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Criança com microcefalia espera leito de UTI há 13 dias

Em nota, a assessoria do Hospital afirmou que dispõe de 29 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), porém todos estão ocupados ( foto: thiago gadelha )
01:00 · 23.08.2018 / atualizado às 02:28

A longa espera por assistência médica nos hospitais públicos brasileiros é uma realidade recorrente na vida de muitas famílias. Essa situação fica ainda pior em quadros graves quando não se tem prioridade no atendimento em leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), assim como os pequenos João Henzo Sousa da Silva, 1 ano e 10 meses, e Maria Vitória Alves Brito, dois anos, portadores de microcefalia e encefalopatia crônica, respectivamente. 

Hoje, completam 13 dias desde que Sabrina Duarte de Sousa, de 21 anos e mãe de João Henzo, levou o filho ao Hospital Infantil Albert Sabin apresentando problemas respiratórios, agravados por conta de uma pneumonia. Durante esse período, a criança permanece na reanimação do hospital, espaço de estabilização de pacientes, esperando ainda sem sucesso por uma vaga na UTI pediátrica. 

Sabrina Duarte detalha que João Henzo passou por cerca de 12 convulsões decorrentes da pneumonia, estado que o fez ser levado ao centro cirúrgico, entubado e sedado sem que ela fosse informada pela equipe hospitalar. “Descobri três dias depois”, relembra a dona de casa.

A mãe ainda relata que durante esses dias foi informada de uma melhora na saúde do filho, infelizmente seguida de complicações adquiridas dentro do próprio hospital, como conjuntivite e quadro infeccioso. Atualmente a criança encontra-se sem previsão de alta, tomando antibióticos para tratar a ação de uma bactéria e com baixa atividade cerebral que, segundo informações repassadas para Sabrina pelos profissionais médicos, está comprometendo o funcionamento de órgãos como coração, pulmões e rins.

Tentativas

A moça já recorreu às diversas instâncias do local, indo várias vezes na direção e na ouvidoria, para tentar conseguir uma vaga na UTI. “Teve criança que chegou no mesmo dia e já entrou, e ele foi ficando”, desabafa Sabrina, analisando levar o caso à Defensoria Pública e esperar uma decisão judicial.

No mesmo local, Maria Auridenia Alves Pereira, de 22 anos, passa por um drama parecido com a filha Maria Vitória. A menina com paralisia cerebral e hidrocefalia – estado onde há acúmulo de líquido dentro do crânio – também chegou na reanimação do Albert Sabin por causa de pneumonia. A criança depende de ventilação mecânica desde o nascimento, também usando aparelho respirador em casa. 

Há dez dias a mãe vai e volta do hospital esperando notícias de melhora da filha para poder levá-la para casa. Auridenia relata que durante esse tempo já passou por situações complicadas no atendimento, chegando a passar por constrangimentos causadas por alguns médicos. “Tem uns que expulsam a gente da porta da sala de reanimação, porque a gente não tem lugar pra ficar, pra dormir”, afirma. “A gente fica na porta tentando saber alguma coisa, tentando ver o filho. Mãe quer estar perto”, justifica a mãe de Maria Vitória.

Tanto Sabrina quanto Auridenia contam que, ao conversar com médicos sobre um possível deslocamento de setor para os filhos, são informadas que pacientes em estado crônico não possuem prioridade por apresentarem tais distúrbios.

Procurada sobre os casos, a assessoria do Hospital informou que os pacientes estão sendo acompanhados por especialistas e apesar dos quadros serem graves, as crianças permanecem estáveis. “O Albert Sabin tem 29 leitos de UTI, sendo 14 pediátricos, sete oncológicos e oito pós-operatórios. Atualmente, todos estão com pacientes em terapia intensiva”, diz a nota. (Colaborou Sâmia Martins)

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