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Feira em dia não autorizado gera transtornos

Gestor diz que presença de fiscais é complicada pela possibilidade de agressões físicas e verbais no local

00:00 · 24.12.2015 por Renato Bezerra - Repórter
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Na ausência de um controle maior, feira alcançou as redondezas da Catedral Metropolitana de Fortaleza, no Centro da Cidade, e se estendeu até a Avenida Conde d'Eu e a Rua Sobral ( Fotos: Bruno Gomes )
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Os problemas no trânsito foram sentidos a quilômetros de distância. Na Avenida Castelo Branco (Leste-Oeste), condutores enfrentaram longo engarrafamento

Ano vem, ano vai, e o uso do espaço público de forma indevida pela extensão da Feira da José Avelino, no Centro, teima em resistir. Em época de comércio aquecido, especialmente nesta semana em decorrência do Natal, o problema se acentua, expandindo o comércio para horários e até dias não autorizados para acontecer, como ontem pela manhã, quando a movimentação intensa causou os costumeiros problemas, no entanto de forma mais intensa, como a lentidão no trânsito nos acessos ao local e no seu entorno.

O comércio é autorizado para acontecer somente a partir das 19h das quartas-feiras até à 7h das quintas-feiras, e nos fins de semana, das 19h do sábado às 11h do domingo. Na ausência de um controle maior, ontem, a feira alcançou as redondezas da Catedral Metropolitana de Fortaleza e se estendeu até a Avenida Conde d'Eu e a Rua Sobral.

De forma usual, o trânsito acaba sendo um dos principais prejudicados. Com a movimentação excessiva de compras de fim de ano, e a lentidão de acesso às vias no entorno da feira, um grande engarrafamento se formou na Avenida Presidente Castelo Branco (Leste-Oeste), no sentido Barra do Ceará-Centro, durando grande parte da manhã e tarde de ontem.

Agentes da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) e da Guarda Municipal chegaram a promover desvios pela faixa contrária da avenida, mas sem grandes resultados positivos, pois o congestionamento continuou dos dois lados da avenida. Uma colisão entre um ônibus e um caminhão piorou ainda mais a situação de quem passou pela via, no fim da manhã de ontem.

Negociações

Embora menor se, comparado com o ano anterior, conforme os ambulantes, a movimentação na feira garantiu alto retorno durante o fim deste ano. Segundo os vendedores, as negociações apresentaram crescimento já no início de dezembro. Eduana Ferreira, ambulante que atua no local desde o no ano passado, contou que, apesar da queda em relação à data anterior, muitas peças foram vendidas. "Aqui não tem crise não", afirmou a comerciante em meio ao anúncio do preço das roupas. Mesmo às 9 horas, o fluxo de pessoas ainda era grande entre os comerciantes.

Lucro

De acordo com o vendedor Márcio Ferreira, o movimento mais fraco não foi resultado de um período ruim do comércio. Para ele, como a maioria das compras são para revenda, o período mais lucrativo aconteceu no início deste mês. "Antes de dezembro ninguém vendia nada", relatou, descartando a crise econômica como algo que tenha afetado o comércio no local.

Mesmo com o movimento reduzido durante os meses anteriores do ano, ambulantes garantem que as vendas atenderam às expectativas. "Crise só se for de garganta", disse o vende James Julião, afirmando ter vendido mais de 100 peças somente na manhã de ontem. O esperado é que a Feira também ocorra nesta quinta-feira (24), véspera de Natal, apesar dos comerciantes estimarem uma movimentação bem menor.

Regional

Em relação à ocorrência da Feira além dos dias programados, a Secretaria Regional do Centro informou ter ciência do fato, alegando manter o trabalho de fiscalização todos os dias com o objetivo de organizar a intensa movimentação na área. Enquanto a reportagem esteve no local, não foram vistos muitos guardas municipais. Anteriormente, o secretário do Centro, Ricardo Sales, já havia afirmado que a presença de fiscais no local é complicada pela possibilidade de agressões físicas e verbais. Um plano para uma fiscalização mais efetiva, segundo relatou, está sendo feito para entrar em vigor em 2016. Ainda de acordo com a Regional do Centro, não há, no momento, projeto por parte da Prefeitura para transferência dos comerciantes para algum empreendimento. "A partir do momento em que entender que existe um lugar que comporte esses feirantes com mais estrutura e melhores condições de trabalho, a Secretaria irá coibir a feira", acrescentou a Secretaria Regional, por meio de nota. (Colaborou Mylena Gadelha)

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