Palestra

Evento discute drogas e segurança

01:00 · 11.09.2018

A relação entre a política de drogas e a Segurança Pública será tema de palestra realizada amanhã (12), em Fortaleza, pelo antropólogo e especialista na temática, Luiz Eduardo Soares. A atividade acontecerá no lançamento do primeiro de quatro livros do projeto "Ensaios de Emergência", idealizado pelos juízes Cézar Belmino e Luciana Teixeira e pela promotora de Justiça Joseana França.

Os livros abordam temas relacionados à desigualdade social e violência, e são compostos a partir de artigos de diversos autores. O objetivo, de acordo com os idealizadores, é "criar um espaço de debates, de diálogo transparente sobre a questão da desigualdade social e da violência, abordando o assunto sem apelo partidário, moral ou religioso".

Para o palestrante do evento, são várias as questões associadas ao contexto de compra, venda e consumo de drogas no Ceará e no Brasil. "A pergunta 'deveríamos ou não permitir o acesso às drogas?' me parece uma questão falsa - a resposta já está dada na prática. Nenhum país foi capaz de sequer reduzir o consumo", aponta Luiz Eduardo Soares, ex-secretário nacional de Segurança Pública.

O antropólogo ressalta que a "guerra às drogas" é a raiz das várias mazelas que permeiam a violência urbana no País. "A realidade se impõe: havendo demanda e oferta, elas se encontrarão. A única pergunta realista é: se o acesso é inevitável, em que contexto seria mais conveniente vivenciar essa realidade? Seria aquele em que droga é matéria de prisão, justiça criminal, ou de educação, saúde, regulamentação e disciplina?", questiona.

Outro gargalo do sistema de segurança do País, o inchaço das unidades prisionais brasileiras também é classificado por Soares como consequência central e direta da "guerra às drogas". "Se você põe a lupa sobre as penitenciárias brasileiras, 29% cumprem pena por tráfico de drogas. E há um subgrupo: as mulheres presas por esse crime chegam a 62%. A imensa maioria não está lá por violência, uso de armas, mas por pequenos tráficos, o que chamamos de varejo", analisa.

De acordo com Soares, esse cenário fortalece a criminalidade. "Quem entra na prisão para passar cinco anos precisa se vincular às facções, por sobrevivência. Depois, fica devendo lealdade. Estamos contribuindo para alimentar a violência futura".

Mais informações:

Lançamento do projeto "Ensaios de Emergência"
Dia 12/9, às 19h
Centro Universitário Farias Brito
Rua 8 de setembro, 1331. Varjota.
Entrada gratuita

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.