Crianças pedem dinheiro na rua junto com os pais - Cidade - Diário do Nordeste

EXPLORAÇÃO

Crianças pedem dinheiro na rua junto com os pais

02.12.2005

Miguel Portela
“Me dá uma ajuda”, “uma pratinha”, “uma merendinha”. Com estas frases muitas crianças ficam na rua para aumentar a renda adquirida pelos pais com as esmolas. Em parte dos casos, são acompanhados principalmente pelas mães ou vizinhas, passam o dia em um local da cidade escolhido pelo adulto e não estudam. Há também aquelas que saíram de casa, trocam o que apuram por drogas como crack e loló e moram na rua.

É o caso de N., 13 anos. Ele “pastora” carros, pede esmola e pede comida a um restaurante da Aldeota, onde costuma estar. “Gosto de pedir dinheiro”, diz. Mas Raimunda Nonato, que conhece a família de N. conta que o dinheiro é usado para comprar loló.

“A mãe dele não aceita. Por isso ele prefere viver na rua. Ele já passou uns tempos na minha casa, mas um dia a polícia esteve procurando por ele, aí não deu mais para dar abrigo”, conta.

Raimunda tem dez filhos e também costuma pedir dinheiro próximo à Igreja da Paz, na Aldeota, junto com outras mulheres e crianças que, nos horários mais “fracos” ficam descansando em colchões dispostos no cruzamento das ruas Marcos Macedo e Visconde de Mauá.

Ela diz que vê muitas crianças pedindo mas “os meus eu não deixo”. Essa desculpa é comum a outros adultos, como é o caso de Maria Neide Santos da Silva, que todos os dias pede esmolas com os quatro filhos mais novos próximo em um cruzamento da Praça da Bandeira, perto da Faculdade de Direito, no Centro.

No entanto, uma das filhas, de seis anos, aborda os carros, já imitando a mãe. “Eles me vêem pedindo e pedem também”, justifica a mãe. Maria Neide diz que os filhos menores não ficam em casa porque o marido, desempregado, não para em casa.

Já os quatro filhos mais velhos estudam e tem uma outra filha mais velha, de 23 anos, que mora com ela e tem dois filhos. “O que salva é a bolsa-escola dos que estudam. Ano que vem a menina de seis também vai estudar. Na rua tiro pouco dinheiro”.

Para o comerciante Gilson Carvalho é a sociedade que mantém as pessoas pedindo esmolas. “Se ninguém desse não tinha gente no meio da rua”.

Os educadores sociais estão tendo dificuldade em atingir essa parcela da população. Uma das mulheres de rua abordadas pelo Diário do Nordeste diz que as crianças se escondem quando eles vêm. O desafio, para 2006, é aumentar o número de educadores sociais e trabalhar com uma verba reduzida.

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