XIX Parada pela Diversidade Sexual do Ceará

Evento protesta contra o genocídio de LGBTs

Foi realizado um minuto de silêncio em homenagem às pessoas LGBTs assassinadas no País

A Parada reuniu milhares de pessoas, na Avenida Beira-Mar, na tarde/noite de ontem ( Foto: Kid Júnior )
01:00 · 25.06.2018

Braços se ergueram com entusiasmo, na Avenida Beira-Mar, durante a tarde de ontem (24), levantando cartazes em celebração à vida e contra o preconceito. Uma multidão rodeou os trios elétricos coloridos que se destacaram na XIX Parada pela Diversidade Sexual do Ceará.

O tema "O genocídio continua! A luta é todo dia por Dandara, Marielle e por todas!" teve destaque entre as muitas mensagens proferidas durante a Hora da Militância, um dos momentos iniciais do evento. "O tema faz alusão à necessidade de dizer que a luta é todo dia, e denuncia o genocídio de travestis e transexuais que nós vivenciamos em nosso Estado", diz Francisco Pedrosa, presidente do Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), que integra a organização do evento. Segundo ele, a Parada busca também a incorporação da vida de pessoas LGBT na democracia, aspecto que ainda não foi alcançado no Ceará.

"O homicídio a pessoas LGBT é um crime de ódio. São assassinatos que não matam só a pessoa, mas também o que ela representa, a sua orientação sexual ou sua identidade de gênero, e isso é muito grave e precisa acabar", afirma o presidente do Grab. Ele ressalta que é preciso que as políticas de segurança pública e como um todo façam valer o Estado de Direito que, "nesse momento, não está sendo exercido no Brasil".

O coordenador especial de Políticas Públicas para LGBT do Ceará, Narciso Júnior, destaca que as dívidas históricas com o movimento LGBT são muitas, mas que o objetivo do Governo é estabelecer projetos que possam evoluir. "Ao colocar Delegacias das Mulheres para atender à população de travestis e transexuais, garantimos um direito que essas pessoas não tinham antes. Isso é cidadania", diz.

O coletivo "Mães pela Diversidade" formou a comissão de frente do evento, levantando a discussão da importância do apoio da família na luta contra a vulnerabilidade sofrida pelos LGBT.

Festa

Após o canto do Hino Nacional Brasileiro e de um minuto de silêncio em homenagem às pessoas LGBTs assassinadas no País, a Parada pela Diversidade Sexual do Ceará teve início oficialmente, ao som da música "I Will Survive".

A partir daí, o público passou a celebrar a vida em uma grande festa da diversidade, no percurso do Náutico Atlético Cearense até a Praia de Iracema. Na programação artística, o show da Mulher Barbada foi um dos destaques, trazendo músicas de artistas como a cantora Pablo Vittar e da dupla Simone e Simaria.

Pela primeira vez no evento, a trans Morgana Rios, de Santana do Acaraú, aprovou o que viu. "O evento está muito lindo e organizado, sem preconceito".

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.