Tranquilidade nas escolas

Estado investe R$ 4 mi em projeto

01:43 · 23.03.2012
Na Escola Estadual de Educação Profissional Marvin, 500 alunos do Ensino Médio participam do Programa Geração de Paz. Na instituição, o clima é de harmonia
Na Escola Estadual de Educação Profissional Marvin, 500 alunos do Ensino Médio participam do Programa Geração de Paz. Na instituição, o clima é de harmonia ( Foto: Marília Camelo )
Programa Geração de Paz traça estratégias para combater a violência na rede estadual de ensino

Casos de violência nos colégios passaram a ser comuns nos noticiários nacionais. Nas instituições de ensino do Ceará, não é diferente. Por isso, na tentativa de mudar esse cenário, a Secretaria da Educação do Estado (Seduc), pela primeira vez, montou uma equipe de especialistas e irá investir, neste ano, R$ 4 milhões no desenvolvimento do Programa Geração de Paz nas escolas.

Ontem, no auditório do Batalhão da Polícia Comunitária, na Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), estiveram reunidos representantes de 13 escolas piloto do programa, gestores da Superintendência das Escolas Estaduais de Fortaleza, além de membros da polícia comunitária e da SSPSD. O objetivo foi traçar estratégias que aproximem todos esses setores, incluindo estudantes e familiares. A expectativa é que o Geração de Paz consiga estar inserido em cerca de 200 escolas, a maioria delas localizadas em bairros de risco.

Um deles é o Cristo Redentor. Lá, em meio a casas simples, onde, infelizmente, os conflitos na comunidade e o uso de drogas ainda são bastante presentes, uma instituição de ensino se destaca pela ausência de casos de violência. Na Escola Estadual de Educação Profissional Marvin, cerca de 500 alunos do Ensino Fundamental e Médio participam do programa, que envolve palestras, ações na comunidade e oficinas educativas.

Contudo, o ambiente nem sempre foi de tranquilidade. Segundo a coordenadora da escola, Socorro Amaral, há alguns anos, a unidade enfrentava um clima tenso e violento. Mas, com a força dos professores, somada a dos pais e com ajuda dos estudantes, o cenário mudou, principalmente, depois que o Governo do Estado criou, no ano passado, o Programa Geração de Paz. Hoje, a instituição é uma das escolas pilotos.

O estudante do 1º ano Felipe Carvalho, 16, confessa ter sido um aluno problemático. "Não respeitava os professores, era agressivo, cheguei a furtar equipamentos e fui cúmplice dos furtos de outros colegas. Além disso, por ter pichado as paredes da instituição, a diretoria chegou a chamar o conselho tutelar", diz.

A indisciplina de Felipe geraram a sua reprovação na escola. Entretanto, o esforço da coordenadora e da diretora de aproximar os pais do adolescente da sua realidade mudou a situação. "Minha mãe passou a vir na escola e a assistir as apresentações culturais, então, eu decidi mudar", conta.

Hoje, Felipe diz ter orgulho de participar do Geração de Paz e ajudar os amigos. "Acho que esse programa vai abrir as portas tanto para nós, alunos, quanto para a comunidade", destaca.

O secretário executivo da Seduc, Idelvan Alencar, explica que, apesar de já existirem ações pontuais, o Programa Geração de Paz, pela primeira vez, montou uma equipe para planejar estratégias. "O diferencial é que a cultura de paz nas escolas passou a ter uma cara", ressalta.

Iniciativas devem promover segurança

O coordenador de Defesa Social da Secretaria de Segurança e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS),Wililian Alves, acredita que a segurança nas escolas não deve ser feita só de repressão, mas, sim, de ações preventivas. "Para isso, vamos precisar conhecer de perto a rotina das instituições, os horários de saída de alunos e até participar de atividades junto com eles", afirma.

Segundo ele, a violência não nasce na escola, vem da comunidade e reflete nas instituições. Nos bairros considerados de risco, ainda tem um agravante: as drogas. "Por isso, precisamos acompanhar de perto esse meninos e suas famílias, saindo da teoria e exercendo práticas efetivas", destaca o coordenador.

Ainda de acordo com Alves, diversas ações realizadas pelo policiamento comunitário podem fazer a diferença na segurança, como detectar se há ou não iluminação adequada no entorno da escola, ou se há transporte público na área. "Podemos escutar as reclamações dos moradores e fazer ofício para os órgãos competentes cobrando mudanças", diz.

Porém, em caso de brigas ou de alunos armados dentro do colégio, o coordenador ressalta que é preciso uma intervenção repressiva e os soldados do Ronda do Quarteirão poderão agir em defesa dos demais estudantes. "Temos 162 viaturas circulando em todas as áreas da Capital. O objetivo é atender a população e preservar o patrimônio. O programa só vai possibilitar uma maior aproximação da polícia comunitária com as escolas. A expectativa é que possamos traçar estratégias concretas e colocá-las", conclui Willian Alves.

KARLA CAMILA
REPÓRTER

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