Ancuri

Criança de 4 anos morre após cair em fossa de creche

Além dela, outras três crianças ficaram feridas quando brincavam sobre a fossa da instituição de ensino

01:00 · 24.05.2018 por Nícolas Paulino - Repórter
Esgoto
Vizinhos correram para a frente do local, e um homem chegou a pular o muro para prestar os primeiros socorros e resgatar as crianças sobreviventes. O Corpo de Bombeiros chegou meia hora depois do afundamento de Hannah ( FOTO: NATINHO RODRIGUES )

Um momento de lazer durante o recreio terminou em tragédia no Centro de Educação Infantil (CEI) Professora Laís de Souza Vieira Nobre, no bairro Ancuri, em Fortaleza, na manhã da última quarta-feira. Quatro crianças brincavam sobre a fossa coberta da instituição de ensino quando o cimento cedeu e elas caíram na água barrenta. Duas foram resgatadas com ferimentos leves e atendidas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas a terceira, de quatro anos, não resistiu e morreu no local.

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O incidente aconteceu por volta das 9h. Segundo informações coletadas no local do acidente, as três crianças corriam nos fundos da escola, onde ficam localizados os brinquedos e a fossa do imóvel, que tem cerca de dois metros de profundidade. Após a queda, Hannah Évelyn de Andrade Laranjeira prendeu o braço no anel do equipamento e ficou submersa até a chegada do Corpo de Bombeiros. Segundo os profissionais, a causa mais provável da morte foi afogamento.

Correram

Pais e mães de estudantes da creche denunciaram que, após se dar conta do ocorrido, a direção da unidade trancou os portões, impedindo a entrada de ajuda externa. Vizinhos correram para a frente do local, e um homem chegou a pular o muro para prestar os primeiros socorros e resgatar as duas crianças sobreviventes. O Corpo de Bombeiros chegou meia hora depois do afundamento de Hannah.

Além da decisão dos responsáveis pela escola, familiares dos alunos também criticaram as condições físicas do imóvel, que funciona numa antiga residência alugada pela Prefeitura de Fortaleza para o andamento do CEI. Conforme os responsáveis, já era sabido que parte do cimento que cobria a fossa estava rachado; que o telhado da casa possui diversos buracos, gerando goteiras em dias de chuva; e que algumas paredes dão até choques elétricos.

"As crianças têm pouco espaço para brincar, e o que tem ainda é perigoso. Isso não tem estrutura para ser uma escola!", reclamou uma mulher que não quis se identificar. "Agora, nós vamos ter que pagar colégio particular para não acontecer isso? Onde é que estavam os professores?".

"Esse colégio tem que ser fechado, agora. Ficar com uma fossa aberta com um monte de crianças? Não pode", desabafou a costureira Cleide Andrade, tia da criança. A mãe de Hannah não quis ceder entrevista. Profundamente abalada e chorando, ela deixou a creche amparada por amigas e familiares. Um rabecão da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) recolheu o corpo da criança por volta das 12h30.

Conforme informações da Sala de Situação da Secretaria Municipal de Educação (SME), o Centro de Educação Infantil (CEI) Professora Laís de Souza Vieira Nobre possui 254 alunos matriculados, ofertando vagas nas modalidades de creche e pré-escola nos turnos manhã e tarde.

Em nota, a Prefeitura de Fortaleza informou que determinou a apuração do fato internamente e que está acompanhando as investigações periciais e policiais. Ao mesmo tempo, lamentou profundamente o ocorrido e se solidarizou com a dor da família, considera "uma tragédia inaceitável, que merece a mais rigorosa apuração". Leia mais na página 4

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