conscientização

Doe de Coração amplia número de transplantes

Drauzio Varella participou da abertura da campanha que incentiva a doação de órgãos no Estado

O Chanceler Edson Queiroz Neto, a vice-presidente da Fundação Edson Queiroz, Manoela Queiroz Bacelar, Renata Queiroz Jereissati, Drauzio Varella e a reitora Fátima Veras, durante a solenidade no Campus da Unifor ( FOTO: THIAGO GADELHA )
01:00 · 06.09.2018

Um ano antes do início da campanha Doe de Coração, em 2002, a Central Estadual de Transplantes do Ceará registrou 297 procedimentos cirúrgicos. No primeiro ano do projeto, o número saltou para 420 - aumento de 41%. Desde então, o Ceará vem crescendo e se tornando referência em transplantes de órgãos e tecidos no Brasil. Em 2018, até o dia 3 de setembro, já foram registrados 954 procedimentos.

O resultado do Movimento Doe de Coração, da Fundação Edson Queiroz, se converte em vidas salvas através da doação de órgãos e tecidos. A 16ª edição da campanha foi lançada oficialmente, na noite de ontem, pela vice-presidente da Fundação Edson Queiroz, Manoela Queiroz Bacelar, e pelo médico cancerologista Drauzio Varella, em solenidade aberta ao público, no Campus da Universidade de Fortaleza (Unifor).

Alunos da Unifor e de instituições públicas lotaram a Praça Central do Campus da Universidade para ouvir a palestra ministrada por Drauzio Varella. No seu discurso, ele reforçou a importância de informar a família o desejo de ser um doador de órgãos. O médico também explanou sobre o cenário mundial de transplantes.

Durante a solenidade, a médica, escritora, cordelista e professora titular de Medicina da Unifor, Paola Tôrres, apresentou um sarau literário com cordéis de sua autoria, permeados por músicas que têm como inspiração o movimento armorial, criado pelo escritor paraibano Ariano Suassuna. Ela também comentou trabalhos realizados com Drauzio Varella.

Conscientização

A vice-presidente da Fundação Edson Queiroz, Manoela Queiroz Bacelar, explicou que a fácil comunicação com o público foi um dos aspectos que motivou a Instituição a convidar Drauzio para a abertura da campanha.

"Nestes últimos 16 anos, o Ceará mais do que sete vezes aumentou o número de doações de órgãos. A cada edição, a campanha consegue comunicar mais e melhor a importância da conscientização da doação. É um ato de amor para com o outro. Gera esperança", destacou a vice-presidente da Fundação.

Por meio da parceria firmada com hospitais públicos e particulares, o Movimento Doe de Coração envolve principalmente veiculação de anúncios em jornais, portais de notícias, rádios e emissoras de televisão, além de distribuição de folders, cartazes e camisas para funcionários das empresas do Grupo Edson Queiroz, a fim de mobilizar e solidarizar os colaboradores para a campanha. O objetivo é alcançar e impactar o maior número de pessoas a fim de otimizar a doação de órgãos. Idealizada pelo chanceler Airton Queiroz, falecido no ano passado, a campanha Doe de Coração acontece desde 2003, sempre em setembro, mês já conhecido pelo estímulo à doação em todo o Brasil, com o objetivo de encorajar as doações de órgãos no Estado do Ceará.

Entrevista com Drauzio Varella*

"A gente não sabe se vai precisar de transplante daqui a uma semana"

Como se situa o Ceará em relação aos transplantes?

Nós temos uma falta crônica de órgãos para transplantes. Pelo tamanho do País, temos um número reduzido de equipes. Isso faz com que alguns estados não tenham estrutura para transplantar ninguém. O Ceará é um dos mais bem equipados para transplantes. Você se reflete no número e nos resultados. Equipes preparadas. Gente que estudou fora. Trabalha nessa área por dedicação exclusiva ao assunto.

O que falta para a doação se tornar um hábito?

Conheci um centro de transplantes em Madri e outro em Barcelona. Os espanhóis possuem os melhores resultados entre o número de órgãos doados em relação à população. É exemplo no mundo. O que eles fizeram lá? Primeiro fizeram um Centro que coordena todos os transplantes no País. Segundo, fizeram centros regionais. Os hospitais públicos colocam um plantonista responsável pelos transplantes. Quanto representa isso para um hospital público lá? Nada, praticamente.

Em 20 anos, criamos esse programa nacional de transplante que é um dos maiores do mundo. Vai nos Estados Unidos fazer um transplante de fígado para ver quanto vai custar. Aqui é de graça. Nós avançamos muito. As filas ainda são grandes. Muita gente morre antes do transplante.

Qual o papel das universidades na conscientização?

A universidade é quem congrega a inteligência do País. Estamos em uma situação no Brasil, quando você considera o Sistema Único de Saúde (SUS), em que temos o maior programa de transplantes gratuito do mundo. Não existe nenhum país em que você faça transplante gratuitamente no número que o Brasil faz. É um programa que precisa ser mantido. A sociedade civil tem que encarar a doação de órgãos como uma responsabilidade dela. Não é um problema do Estado, é um problema das sociedade brasileira. A gente não sabe se vai precisar de transplante daqui a uma semana ou um ano. Temos que nos mobilizar, de ter consciência de que o Estado não vai resolver sozinho.

*Médico cancerologista

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