após 3 anos do acidente

Edifício Versailles, condenado, passa a ser demolido

O novo prédio terá 24 andares; os primeiros serão destinados às famílias que deixaram o edifício antigo

Três andares do Versailles já foram devidamente demolidos, tudo feito com base na tubulação interna do empreendimento. Não há prazo ainda para a conclusão da demolição ( Foto: Cid Barbosa )
01:00 · 14.04.2018

O edifício Versailles, localizado no cruzamento entre as ruas Ana Bilhar e Joaquim Nabuco, no bairro Meireles, tinha pouco mais de 30 anos quando, em março de 2015, foi condenado, após parte de sua estrutura desabar. Rachaduras no prédio anunciaram a ruína da varanda do segundo andar. Na ocasião, dois operários morreram. Três anos após o desabamento, o prédio finalmente começou a ser enterrado.

Ele e os dramas que ali foram vividos. Sete famílias residiam no local. Após o que chamaram de "grande trauma", não tiveram muita escolha, além de se deslocar para outros prédios ou casas de familiares, com medo e sem muitas respostas. A demolição do edifício, definida para dezembro de 2017, recebeu somente há um mês o aval da Prefeitura para acontecer.

Segundo o presidente da Reata Arquitetura e Engenharia, construtora responsável pelo processo da demolição, Jayme Leitão, o fato na época se deveu a uma dose de insuficiência na manutenção do prédio. "Alguns materiais do edifício tinham data de validade, como tudo tem. E esse prazo venceu. A água começou a penetrar ferros e corroê-los. Uma construção é como um carro: quando você não cuida você tem problemas", destacou.

Nova edificação

O Versailles vai dar espaço a uma nova edificação, o Excelsior. O edifício Amadeus, por ser vizinho do Versailles, entrou no desenrolar da trama. Também vai ser demolido e seus condôminos irão para um empreendimento localizado a um quarteirão de distância.

O dobro

A Reata garante: um apartamento no Excelsior valerá, pelo menos, o dobro que um no demolido, além da geração de empregos. O novo prédio terá 24 andares; os primeiros serão destinados às famílias que evacuaram o edifício antigo (estes terão 177 m²). "Essa foi uma bela solução imobiliária, pois ajudamos família que se encontravam numa situação dificílima. Vai ser um prédio muito bonito. O que estamos fazendo é criar valor imobiliário", ressaltou Jayme Leitão.

Três andares do Versailles já foram devidamente demolidos, tudo feito com base na tubulação interna do empreendimento. Não há prazo ainda para a conclusão da demolição, pois, como assegura Jayme, "todo o cuidado é pouco e fundamental mesmo é a segurança, ao invés da rapidez". O Versailles tinha sete andares, com um apartamento por andar.

"Tudo está sendo feito com cautela, pois os olhos da cidade estão todos voltados à esta demolição. É por isso que não temos pressa. Até porque toda essa situação serviu de alerta, para que pensemos na realidade de prédios que já tenham 50, 100 anos e que, mais dia, menos dia, vão precisar de manutenção", afirmou Jaime. A construtora Mendonça Aguiar, que construiu o Versailles há 34 anos, admitiu a responsabilidade pelo ocorrido. As famílias dos operários mortos em razão da falta de manutenção estão sendo indenizadas mensalmente pela empresa.

A Secretaria Regional II informa que, até o presente momento, não há nenhum registro de solicitação de autorização de demolição referente à matrícula do Edifício Versailles, situado à Rua Ana Bilhar, 88, no Bairro Aldeota. O prédio em questão é de propriedade particular e depende desse tipo de licença para executar a demolição. (Colaborou João Duarte)

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