Fim de contrato gera protesto em unidades de saúde - Cidade - Diário do Nordeste

Hospitais do Estado

Fim de contrato gera protesto em unidades de saúde

02.04.2013

Hoje, funcionários irão a hospitais de Fortaleza realizar manifestações contra a mudança da cooperativa de saúde

No Hospital Albert Sabin, um grupo de mães se adiantou e preparou uma manifestação para contestar as dificuldades no local FOTO: TUNO VIEIRA

A partir de hoje, 2.222 funcionários da Cooperativa de Enfermeiros do Estado do Ceará (Coopen), em greve desde do dia 23 de março, encerraram as atividades de prestação de serviços de enfermagem nos hospitais do Estado. A Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) assinou contrato com nova prestadora de serviço, ontem, mas não soube informar se os novos cooperados começam a trabalhar hoje.

Por conta disso, funcionários da Coopen prometeram realizar manifestações em diferentes unidades de saúde da Capital: no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), Hospital Infantil Abert Sabin, Hospital César Cals e Hospital Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, conhecido como Hospital do Coração de Messejana.

Em virtude dessa situação, mães com filhos internados no Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), no bairro Vila União, se reuniram, na noite de ontem, em protesto contra a redução no atendimento na unidade. As manifestantes chegaram a fechar o acesso pela rua Tertuliano Sales, que fica do lado do hospital.

Aflitas com relação à situação, as mães questionavam uma posição do hospital a respeito do atendimento prestado aos filhos a partir de agora, uma vez que a informação passada era a de que nenhum cooperado trabalharia a partir de hoje, pelo fim do contrato com a Sesa. "O quadro de funcionários já estava reduzido, se eles pararem quem vai aplicar a medicação dos nossos filhos?" reclama a dona de casa Juliana Tavares, de 24 anos, que está com o filho de 2 anos e 3 meses internado no hospital há 15 dias.

A costureira Inês Maria, 33, também sentiu os efeitos na redução do quadro de funcionários desde que internou o filho de sete meses, há cerca de uma semana. Segundo ela, os poucos profissionais não conseguem suprir a demanda.

A dona de casa Brena Rodrigues, 21, tem um filho de 1 ano e dez meses e diz que as mães fizeram um abaixo-assinado solicitando o pagamento dos funcionários e o reforço no quadro.

O impasse entre Coopen e Sesa ocorre desde o mês de março, quando os manifestantes reivindicavam pela regularização de seu contrato para o exercício da função, que foi finalizado, o pagamento de salários atrasados referente ao mês de fevereiro e o reajuste salarial que não ocorre desde o ano de 2010. Enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem realizaram assembleia, ontem, e decidiram pela paralisação de 100%, iniciado às 19h do mesmo dia.

Licitação

Os grevistas reclamam, também, que no processo de licitação para um novo contrato, a Coopen foi desclassificada, e que a cooperativa vencedora, por ter oferecido um menor valor, não tem como atender a demanda atual dos hospitais. "Ela não tem estrutura para o número de cooperados que o Estado precisa", esclarece uma das enfermeiras cooperada do Hias, Marcela Alves.

Além disso, os grevistas alegam que a cooperativa ganhadora da licitação (Coosaúde) não trabalha com profissionais de enfermagem, e sim de radiologia. "O Conselho Regional de Enfermagem desconhece essa cooperativa. Se eles não têm registro no Coren como que eles vão assumir uma prestação de serviço de enfermagem?", indaga a enfermeira cooperada Raquel Celedônio.

Em contato com a Sesa, a assessoria de comunicação esclareceu que finalizou o processo de licitação pública no dia 27 de março, com a participação de cinco empresas. Segundo a secretaria, a empresa Trabalhadores e Profissionais do Estado do Ceará Ltda (Coosaúde) ofereceu a menor taxa de administração do contrato, de 1%, tendo o documento sido assinado ontem.

A assessoria de imprensa avisou que com a assinatura do contrato, o preenchimento das escalas de trabalho fica a cargo da Coosaúde (nova prestadora de serviços de enfermagem), mas não informou se ela irá suprir a demanda. A reportagem entrou em contato com a Coosaúde, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

RENATO BEZERRA
WILTON RODRIGUES
ESPECIAL PARA CIDADE

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