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Edificações antigas não são monitoradas pelos Bombeiros

O Corpo de Bombeiros realiza, no momento, levantamento de quantos museus existem no Estado

01:00 · 04.09.2018
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O Museu do Ceará está em processo de desenvolvimento de projetos de restauro ( FOTO: NAH JEREISSATI )

O incêndio que devastou o Museu Nacional do Rio de Janeiro ativa um "despertar" para a situação dos espaços públicos locais, como ressalta o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBM). A instituição alerta para edificações tão antigas a ponto de não constarem no sistema de monitoramento do órgão.

De acordo com o tenente-coronel Wagner, o Corpo de Bombeiros realiza, no momento, um levantamento de quantos museus existem no Estado. No entanto, sobre a situação de equipamentos como o Museu do Ceará e o Espaço Estação (que abriga, de forma provisória, parte do acervo da Biblioteca Pública Menezes Pimentel e todo o material do Arquivo Público - ambos espaços em reforma), assim como números de certificações dentro da validade; últimas fiscalizações realizadas; e quantidade de hidrantes no entorno dos locais, a instituição apenas respondeu, via e-mail, ser "necessário fazer uma pesquisa no sistema para avaliar cada tópico solicitado".

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Prevenção contra incêndio é um pilar de segurança para qualquer edificação, aponta o tenente-coronel. "Temos uma legislação que obriga todas as edificações a possuirem a certificação do Corpo de Bombeiros. E essas edificações, por serem locais de uso público, além dos procedimentos básicos, precisam de um projeto de segurança contra incêndio".

"Como é um local de reunião de público, a evacuação é um dos grandes quesitos observados. Instalações elétricas, uso de extintores, acúmulo de material combustível. Tudo isso é verificado na vistoria", garante. Ainda segundo explica, equipamentos do tipo museus entram numa classificação estabelecida como de "risco leve" - o que requer a renovação da certificação de quatro em quatro anos.

Na avaliação do professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), Romeu Duarte, trabalhos simples de prevenção nesses equipamentos, mas realizados de forma periódica a cada seis meses, seriam medidas suficientes para evitar incêndios e demais acidentes envolvendo as estruturas.

"Proteger da chuva, de cupins - pois muitos desses locais são verdadeiras caixas de madeiras, facilmente digeridos por insetos- colocar produtos que impeçam a proliferação de pragas, tudo isso deve ser utilizado para que não precise se resolver o problema depois, com intervenções mais caras", comenta.

Situação similar à encontrada em boa parte do País, o especialista avalia que museus e demais equipamentos culturais cearenses são extremamente carentes de manutenção preventiva, sobrando problemas como, por exemplo, vazamentos e instalações elétricas que, de tão antigas, geram o risco de curtos-circuitos. "Não vejo investimento por parte da União, do Estado ou dos municípios no sentido de dotar esses equipamentos de condições mínimas de segurança para que sinistros não venham a acontecer. O que vemos são museus que são depósitos de objetos que não são trabalhados do ponto de vista museológico e sem as condições necessárias para que o acervo seja guardado de maneira adequada", avalia.

Fiscalização

A Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) informou realizar rotineiramente a fiscalização de intervenções no patrimônio histórico-cultural da cidade, mediante denúncias ou por busca ativa, sendo verificado se as obras, demolições ou outros tipos de alterações físicas em bens tombados ou em processo de tombamento estão autorizadas.

A Secretaria de Cultura do Estado (Secult) informou, por nota, que os equipamentos culturais do Ceará passam por manutenção contínua e possuem um plano de conservação, restauro e atenção de combate a incêndio. Segundo o comunicado, o Museu do Ceará e Theatro José de Alencar estão em processo de desenvolvimento de seus projetos de restauro, o que contemplará os itens de segurança.

A Pasta foi demandada sobre a periodicidade com que essas instituições são monitoradas, os principais problemas encontrados, assim como a execução da reforma da Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. O Departamento de Arquitetura e Engenharia do Ceará (DAE) reforça que os equipamentos em reforma já contam com projetos de Prevenção e Combate a Incêndio e Pânico. 

Acervos do ceará

Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel

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Em reforma desde abril de 2015, o investimento previsto para o equipamento foi de R$ 9 milhões. Atualmente, as obras estruturais já foram finalizadas, faltando apenas o espaço de ligação com o Dragão do Mar.

Arquivo Público

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O equipamento estadual se encontra em reforma desde outubro de 2015 e teve orçamento aprovado de R$ 2,17 milhões. Os reparos deveriam durar entre oito e dez meses, mas se estendem até agora. Assim como 40% do acervo da Biblioteca, o material do Arquivo Público se encontra no Espaço Estação, no Centro.

Museu da Imagem e do Som

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Com obras iniciadas em junho deste ano, a entrega estrutural do novo MIS está prevista para o segundo semestre de 2018. O orçamento garantido para os reparos, bem como da construção de um prédio anexo, gira em torno de R$ 15 milhões.

Museu do Ceará

Embora não esteja em obras, o Museu do Ceará teve projeto de Memorial de Incêndio assinado apenas em junho deste ano por um arquiteto. Há um proposta de reforma geral há mais de um ano, mas ainda não saiu do papel.

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