em 9 anos

Fortaleza registra 1.777 casos de leishmaniose

Nos últimos 9 anos, a média anual é de 178 registros e a incidência de 6,8 casos para cada 100 mil habitantes

01:00 · 12.08.2017 por Renato Bezerra - Repórter

Mesmo se tratando de uma patologia grave e que pode levar à morte do ser humano, a leishmaniose visceral (Calazar) é a 2ª doença mais negligenciada do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o que requer o alerta constante no trabalho de prevenção. De 2007 a 2016, foram confirmados 1.777 casos em Fortaleza, com média anual de 178 casos por ano e incidência de 6,8 casos para cada 100 mil habitantes. Os dados constam no primeiro Boletim de Vigilância Epizootiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), com foco na doença.

O documento, lançado nessa sexta-feira durante o IV Seminário de Atualização em Leishmaniose, na Universidade de Fortaleza (Unifor), passa a ser divulgado pela Célula de Vigilância Ambiental e de Riscos Biológicos da SMS, a partir de agora, a cada quatro meses, com o objetivo de fortalecer a área de conhecimento. A publicação contará com dados referentes à população animal, fatores condicionantes e determinantes em relação ao meio ambiente, mudanças dos processos produtivos, distribuição das doenças zoonóticas incidentes e prevalentes nos animais.

Retrospectiva

A retrospectiva histórica, realizada especificamente para esta primeira edição, mostra uma redução de casos ao longo dos anos. Em 2007 foram registradas 248 casos da doença, caindo para 137 em 2015, uma queda de 45%. Em 2016, até a Semana Epidemiológica 50, foram notificados 81 casos da doença com incidência de 3,1 por 100 mil habitantes, menor incidência nos últimos dez anos.

Outro avanço está na incidência territorial dos casos na Capital. Em 2012, a cidade apresentava 12 bairros (11%) com transmissão intensa. Em 2012, apenas dois bairros (2%) permaneceram com esse índice, a Barra do Ceará e o Bom Jardim. O número de óbitos, no entanto, aumentou entre 2007 e 2015, passando de 15 para 21 registros, com média de 13 óbitos por ano. Em 2016, até a 50ª semana, houveram oito óbitos com taxa de letalidade 8,9%.

Mobilização

"O óbito é um passo que a gente está trabalhando e fazendo ações, ou seja, toda morte em que é confirmado a leishmaniose a gente consegue fazer o bloqueio focal, ir no domicílio da pessoa, fazer um trabalho de pulverização. Às vezes juntar com outros setores da Prefeitura, como por exemplo a limpeza urbana, fazer uma mobilização em educação social da área e assim a gente está atingindo praticamente 100% dos casos com esse trabalho focal", explica o gerente da célula de vigilância ambiental da SMS, Atualpa Soares.

A proliferação do vetor (flebotomíneo) está ligado, segundo explica, a presença de material orgânico, geralmente encontrado em terrenos baldios, quintais sujos, restos de plantas e locais próximos a rios e lagos. "Nossa principal meta de avanço é a conscientização, é a gente conseguir conscientizar a população sobretudo nessas áreas de transmissão intensa que se ela não fizer o papel dela, seja limpando ou cuidando do seu domicilio ou denunciando, a gente sempre vai ter essa barreira, porque o mosquito sempre vai estar presente", salienta Soares.

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