Doenças Cardiovasculares

Dia Mundial Sem Tabaco terá corrida

O Dia Mundial Sem Tabaco ocorre, nesta quinta-feira, com atividades de conscientização na Av. Beira-Mar. A data instaurada pela Organização Mundial da Saúde terá como foco, em 2018, o tema "Tabagismo e Doenças Cardiovasculares"
01:00 · 29.05.2018

Direto ao coração. O que poderia ser uma referência ao Dia dos Namorados que se aproxima, é, na verdade, uma indicação dos efeitos do tabagismo no corpo humano. Nesta quinta-feira (31), o Dia Mundial Sem Tabaco será lembrado através de ações e campanhas em prol da saúde e da conscientização, e Fortaleza terá um evento organizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia no Ceará (SBC-CE).

A data instaurada pela Organização Mundial da Saúde terá como foco em 2018 o tema "Tabagismo e Doenças Cardiovasculares". "O impacto do cigarro é grande em relação às doenças respiratórias, porque o pulmão é o primeiro órgão a sofrer com a inalação da fumaça e dos produtos nocivos do tabaco. Mas o coração também é muito acometido, e as doenças cardiovasculares são as que mais matam", explica Penha Uchoa, coordenadora da comissão de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

Com o objetivo de incentivar a prática de atividade físicas e o engajamento em um estilo de vida saudável, a SBC-CE promoverá uma corrida a partir de 6h na Avenida Beira-Mar, no dia 31. O percurso de ida e volta começa no Boteco Praia e vai até a Praça dos Estressados. Ao todo, serão 4 quilômetros percorridos. Para efetuar a inscrição, interessados devem ligar para o número 3246-6990. Os 150 primeiros inscritos receberão uma camisa especial do evento, e todos os participantes receberão medalhas no final.

"É a primeira vez que fazemos a ação na Beira-Mar, nesse formato", explica Ana Lúcia Ramos, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Cardiologia no Ceará. "Das outras vezes, o que a gente costumava fazer eram ações educativas, mostrando os componentes do cigarro em escolas. Como é uma campanha de combate ao tabagismo, a gente trabalha mais a educação, com entrega de materiais para alunos. Mas todo ano nós fazemos alguma atividade", afirma. Segundo Ana Lúcia, a prática de exercícios físicos contribui para o combate às doenças cardiovasculares, além de ajudar o paciente a parar de fumar.

Tratamento

Como parte de um conjunto de ações voltadas para o tratamento de fumantes, o Hospital de Messejana mantém o Programa de Controle do Tabagismo. Uma vez inscrito, o paciente em potencial passa por uma triagem médica que avalia sua condição clínica, o perfil do tabagismo e há quanto tempo o paciente fuma, além de verificar a presença de quaisquer doenças associadas ao tabagismo e checar se há alguma contraindicação às medicações que serão utilizadas durante o tratamento.

O grau da dependência tabágica também é avaliado, através de um questionário. O Hospital de Messejana verifica ainda o possível grau de ansiedade ou depressão do paciente, uma vez que tais patologias são comuns entre os fumantes. As informações colhidas servem para nortear o tratamento.

"Durante essa triagem inicial, é importante também verificar qual a motivação do indivíduo para parar de fumar, se ele realmente está preparado para fazer isso. O processo de parar de fumar passa por etapas, por estágios de motivação", revela Penha Uchoa, também pneumologista do Hospital de Messejana.

"Às vezes a gente recebe um indivíduo em uma etapa que ele pensa que tabagismo não é doença, por nada ter acontecido ainda. Ele não está preparado para parar de fumar. Na etapa seguinte, ele admite que o tabagismo é uma doença, mas ainda não está pronto para parar, ele só considera a possibilidade. Por último, o indivíduo está totalmente preparado. Tudo tem suas exceções, mas a etapa preferencial para passar pelo tratamento é a última", diz a pneumologista.

Abstinência

Cerca de 150 pessoas são atendidas hoje pelo Programa de Controle do Tabagismo, e o resultado é positivo: a taxa média de abstinência anual dos pacientes é em torno de 45 a 47%.

De acordo com os dados mais recentes divulgados pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, em 2016, 5,7% dos adultos beneficiários de planos de saúde em Fortaleza eram fumantes.

"O paciente que fuma tem cinco vezes mais chances de ter infarto. Quando a pessoa deixa de fumar, em um ano, caem em 50% as chances de infarto, e de 2 a 3 anos, essas chances zeram", explica Ana Lúcia. Segundo ela, em Fortaleza, o tabagismo tem diminuído com o tempo, e a prevalência maior é em homens.

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