LIMITAÇÕES

Doação de plaquetas ainda é desafio no CE

02:01 · 14.12.2011
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Por mês, há apenas 60 doações de plaquetas no Hemoce e 30% dos interessados se submetem ao procedimento
Por mês, há apenas 60 doações de plaquetas no Hemoce e 30% dos interessados se submetem ao procedimento ( ALEX COSTA )
Muitas pessoas não se encaixam nos critérios do Ministério da Saúde, como não ter tatuagem há menos de um ano

Embora seja um fator fundamental para motivar as pessoas a doar sangue, o desejo de ajudar o próximo, em determinados casos, não é suficiente para levar o auxílio necessário àqueles que precisam de apoio.

Por razões que variam do peso insuficiente à ausência de veias grossas, muitas pessoas que procuram o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) para doar plaquetas não realizam o procedimento, fazendo com que exista uma demanda urgente por doadores que se encaixem no perfil.

Após chegar ao hemocentro, interessados em doar plaquetas passam por um processo de triagem durante o qual são usados os mesmos critérios para a doação de sangue, envolvendo, por exemplo, estar saudável e não fazer uso de determinados tipos de medicamentos. Os doadores precisam, também, ter veias grossas que lhe permitam passar pelo processo, durante o qual as plaquetas são extraídas do sangue do doador.

Segundo a enfermeira Amanda Oliveira, apenas uma média de 30% dos interessados em doar plaquetas chegam a se submeter de fato ao procedimento. Por esse motivo, existe uma demanda significativa por doações, agravada pelo baixo o número de pessoas que procuram o local. Por mês, informa, há uma média de 60 doações.

A situação é mais grave, complementa, visto que as plaquetas só podem ser utilizadas em um prazo de cinco dias, após os quais têm de ser descartadas. "A nossa demanda é muito grande, então todas são utilizadas".

A falta de plaquetas poderia ser amenizada, caso houvesse mais doadores. "Hoje, nós temos (em hospitais) três pacientes muito graves que precisam de doações", frisa.

Em determinados dias, afirma Amanda, menos de cinco pessoas doam plaquetas no hemocentro, o que torna mais delicada a situação de portadores de leucemias e doenças que geram a deficiência de plaquetas.

Esperança

Na manhã de ontem, todavia, a sala onde é feita a coleta teve uma movimentação distinta do usual, sendo visitada por dezenas de amigos e familiares da advogada Tainah Picanço, 28 anos. Diagnosticada como portadora de leucemia, Tainah é uma das pacientes que hoje aguarda a doação de plaquetas.

Segundo o marido, Felipe Martins, após o diagnóstico, a família se mobilizou para conseguir o maior número de doações. Até o início da tarde de ontem, cerca de 50 pessoas foram ao hemocentro doar para Tainah. Entretanto, apenas cerca da metade pôde doar, devido aos critérios e restrições.

Os motivos para a impossibilidade foram variados. Uma das pessoas que se mobilizaram para doar, a empresária Evelyn Corrêa não pôde fazer a doação, porque sua pressão arterial estava abaixo do recomendado. Já o administrador Thiago Ratts só pôde doar sangue, por conta da ausência de vasos calibrosos.

Diante das dificuldades em se encontrar doadores efetivos de plaqueta, é importante que as pessoas, ainda que não conheçam pacientes que precisam de ajuda, procurem o hemocentro. Amanda Oliveira explica que aqueles que doam uma vez podem escolher fazer parte do cadastro de doadores voluntário.

Critérios

Entre as pessoas que não podem doar sangue ou plaquetas estão as que fazem uso de determinados tipos de medicamentos, possuem doenças transmissíveis pelo sangue, fizeram tatuagem a menos de um ano ou usam piercing a menos de 12 meses.

Outra limitação diz respeito a homens que tiveram relação sexual com outros homens nos últimos 12 meses também não podem doar. De acordo com a diretora técnica do Hemoce, Ana Paula Moreira, esta restrição se deve ao entendimento do Ministério da Saúde - órgão responsável por determinar todos os critérios de doação de sangue e plaquetas - de haver maior incidência de doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids e a sífilis, entre homens que mantiveram relações sexuais com outros homens.

JOÃO MOURA
REPÓRTER

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