PESQUISA REVELA

Fortaleza é uma das piores capitais em saúde e educação

03:59 · 14.09.2009
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Índice Firjan faz ranking das cidades brasileiras. Fortaleza fica entre as menores em desenvolvimento

Sol, mar, brisa e flores. Todos esses elementos reunidos em um dos principais destinos turísticos do País. Ainda assim, Fortaleza está entre as piores capitais brasileiras para se viver. Pelo menos é o que mostra a pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, que aponta a Capital cearense como uma das menores em desenvolvimento municipal, ao considerar dados relacionados à saúde, educação e emprego e renda.

Baseado em estatísticas oficiais dos ministérios da Saúde, Educação e Trabalho, o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) lista taxas médias associadas aos potenciais socioeconômicos de todos os municípios brasileiros. No quesito educação, Fortaleza obteve seu pior resultado, assim como em saúde, estando abaixo da média brasileira.

No ranking da Firjan, Fortaleza perde apenas para Salvador, Porto Velho, Rio Branco e Macapá, dentre as 27 capitais brasileiras. O que seria, então, desse resultado se a pesquisa observasse também níveis relativos a saneamento básico, habitação, segurança, lazer e desporto, transporte urbano ou trânsito, temas igualmente associados à qualidade de vida e ao desenvolvimento socioambiental.

No ranking nacional, nenhum município do Ceará figura na lista dos 500 com melhor desempenho pelo IFDM. Fortaleza ocupa a 587ª posição. Na outra ponta do ranking, nove municípios cearenses estão entre os 500 menores do Brasil.

Diferente do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), que baseia-se em dados do censo demográfico, realizado a cada dez anos, o levantamento feito pela Firjan tem periodicidade anual.

Na área da saúde, o IFDM utiliza variáveis como óbitos por causas mal-definidas e por causas evitáveis e o número de consultas pré-natal por nascido vivo. As médias trienais da Capital cearense sobre saúde são ruins em todos os aspectos recortados pela pesquisa. O percentual de consultas pré-natal é bem menor que a média nacional e as taxas médias de óbitos, tanto por causas mal definidas quanto por causas evitáveis ainda são muito maiores que dos demais municípios brasileiros.

Educação
Quando comparados à média brasileira, os microdados da pesquisa sobre Fortaleza, no que dizem respeito à educação, revelam índices nada animadores.

Se as crianças freqüentam as salas de aula, se a idade delas é superior à recomendada para cada ciclo escolar, se o tempo que elas passam na escola está próximo da média ideal e se os professores estão bem qualificados. Esses são os parâmetros que o Índice Firjan considera para medir desenvolvimento nesse segmento.

Além das taxas de matrícula na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) também são usados na pesquisa. Todos os dados seriam negativos no que tange a educação em Fortaleza, se não fosse a qualificação dos professores. Superando a média nacional, que é de 71,8%, o levantamento revela que 85,4% dos professores da rede pública de ensino possuem curso superior.

No entanto, apesar de possuir professores habilitados, os demais indicadores sobre educação em Fortaleza não apresentam resultados empolgantes. A taxa de matrícula foi menor que a média, do mesmo modo que a distorção da idade do aluno e a sua série, mostrando o atraso da maioria deles. A quantidade de horas/aula e o indicador IDEB também foram baixas.

Mas, há ainda um dado mais preocupante, que diz respeito às desistências de crianças e adolescentes em freqüentarem o ambiente escolar. Enquanto a média brasileira de abandono marca 7,5%, a Capital cearense registra taxa de 9,2%.

PONTO POSITIVO
Emprego e renda superam a média


Mesmo que esteja entre as últimas no ranking das capitais, Fortaleza obteve bom desempenho na área emprego e renda, com índice acima da média. De acordo com o Índice Firjan, a Capital cearense foi destaque por ser o único município do Estado com índices favoráveis de desenvolvimento nesse recorte.

O relatório se baseia em índices de renda (salário médio mensal do trabalhador) e estoques e surgimento de empregos formais, (postos de trabalho gerados no ano).

Coerente com as estatísticas apresentadas no mercado de trabalho pelo Ceará, o índice Firjan apresenta uma evolução positiva para o Estado. Enquanto a média nacional é de 6,6%, Fortaleza se destaca pela marca de 9,6% de crescimento na área.

