ainda casos em que o órgão de saúde de outro município é ainda mais próximo de sua residência do que o do seu".

A coordenadora também comenta sobre a diferença entre os números de doses aplicadas das duas vacinas. "É oportunidade perdida. Na verdade, ao chegar na unidade de saúde, a criança deveria tomar logo as duas. A que protege contra o sarampo também imuniza contra rubéola e caxumba, mas é por agulha, injetável, e muitas crianças ainda temem, mesmo ela sendo menor que em geral", completa.

Casos

Até o dia 21 de agosto, o Ministério da Saúde confirmou 300 casos de sarampo em Roraima e 1.087 no Amazonas. Além disso, casos isolados foram identificados nos estados de Rio de Janeiro (14), Rio Grande do Sul (13), Pará (2), Rondônia (1) e São Paulo (1). O reaparecimento da doença está relacionado às baixas coberturas e à presença de venezuelanos no País, uma vez que o genótipo do vírus (D8) identificado é o mesmo que circula na Venezuela.

Já em relação à poliomielite, o Brasil não registra casos da doença desde 1990. Em 1994, o País recebeu, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem.

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