Educação de jovens e adultos é desafio no CE - Cidade - Diário do Nordeste

LER E ESCREVER

Educação de jovens e adultos é desafio no CE

25.04.2009

No Estado, trabalho voltado para esse público é feito por projetos locais, em parceria com o governo federal

Na semana em que se celebra o Dia do Livro, saber ler e escrever ainda é algo distante para 14 milhões de brasileiros adultos. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2004, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre as pessoas com mais de 15 anos no Ceará, 21,7% não sabem ler nem escrever. No mundo, 776 milhões de adultos estão nessa situação.

Por isso, até amanhã, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) desenvolve ações em vários países na Semana de Ação Mundial de Educação para Todos 2009.

No Ceará, o trabalho voltado para esse público está sendo feito por projetos locais, em parceria com o governo federal, e em trabalhos com pescadores, trabalhadores rurais sem-terra e em assentamentos rurais. Ao fim da semana, será assinado manifesto internacional por mais comprometimento e investimento na Educação de Jovens e Adultos.

No Ceará, há 32 Centros de Educação de Jovens e Adultos (Cejas), sendo nove em Fortaleza e 23 no Interior. São 24 mil alunos matriculados no ensino fundamental e 34.622 no ensino médio.

Segundo a coordenadora de Educação de Jovens e Adultos na Secretaria da Educação Básica do Estado (Seduc), Antonia (Toni) Alves dos Santos, o número de matriculados muda constantemente porque é possível ingressar no programa durante todo o ano.

Pelo programa, o aluno estuda tanto na escola como dedica um tempo na comunidade, nos horários que escolher. Só em Fortaleza, nos nove Cejas, são 13 mil alunos matriculados. Tratam-se de pessoas com mais de 18 anos (ensino médio) ou mais de 15 (fundamental), que não puderam concluir esses níveis de ensino no tempo hábil.

“São pessoas que vão ficando atrasadas na escola, que pararam, reprovaram ou que não tiveram grandes oportunidades de estudar. Outras deixaram os estudos para trabalhar e, hoje, precisam estudar para trabalhar”, explica Toni.

Segundo ela, há uma demanda muito grande de pessoas que estão fora da escola e não concluíram os estudos, mas não se sabe o número exato. Para o retorno aos estudos não se tornar um entrave, as aulas acontecem de 7 da manhã às 22 horas, todos os meses do ano, de segunda a sexta-feira. O aluno, por sua vez, é orientado a definir o seu horário. “Mas ele tem que assumir compromisso, porque a autonomia requer responsabilidade e há uma freqüência obrigatória, mas sem horário rígido”.

No Ceará, também há parceria com o governo federal para incentivar adultos a voltarem à escola. O público alvo são pessoas com 15 anos ou mais que tanto não sabem ler ou escrever ou estão fora da faixa etária da série correspondente.

Para a formação que começa em maio e as aulas em junho, o Brasil Alfabetizado no Ceará tem disponíveis R$ 800 mil. Até agora, 7.158 estão inscritas para assistirem às aulas em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pescadores do projeto Pescando com Letras. A agência formadora do programa no Estado é a Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Essas pessoas, como explica a coordenadora do Brasil Alfabetizado no Estado do Ceará, Fátima Cândido, aprenderão a ler e a escrever respeitando-se a metodologia de cada projeto e dentro da conjuntura das diferentes realidades.

Para isso, integrantes das comunidades serão preparados para dar aulas. Os coordenadores de turmas ganharão bolsa de R$ 500,00, enquanto os instrutores, R$ 300,00.

BRASIL ALFABETIZADO
Seis mil pessoas podem ser beneficiadas com o projeto

De acordo com Fátima Cândido, que é orientadora da Célula de Programas e Projetos Federais, a demanda em Fortaleza de pessoas com mais de 15 anos que poderiam ser beneficiadas com o projeto Brasil Alfabetizado no Ceará soma 6 mil pessoas.

“É uma dívida social que temos com essa população”, justifica a professora. No Ceará, 173 municípios aderiram ao projeto através da Seduc, mas há prefeituras que atuam diretamente junto ao Ministério da Educação. Nesses casos, o Estado só acompanha o processo.

Nesses 173 municípios, 84.179 alunos serão atendidos com orçamento de R$ 834.200,00 para a execução dos trabalhos de 2008, que começam em maio e junho. Os alunos também serão beneficiados com o Olhar Brasil, projeto federal que concede óculos de grau para quem tem dificuldade de enxergar. As turmas serão atendidas, durante oito meses, nas zonas urbana e rural. Para 2009, está prevista a participação da Pastoral da Terra, com 900 alunos.

Apoio técnico

Os trabalhos da Unesco voltados para a educação brasileira têm dois pilares: a qualidade e a igualdade. Segundo dados da entidade, a baixa absorção de conceitos científicos prejudica a inclusão de indivíduos na sociedade. Com base nisso, a Unesco oferece apoio técnico e conhecimentos para tratar do tema.

Nas últimas décadas, o País alcançou progressos significativos que permitiram praticamente atingir a universalização do ensino fundamental obrigatório (93,8% em 2003). Todavia, o Brasil ainda apresenta deficiências no acesso à educação para a primeira infância e ensino médio. No Brasil, 281 pessoas já assinaram o Manifesto da Grande Leitura, que a Unesco encaminhará a autoridades, exigindo que todas as pessoas tenham acesso à educação de qualidade.

Marta Bruno
Repórter

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