Dois óbitos por calazar confirmados no Ceará - Cidade - Diario do Nordeste

EM 2007

Dois óbitos por calazar confirmados no Ceará

26.06.2007

José Leomar
Ao todo, já são 23 casos confirmados no Estado de uma doença que, ano passado, matou mais do que a dengue

Duas pessoas já morreram, este ano, vítimas da leishmaniose visceral, popularmente conhecida como calazar. A urbanização da doença tem preocupado os órgãos de saúde. Só em Fortaleza, conforme dados da Célula de Vigilância Epidemiológica, os casos aumentaram cerca de 522%, entre 2001 e 2006. De janeiro até agora, 23 pessoas no Ceará tiveram o diagnóstico de calazar confirmado, segundo o Núcleo de Epidemiologia da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).

Ano passado, o número de óbitos no Ceará por calazar superou a da dengue hemorrágica. Dos 683 casos confirmados, 29 resultaram em mortes, praticamente o dobro dos registros por dengue no mesmo período. Dos 29 óbitos, 16 foram em Fortaleza, que confirmou 193 casos da doença em 2006.

De acordo com Marcelo Nogueira, supervisor do Núcleo de Vetores da Sesa, Fortaleza serve de exemplo para demonstrar as mudanças registradas nas características da leishmaniose visceral, que deixou de ser apenas uma doença rural e invadiu as áreas urbanas. “O coeficiente de incidência, que era de 1,4 (por 100 mil habitantes) em 2001, aumentou para 8 em 2006”, cita.

O grande desafio do calazar, acrescenta, é identificar a localização do flebótomo, o mosquito que veicula a doença. Como ele se reproduz em ambientes úmidos e com matéria orgânica, pode estar hospedado no jardim de uma residência, por exemplo. “Agora, a presença do mosquito não significa que a doença exista. É necessário também um animal doente. Pois só depois de picar o animal contaminado, o mosquito pode transmitir a doença para o homem”, esclarece Nogueira.

Este ano, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Fortaleza já diagnosticou 1.800 cachorros com leishmaniose visceral. Em relação ao mesmo período do ano passado, são 600 casos a mais. O aumento, pontua Evanisa Alves Ventura, coordenadora do CCZ, é decorrente também de uma campanha realizada no mês passado nas Secretarias Executivas Regionais (SERs) I, V, VI. Em apenas uma dia, quatro mil exames foram realizados.

Nogueira ressalta que as Secretarias de Saúde não recomendam qualquer tipo de tratamento para o cachorro infectado. “Essa possibilidade já foi apontada no País, mas o animal fica sadio apenas aparentemente. Ele não deixa de ser reservatório do protozoário. Então, como não existe ainda medicamento para controlar o vetor, a única saída é sacrificar o cachorro”, alerta.

Em maio, segundo Evanisa, 441 cachorros com calazar foram sacrificados em Fortaleza. Número superior a média, já que por mês o CCZ costuma sacrificar cerca de 100 animais, vítimas de outras doenças também. No caso do calazar, o cachorro apresenta emagrecimento, queda de pelos e crescimento exagerado das unhas.

Em caso de suspeita o animal pode ser levado por seu dono para realizar o exame em unidades distribuídas nas seis Regionais. Já para recolher o animal, o próprio CCZ deve ser acionado. A área de Fortaleza mais preocupante, destaca Evanisa, é a SER III, que congrega bairros situados no entorno do Rio Maranguapinho.

Segundo Nogueira, a principal medida preventiva é garantir um animal sadio. Para isso, explica, existem coleiras no mercado com substâncias repelentes. Além disso, é recomendado o uso de telas nas janelas e canis e evitar que o cachorro saia das 4h30 às 7 horas e das 17 às 19 horas, horários em que o mosquito costuma atacar.

Mais informações:
Alô Saúde da Sesa
0800.85.1520
Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Fortaleza
(85) 3131.7846

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