Após 4 horas sem atendimento

Família retira homem tetraplégico do HGF

A esposa do paciente de 59 anos disse que levaria o marido embora para 'morrer em casa'

01:00 · 20.03.2017 / atualizado às 09:28
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O paciente ficou internado na UTI do HGF de 15 de novembro a 23 de dezembro, foi transferido para uma unidade semi-intensiva e recebeu alta ( Helene Santos )

Um homem tetraplégico de 59 anos, que aguardava atendimento no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), foi retirado por familiares, após passar mais de 4 horas sem ser atendido. Raimundo Nonato de Brito chegou à emergência às 9h do sábado (18), com dificuldade para respirar e fortes dores, e aguardou até às 13h30 em uma maca no corredor. Inconformada, a esposa, Maria Brito, disse que o levaria embora para "morrer em casa".

"Ele não vai morrer neste corredor. Vai morrer em casa", disse Maria Brito, em vídeo gravado por familiares no sábado, no HGF. Segundo a filha de Nonato, Aline Brito, o pai não teve a atenção necessária no hospital. "Chegamos por volta de 9h e, às 13h30, meu pai ainda estava em uma maca quase ao chão, sujo, sem alimentação e sem água. Os exames só fizeram porque os outros familiares começaram a chegar desesperados".

Aline também destacou que, após retirarem Nonato do HGF, os familiares ainda tentaram levá-lo para a Santa Casa de Fortaleza. "Disseram que não têm tratamento para ele. Com o sofrimento torturante de vê-lo neste estado, sem atendimento, decidimos levá-lo para casa, para ter uma morte com mais dignidade", complementou.

Aline Brito diz que seu pai tinha uma vida normal, apesar de suas limitações. Entretanto, em novembro do ano passado, teve um problema intestinal e uma grave pneumonia, ingressando no HGF, onde ficou internado na UTI, de 15 de novembro a 23 de dezembro, quando foi transferido para uma unidade semi-intensiva. Na última quinta-feira (16), ele recebeu alta.

"Enquanto esteve no hospital, meu pai foi desenganado várias vezes. Disseram que nunca mais iria respirar sem a ajuda de aparelhos. Mas, em janeiro, a máquina que fazia a respiração mecânica deixou de funcionar e viu-se que ele estava respirando com autonomia. Diante disso, fizeram uma traqueostomia (intervenção cirúrgica que consiste na abertura de um orifício na traqueia e na colocação de uma cânula para a passagem de ar) e deram a alta dele", explicou.

Dois dias após sua alta, porém, Nonato voltou a apresentar fortes dores e falta de ar. "Nem morfina aliviava", conta a filha. "Buscamos o serviço de assistência domiciliar do Waldemar Alcântara, mas disseram que tínhamos que ligar para o Samu, pois eles não atendiam nos fins de semana e feriados. Ligamos para o Samu, que alegou que isso era competência da assistência domiciliar. Desesperados, colocamos meu pai num carro comum e o levamos ao HGF, onde aconteceu tudo isso", concluiu.

Secretaria da Saúde

Em nota, a Secretaria da Saúde (Sesa) reforçou que Nonato ficou internado durante meses no HFG, sendo transferido e liberado para o programa de atenção domiciliar em comum acordo com a família. Sobre o caso de sábado, a pasta informou que o paciente foi classificado com risco amarelo (médio risco), às 9h41, e atendido às 10h50, quando foram solicitados exames laboratoriais e o paciente passou a fazer uso de sonda, foi prescrito e admitido na emergência às 11h20. Às 13h12, entretanto, foi dada baixa no sistema, após solicitação dos familiares.

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