RESISTÊNCIA

Fantasia para manter a luta

Todo Carnaval tem um grito social. Neste ano, a festa foi espaço para manifestações individuais e coletivas de combate ao assédio sexual, respeito ao corpo e garantia de direitos para LGBTs

A luta contra o assédio ganhou espaço nas ruas da Capital e Interior. O palco para a festa foi também local para resistência ( FOTO: YAGO ALBUQUERQUE )
00:00 · 14.02.2018 / atualizado às 00:55

As cores do arco-íris não estavam só nas roupas e adereços carnavalescos. Muito menos as placas com o restritivo "não é não". A ideia coletiva de consciência e garantia de direitos para qualquer pessoa - seja em que situação ela estiver ou independente da roupa que estiver usando - marcou o já histórico brado social durante os quatro dias de festa.

Através de blocos com cunho político acentuado ou individualmente, os protestos em favor de direitos básicos marcaram músicas, danças, fantasias e festas que já nasceram com a alcunha feminista, da diversidade de gênero, contra o racismo e em favor do amor próprio e ao próximo. No Mercado dos Pinhões e na Gentilândia, o coletivo feminista "As Damas Cortejam" animou o público. O som politizado era predominantemente de músicas com mensagens de críticas à violência contra a mulher, bem como em defesa do feminismo.

O bloco das Travestidas, oriundo do coletivo de mesmo nome que nasceu a partir de uma pesquisa sobre o universo das travestis e transformistas, une o apelo social à irreverência com um repertório vasto. Depois de se inserir na programação do pré-Carnaval, foi a vez do grupo subir ao palco principal, no Aterrinho, para celebrar e levantar a bandeira colorida de respeito à diversidade. No repertório do coletivo que se afirma agregador há espaço para axé, pop, funk, frevo e marchinhas interpretadas pelas cantoras Gisele Almodóvar - vivida por Silvero Pereira- e Mulher Barbada - interpretada por Rodrigo Ferrera.

Espalhadas pelos nove polos, mulheres exibiram seus corpos que também serviam de bandeira. Em tatuagens-protesto, frases de "Respeita as minas", "Não é não" lembravam que na festa da liberdade, é preciso respeito. O assédio foi combatido para que a festa fosse de todos!

Sororidade criativa

Em meio às dancinhas e celebrações na maior festa popular do Brasil, houve espaço para quem optou por conscientizar quem resolveu ocupar as ruas. O coletivo feminista Luz de Dandara escolheu, mais uma vez, o Carnaval para impactar as pessoas e incentivar a sororidade entre as mulheres. A ação deste ano era por um #CarnavalSemAssédio. Meninas empunharam cartazes com frases feministas, distribuíram adesivos gratuitamente por diversos blocos de Fortaleza e mostraram que a força feminina é mais que adereço!

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Mulheres utilizaram corpo, voz e plaquinhas para exigir o respeito (FOTO: YAGO ALBUQUERQUE)

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