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Dessalinização é desafio; governo licita em maio

01:00 · 25.04.2018
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Cerca de 400 dessalinizadores para tratar água de poços foram implantados pelo Estado. A água salobra é presente entre 40% a 60% dos poços do Ceará ( FOTO: KID JR )

O Estado vem buscando diversas alternativas para o consumo de água para os cearenses. Com o intuito de discutir ações de segurança hídrica, pesquisadores, empresas e gestores públicos apresentaram experiências com a temática "Dessalinização, Tratamento e Reúso de Água e Efluentes" no Hotel Oásis Atlântico, na manhã de ontem. Sobre os avanços do Estado, o titular da Secretária de Recursos Hídricos (SRH), Francisco Teixeira, declarou que as empresas do projeto de dessalinização da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) devem ser licitadas até o fim de maio e as obras devem começar no segundo semestre deste ano.

"Foram encomendados estudos de dois consórcios que venceram a primeira parte do processo licitatório. Esses estudos devem ser recebidos em maio pela Cagece. Escolhendo a melhor alternativa, uma licitação sairá já esse ano. O governador quer ainda neste ano o início do projeto da Cagece. Nossa perspectiva é fazer no segundo semestre", explicou o secretário da SRH, Francisco Teixeira.

Marcelo Bueno, diretor da Associação Latino-americana de Dessalinização e Reúso de Água (Aladyr), destaca que o Ceará tem um bom parque tecnológico, mas que é a implantação deixa a desejar. "Eu destaco o Ceará à frente na questão de tecnologias, não tanto em implantação, mas por já está pesquisando e avançando com projetos e estudos nessa área de dessalinização de água do mar e aplicação de membranas de água potável".

Conforme Bueno, as empresas que atuam no setor de tecnologia sentem que falta gestão do poder público. "Falta um pouco mais de conhecimento para tomar ações mais contundentes. Hoje mesmo, no seminário, vimos que não existe uma legislação vigente para regulamentar, por exemplo, os descartes que saem das estações de tratamento do mar e outros pontos importantes. Eu vejo essa situação ruim e pouco em aberto".

Novos sistemas

No Ceará, segundo Francisco Teixeira, o projeto de dessalinização da Cagece com água do mar deve abastecer com até dois metros cúbicos por segundo de água a Região Metropolitana, cerca de 25% da demanda. "Temos implantando, só neste governo, cerca de 400 dessalinizadores para tratar água de poços. A água salobra é presente entre 40% a 60% dos poços do Estado. O projeto é uma planta de 1 m³/s, podendo chegar a 2m² na segunda etapa de geração de água".

Outra alternativa em andamento é a criação de sistemas de dessalinização em comunidades do Semiárido. Ricardo Marques, coordenador do Programa Água Doce no Ceará pela Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), destaca que a meta do Governo é de 270 equipamentos.

"Hoje, temos 248 sistemas. Vamos licitar 29 agora. Desse total, nós temos 225 funcionando. Existem 23 que estão esperando a Enel levar energia. Quando termina a construção é preciso pedir a ligação. A Enel vai lá e faz um levantamento para saber se precisa de um transformador novo. Eles têm atendido fielmente, tanto que ligamos 223 sistemas. O sistema sai por cerca de R$130 mil por equipamento, com manutenção e trabalho humano".

O diretor do Departamento de Revitalização de Bacias Hidrográficas e Acesso à Água do Ministério do Meio Ambiente, Renato Saraiva Ferreira, explica que existe um convênio com o Ceará desde de 2012 com orçamento de R$50 milhões para compra de equipamentos de dessanilização.

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