Academia Cearense de Letras

'É importante manter vivo esse ideal acadêmico'

01:00 · 17.08.2018
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O Chanceler da Unifor, Edson Queiroz Neto, saudou os outros homenageados da noite e a direção da Academia ( Foto: Thiago Gadelha )

A veneranda Academia Cearense de Letras completa hoje 124 anos de fundação, rejuvenescida e prestando inestimáveis serviços à nossa sociedade. É importante manter vivo esse ideal acadêmico e perpetuar essa tradição de pioneirismo cultural do Ceará, que floresceu no movimento abolicionista e desaguou na agitação do fim do século dezenove, quando surge a Padaria Espiritual. Não é de admirar, portanto, que os intelectuais cearenses tenham criado em 1894 a primeira Academia de Letras do Brasil, antecipando-se em três anos à iniciativa de Machado de Assis e Joaquim Nabuco, para fundar a Academia Brasileira de Letras no Rio de Janeiro.

> Academia Cearense de Letras celebra 124 anos 

Plantada por mãos hábeis, aquela semente germinou e tem produzido bons frutos em mais de um século. Exemplo de sua vitalidade se revela em ações como a da semana passada, exatamente, no dia 8 de agosto, quando a Academia Cearense, sob a batuta do presidente Ubiratan Aguiar, promoveu um fórum no Theatro José de Alencar, durante o qual reuniu em torno de si dezenas de academias, institutos científicos e entidades artísticas para alertar os governantes sobre a relevância da Cultura como ferramenta indispensável para o bom comportamento social e para o desenvolvimento humano.

Nasceu a Academia Cearense de Letras de uma dissidência da Padaria Espiritual, capitaneada pelos dois mais influentes intelectuais da época: o médico Guilherme Studart, conhecido com o título de Barão de Studart, e o bacharel em direito Thomaz Pompeu de Sousa Brasil, conhecido como Senador Pompeu. Ambos foram presidentes da Instituição que criaram e, como figuras excepcionais pela inteligência incomum, eles iluminaram a época em que viveram pelo seu carisma e pela robustez de suas obras históricas e científicas.

Em comemoração de sua data aniversária, a Academia Cearense de Letras acaba de conceder suas comendas honoríficas a quatro personalidades beneméritas. Com a Medalha Barão de Studart foram distinguidos Ana Maria Studart, Geraldo Luciano de Mattos Júnior e este orador, Edson Queiroz Neto. Já o doutor Lúcio Gonçalo de Alcântara foi agraciado com a Medalha Thomaz Pompeu, com a qual a Academia homenageia um de seus ilustres membros.

De nossa parte, como Chanceler da Universidade de Fortaleza, temos contribuído para a construção de uma sociedade mais justa e equilibrada, oferecendo educação superior para todos aqueles que almejam qualificação profissional. A Unifor está completando neste ano 45 anos de fundação, período em que mais de 100 mil pessoas obtiveram diplomas em cursos de graduação. Esse contingente expressivo exerce uma função transformadora na sociedade, pois cada graduado, como ramos de uma árvore frondosa, transfere para os indivíduos de sua convivência a seiva do conhecimento. Opera-se, dessa forma simples, o efeito multiplicador da educação no sentido universal.

A empresária Ana Maria Studart faz jus à Medalha Barão de Studart por dirigir, há doze anos, a Fundação Beto Studart de Incentivo ao Talento, sendo parceira e fiel apoiadora da Academia Cearense de Letras. Essa Fundação, tratada por ela com tanto amor e eficiência, beneficia mais de 20 mil pessoas através de entidades responsáveis por projetos sociais, culturais e educacionais que favorecem a geração de emprego e renda para suas famílias. O executivo Geraldo Luciano é reconhecido por sua consistente formação profissional, e foi agraciado com o Prêmio Equilibrista do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças. Sempre interessado em questões culturais, ele tem sido um elo para as parcerias da Academia com o Grupo M. Dias Branco, do qual é vice-presidente de investimento e de controladoria.

A concessão da Medalha Thomaz Pompeu ao doutor Lúcio Alcântara é um gesto de reconhecimento da própria Academia a um de seus mais ilustres pares, seja pelos altos cargos que exerceu na vida pública, seja por seus trabalhos humanísticos, seja pelo esforço em prol da Cultura. Ativo participante das entidades científicas e literárias, ele preside o Instituto do Ceará, é editor da Revista Scriptorium, da Associação Brasileira dos Bibliófilos, e membro do conselho consultivo da Fundação Waldemar Alcântara e coordenador de suas publicações.

Somos gratos - os quatro agraciados - ao ilustre corpo de acadêmicos que nos concedeu as medalhas e o saudamos na pessoa do nobre presidente Ubiratan Aguiar. Agradecemos as palavras, sempre bonitas e bem elaboradas, do orador desta solenidade, o professor e poeta Batista de Lima.

Minhas senhoras e meus senhores: a cultura libera as forças criativas da sociedade e sua aquisição atende à sede individual de conhecimento, à paixão do saber, e somente por ela nos desenvolvemos ao longo da vida. Mais do nunca, agora, temos a convicção de que a cultura se impõe como uma das condições para a sobrevivência econômica e política de um país. Obrigado.

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