Filhos celebram Dia dos Pais - Cidade - Diario do Nordeste

HOMENAGENS

Filhos celebram Dia dos Pais

14.08.2011

Para muitas pessoas, a data foi marcada pela saudade dos pais já falecidos. Assim, a movimentação nos cemitérios era intensa e várias as homenagens
Para muitas pessoas, a data foi marcada pela saudade dos pais já falecidos. Assim, a movimentação nos cemitérios era intensa e várias as homenagens
Fotos: Miguel Portela
O tapioqueiro Raimundo Oliveira dos Santos não se lembra qual foi a última vez que comemorou seu dia com os seis filhos
O tapioqueiro Raimundo Oliveira dos Santos não se lembra qual foi a última vez que comemorou seu dia com os seis filhos
Foto: Miguel Portela
Cearense comemora a data de várias maneiras. Uns optaram por locais badalados, outros, por lugares mais tranquilos

No Dia dos Pais, muitas pessoas aproveitaram o domingo de sol para ir à praia. Na Praia do Futuro, por exemplo, as barracas estavam completamente lotadas. Pais e filhos juntos conversavam, trocavam carinhos e celebravam com muita alegria a data especial.

O empresário Carlos Augusto de Oliveira, 54, há três anos não via o filho, Henrique de Oliveira Nóbrega, 31, que mora atualmente nos Estados Unidos. Segundo Carlos Augusto, fazia um ano que eles combinavam o reencontro para o Dia dos Pais, já que só costumam se comunicar pela internet devido ao trabalho do filho. "Pedi para ele se organizar para poder tirar uma folga justamente no Dia dos Pais. Graças a Deus, deu certo, e hoje posso dizer que sou o pai mais feliz do mundo", disse o empresário emocionado.

O policial civil Paulo Vinícius, 31, também fez questão de passear com o filho, Pedro Paulo Coelho Costa, de dois anos, na praia. "Fazia um tempo que nós não saímos para a praia para curtir o sol, o mar e principalmente a piscina, que já era um pedido dele. Pai é para essas coisas mesmo. Primeiro fazemos o que os nossos filhos mandam e só depois realizamos os nosso desejos. Estou muito feliz e espero que este momento se repita inúmeras vezes", contou Paulo Vinícius, com o filho nos braços e dentro da piscina.

Muitos pais, porém, não puderam passar o dia festivo perto dos seus filhos devido aos afazeres do dia a dia. É o caso do aposentado, Rogério Costa Sobrinho, 72, que tem três filhos e todos morando em outros estados. A alternativa para amenizar a saudade foi sair com os netos. "Já que os meus filhos não podem deixar os seus empregos para virem me prestigiar, pedi que mandassem os netos que, para mim, é a mesma coisa", disse sorridente.

Tapioqueiras

Outras famílias preferiram fugir um pouco da agitação das praias e dos restaurantes lotados. Para sair um pouco da rotina, alguns optaram passar o Dia dos Pais em tapioqueiras. Muitos procuraram tomar um café-da-manhã mais reforçado ao lado do seu pai.

O autônomo Clóvis Soares de Almeida Firmino, 35, não perdeu tempo e levou seu pai, Antônio Soares de Almeida, 72, para tomar aquele cafezinho e comer aquela tapioquinha com manteiga. "Em outros anos, a família sempre se reunia ou em restaurantes ou na praia. Todavia, neste ano, achei melhor fugir um pouco da badalação e chamá-lo para tomar um café-da-manhã", afirmou.

E, pelo jeito, o pai Antônio Soares de Almeida aprovou a iniciativa. "Para mim, particularmente, não importa o local. O mais importante é ver a família toda reunida. Esse é o melhor presente", revelou o aposentado. O comerciante Joel Rodrigues da Silva, 56, foi outro que achou mais significativo passar os dias dos pais em um local diferente. "Primeiramente, eu e os meus três filhos pensamos em ir para um restaurante. Aí, decidimos que um café-da-manhã em família não seria uma má ideia. Às vezes é bom sair da rotina", revelou o comerciante.

Lembrança

Para algumas pessoas, o Dia dos Pais é marcado não pela festa ou pela troca de presentes, mas sim pela eterna saudade e por recordações. Muitos filhos escolheram os cemitérios para "passar" alguns momentos, pelo menos simbolicamente, ao lado dos seus pais já falecidos. Ontem, a movimentação foi intensa nos cemitérios públicos e particulares de Fortaleza.

O Cemitério Parque da Paz estava bem movimentado. A psicóloga Anastácia Albuquerque de Oliveira, 26, veio com as tias visitar o seu pai falecido há apenas dois meses. "Estou muito emocionada e a saudade é inexplicável. Meu pai era um exemplo de caráter e tenho a certeza que está em um bom lugar", disse a jovem, que chegou bem cedo para colorir o túmulo com rosas brancas e azuis.

A dona de casa Francisca Estela da Silva, 65, também acordou cedo para homenagear seu pai, falecido há 16 anos. "Mesmo depois de muitos anos, eu ainda sinto muita saudade do meu pai. A cada ano ela aumenta. Ele era exemplo para todos nós. Por esse motivo, aproveito a data para lembrar daquele que durante 94 anos nos deu amor", falou, emocionada.


ENQUETE

Comemoração

"Tenho um filho e infelizmente não está aqui comigo. Porém, ele já ligou para mim mandando as felicidades"

Jaley Lopes da Silva
51 anos, Empresário



"O dia não poderia ser melhor. Aproveitar a praia ao lado dos filhos é o melhor presente que um pai pode receber"

Esmendes Daniel de Sousa
49 anos, Capataz


"Estou muito feliz, pois é a primeira vez que curto o dia com o meu filho de um ano e meio. É simplesmente emocionante"

Everton Lopes de Sousa
31 anos, Programador


DINHEIRO EXTRA

Data festiva é sinônimo de muito trabalho para alguns

O Dia dos Pais, para alguns, infelizmente, não foi sinônimo de troca de presentes, confraternização e reunião familiar, mas, sim, de muito trabalho para poder manter o sustento da família. O comerciante Bruno Alves de Oliveira, 36, aproveitou a data festiva para conseguir um dinheiro extra com a venda de água mineral em frente ao Cemitério Parque da Paz.

De acordo com o vendedor, o feriado de Dia dos Pais tem o seu lado negativo e positivo. "Por um lado fico triste, pois queria está em casa com a minha filha de 13 anos. No entanto, tenho que conseguir dinheiro para garantir o sustento dela e, pelo visto, hoje será um dia que devo faturar alto", disse.

Costume

Outro que não teve tempo de comemorar o Dia dos Pais é o tapioqueiro Raimundo Oliveira dos Santos, 68, que não se lembra qual foi a última vez que celebrou a data especial com os seus seis filhos.

"Não me lembro qual foi o ano que passamos a data reunidos. Todo ano é a mesma coisa. É eu aqui fazendo o que gosto, no caso, as tapiocas e os meus filhos em casa ou também trabalhando. Porém, lembro que isso não nos afasta. Quando aparece a oportunidade nós nos encontramos, matamos a saudade um do outro", confidencia.

Raimundo Oliveira é outro que trabalha no ofício de tapioqueiro há 32 anos, e diz que sustentou todos os seus filhos com o dinheiro da Tapioqueira. "Sem isso aqui, com certeza não teria conseguido criar meus filhos. Eles entendem e nenhum deles chegou um dia para mim reclamando da minha ausência no Dia dos Pais. O que importa é o amor sentido um pelo outro independente do dia", diz.


GIORAS XEREZ
ESPECIAL PARA CIDADE

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