Ervas medicinais exigem cuidados na manipulação - Cidade - Diario do Nordeste

AÇÕES COMPROVADAS

Ervas medicinais exigem cuidados na manipulação

08.07.2005

Cid Barbosa
O bom e velho chá pode não ser apenas uma bebida leve, consumida após as refeições, mas também um grande aliado na recuperação de enfermidades simples e até mais complexas, como a úlcera gástrica. No Ceará, existem aproximadamente 700 espécies diferentes de ervas, mas apenas 70 delas têm ações comprovadas, o que significa que para fazer bom uso de uma erva é preciso saber sua indicação e a forma de utilização.

Boldo, cidreira, hortelã, capim santo, alecrim e erva-doce. Os adeptos do tradicionalismo não trocam um bom chá por nenhuma outra forma de medicamento, mas o professor Abreu Matos, da Universidade Federal do Ceará e idealizador do projeto Farmácia Viva, observa que as ervas são boas amigas se utilizadas da maneira correta. “Pode ser muito útil ou não. Quando as pessoas escolhem, fica a dúvida se estão escolhendo a correta ou não”, diz.

Existem ervas que não apresentam contra-indicação e são inofensivas, como a marcela que pode ser usada em casos de má digestão, gastrite e diarréia. Mas o professor Matos aconselha que o chá seja preparado com folhas novas da planta, pois as velhas não têm indicação. Outra erva com muita utilidade, mas desconhecida da grande maioria dos cearenses, é o alecrim-pimenta. A planta funciona como um anti-séptico para uso em todo o corpo. Pode ser utilizada em pastilhas para a garganta, para retirar manchas na pele e até no combate do odor nas axilas.

Outra erva bastante utilizada e conhecida em no Ceará é a cidreira. Famosa por seu efeito calmante, deve ser usada com cautela por existir três tipos diferentes de cidreira. Apenas dois tipos da planta tem efeito medicinal, sendo um usado como tranqüilizante e o outro indicado para bronquite. O professor Abreu Matos informa que, de acordo com a população mais antiga, a cidreira de efeito calmante é conhecida como cidreira “carmelitana”.

Nesse universo de plantas medicinais há também aquelas que são consideradas perigosas, que se utilizadas podem provocar reações até fatais. É o caso da erva espirradeira, tóxica ao consumo. Um chá com meia folha da planta pode matar uma pessoa por parada cardíaca em pouco tempo. Sabendo disso, muitas mulheres ingerem o chá da planta para fazer aborto, mas acabam morrendo junto com o feto. Outra planta tóxica é o confrei. O professor Matos explica que ela foi introduzida no Brasil há aproximadamente 50 anos e sua ingestão pode provocar intoxicação do fígado, cirrose e pâncreas. Os sintomas podem se manifestar até muito anos depois da ingestão da erva. Esse processo fez com que o Ministério da Saúde proibisse o uso por via oral do confrei.

SERVIÇO: O livro “Farmácia Viva”, de autoria do professor Francisco José de Abreu Matos, aborda de forma acessível as ações medicinais de muitas plantas. O exemplar pode ser adquirido na livraria das Edições UFC.

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