De acordo com a pesquisa, o Ceará possuía 8,2 milhões de habitantes no período do levantamento, sendo responsável por um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 46,3 bilhões, o equivalente a R$ 5,6 mil per capita.

Mostra, ainda, que o mercado de trabalho apresentava mais de um milhão de empregados formais, sendo responsável pelo segundo maior saldo de vagas celetistas na região Nordeste, com novos 33,6 mil postos de trabalho.

De acordo com a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), os resultados positivos da pesquisa são reflexo dos projetos de capacitação de jovens que vêm sendo desenvolvidos no Estado. Ao total, seis programas estão hoje atuando em qualificação, visando a inserção no mercado de trabalho.

O grande avanço se deu, segundo o órgão, em relação aos jovens que se encontravam em situação de vulnerabilidade social e econômica. A prioridade dos programas foram as pessoas que se encontravam desempregadas, à procura do primeiro emprego, e segmentos especiais, como pessoas com algum tipo de deficiência ou egressos do sistema penal.

Formação
Que existem oportunidades de trabalho, não há o que se questionar, indica a pesquisa. Em contrapartida, a qualificação, que por sua vez está diretamente relacionada à educação, pode tornar-se uma grande lacuna se os indicadores sobre ensino e aprendizagem não melhorarem nos próximos anos.

O coordenador de ensino da Secretaria de Educação Fortaleza, Arlindo Araújo, responde que, "diante desse quadro, temos sob nossa responsabilidade a prestação de serviços educacionais qualificados para uma faixa da população extremamente significativa, mais de um milhão de pessoas estão diretamente ligadas aos processo de ensino".

A intenção da Secretaria de Educação, acrescenta ele, "é clara, objetiva e respeitosa à cidadania. Temos feito um grande investimento na qualificação dos professores, tanto em nível de graduação como especialização, por meio de programas pactuados com os governos estadual e federal, por isso índices positivos neste ponto. E por outro lado, estamos incentivando os pais a se organizarem em rede de acompanhamento, de forma que venhamos a saber se há contentamento com o serviço que esta sendo prestado", destaca Arlindo Nogueira.

Interior
Em relação a outros municípios cearenses, Icapuí, onde a economia pesqueira predomina, foi o único dentre os dez primeiros com evolução nas três áreas de desenvolvimento. Já quanto à variação do índice nos anos, Sobral sobressaiu-se pelo maior crescimento, com 34,8%.

FAIXA ETÁRIA X SÉRIE
Projeto quer reduzir distorção das idades

O coordenador de Ensino da Secretaria Municipal de Educação (SME), Arlindo Araújo, admite que os números Firjan em relação à Fortaleza são incontestáveis. No entanto, acredita que as quatro paralisações realizadas pelos professores, nos anos de 2005, 2006 e 2007, influenciaram nos resultados sobre a quantidade de horas aula e a taxa de abandono.

"As estratégias que os professores utilizam para reposição não completam efetivamente o tempo do aluno da escola. A taxa de distorção é um problema histórico, mas a partir deste ano, já pactuamos com o Ministério da Educação uma assessoria, que inclui colaboração de técnicos, para implantarmos um programa de correção idade/série, que venha responder aos indicadores".

PREFEITURA GARANTE
PSF está trazendo resultados positivos

"Reconhecemos todos os dados indicados na pesquisa, assim como a necessidade de revertê-los. A grande estratégia para alterar esse quadro está focada no Programa de Saúde da Família (PSF)", acredita o secretário Municipal de Saúde (SMS), Alex Mont´Alverne.

Segundo ele, o aumento das equipes de PSF em Fortaleza já vem trazendo resultados positivos, que certamente vão refletir nas próximas pesquisas.

"Desde que temos acompanhado o Pacto pela Saúde, com o Relatório Municipal de Monitoramento e Avaliação, estamos observando metas com prioridades e objetivos. Temos reduzidos os índices de mortalidade materna e houve grande melhoria nas UTIs neonatais, além disso, estão previstos mais oito Centros de Saúde da Família".

JANAYDE GONÇALVES
REPÓRTER

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