Escolas públicas estão em condições precárias - Cidade - Diário do Nordeste

RETORNO ÀS AULAS

Escolas públicas estão em condições precárias

31.01.2006

José Leomar
Euforia para muitos e decepção para não poucos. Assim, foi a volta às aulas na rede oficial de ensino do Estado, ontem, quando estavam sendo esperados mais de 700 mil alunos nas 686 escolas da rede pública estadual, em Fortaleza e no Interior.

Em algumas unidades de ensino na Capital, o início do ano letivo foi acompanhado pela Comissão de Defesa do Direito à Educação, um fórum permanente que reúne parlamentares estaduais, vereadores, professores e pais de alunos.

Exemplo de tristeza aconteceu na Escola de Ensino Fundamental e Médio João Paulo II, localizado no Bairro do Henrique Jorge. Com a ausência de lousas em três salas de aula, banheiros sem condição de uso, tetos sem rebocos nos compartimentos, essa unidade escolar não teve condição de dar início ao primeiro dia de aulas.

A escola foi visitada pelos deputados Artur Bruno (PT), Chico Lopes (PC do B) e pela assessora da Comissão de Educação, da Câmara Municipal de Vereadores, Maria de Jesus Ribeiro, dentre outros representantes. Eles constataram no local a dificuldade de início das aulas, tendo em vista o quadro de precariedade de como se encontra aquela unidade de ensino.

“Nós estivemos aqui tão logo começaram as matrículas e, de lá para cá, não foram providenciadas as condições mínimas de funcionamento”, disse Maria de Jesus.

Enquanto isso, o deputado Artur Bruno comprometeu-se em elaborar um relatório a ser encaminhado à Secretaria da Educação do Estado (Seduc), sobre as deficiências encontradas e, num segundo momento, promover uma audiência pública, para exigir o pleno funcionamento da rede de ensino oficial do Estado.

O diretor do João Paulo II, Francisco Océlio Saraiva, disse que a perspectiva é que as aulas comecem amanhã, quarta-feira. As lousas estão sendo adquiridas, bem como foram providenciados alguns trabalhos de restauração da parte física, conforme informou.

Por enquanto, o depósito de merenda escolar funciona no gabinete do diretor, que divide entre pastas com fichas de alunos e um improvisado almoxarifado. “Tivemos que agir assim por segurança. O temor maior é que houvesse roubo ou furtos”, disse Océlio.

Já na Escola de Ensino Fundamental e Médio Eudoro Correia, localizada na Parangaba, a euforia tomou conta de alunos, professores e diretores. A grande conquista deste ano foi o retorno do Ensino Fundamental, que estava suspenso.

Além disso, a escola ainda mantém inscrições abertas para matrículas, uma vez que boa parte da comunidade não tomou conhecimento do retorno das turmas de 5ª à 8ª séries.

A diretora Neiva Barroso disse que já estão matriculados cerca de 1800 alunos. Mesmo assim, a unidade tem uma capacidade e absorção bem maior de estudantes, haja vista a boa estrutura física. “Estamos avançando muito. No ano passado, havia 15 salas de aula ociosas. Isso não vai mais acontecer este ano”, frisou Neiva.

O entusiasmo pela escola também tomou conta de Gleiciane Rodrigues da Silva, 17 anos, que está cursando o 1º ano do Ensino Médio. Ela conta que deixou de estudar num colégio próximo a sua casa, na Vila Pery, por conta das boas referências da Eudoro Correia. “O que sabia é que aqui (na escola) havia um zelo pela disciplina e que não há problemas com falta de professores. Isso para mim já é um bom começo”, ressaltou a estudante.

Comente essa matéria


Editora Verdes Mares Ltda.

Praça da Imprensa, S/N. Bairro: Dionísio Torres

Fone: (85) 3266.9999