entrevista com Rui Aguiar*

Dificuldade de adentrar lares agrava situação

00:00 · 19.09.2016

O que pode ser apontado como "justificativa" para este cenário?

Isto não tem haver apenas com questões culturais, são também as desigualdades sociais. Há uma dificuldade das famílias em serem protetoras. A negligência, claro que é responsabilidade dos pais, mas em muitos casos a negligência está relacionada a ausência de políticas públicas focalizada na área. Como em casos em que crianças ficam tomando conta de outras crianças, é nosso papel diante destas ocorrências, pensar o que levou essa família a esta situação.

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Por serem violações que costumam ocorrer, em grande parte, em ambientes privados há uma maior dificuldade de superação?

A principal dificuldade de proteção é porque essas violações ocorrem onde o estado "não pode entrar". E neste caso, o Estado até entra, mas a partir de estratégias de prevenção como as visitas domiciliares. A grande chave para evitar é mesmo a prevenção. São informações nas escolas, nos postos de saúde e nas próprias visitas feitas às famílias. É preciso um grande trabalho de comunicação para que não se chegue ao ponto extremo da destituição do poder familiar.

*Coordenador do escritório do Unicef em Fortaleza

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