semana estadual de combate

Conscientização é a chave contra a hanseníase

A Prefeitura de Fortaleza e o Governo do Estado iniciaram, ontem, no Vapt Vupt da Messejana, a Semana Estadual de Combate à Hanseníase ( FOTO: NATINHO RODRIGUES )
01:00 · 22.05.2018

Embora tenha cura, a hanseníase ainda é uma doença que permanece marcada pelo preconceito e falta de conhecimento. Em 2017, aqui no Ceará, foram registrados 583 novos casos da doença bacteriana que afeta, principalmente, os nervos e a pele. Para encorajar os cidadãos a procurarem informação e atendimento nas unidades de saúde, a Prefeitura de Fortaleza e o Governo do Estado iniciaram nesta segunda-feira (21), no Vapt Vupt da Messejana, a Semana Estadual de Combate à Hanseníase. Todas as unidades de saúde de Fortaleza e pontos de grande fluxo de pessoas terão intervenções conscientizadoras, como palestras educativas, busca ativa de infectados e distribuição de material informativo.

De acordo com a assessora da área técnica da hanseníase da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Natália Régia Farias, a incidência da doença aqui no estado ainda é considerada alta. "A incidência ainda é muito alta em relação à hanseníase, mas não é por falta de conhecimento, é por falta de exame dos contatos de quem tem hanseníase. A gente só consegue quebrar essa cadeia de transmissão se os contatos com pessoas diagnosticadas com hanseníase forem examinados", ressalta a assessora, salientando que o contato não é só intradomiciliar, mas extradomiciliar também, como trabalho e faculdade.

Redução

De 2016 para 2017, o Ceará apresentou queda de 8,2% no registro de novos casos da hanseníase. Segundo Natália, o número, embora pequeno, é muito significativo e traz a importância de campanhas como a Semana de Combate: "Em 2016, tivemos 635 casos. A gente está trabalhando muito em palestras educativas, em informar a população e também em capacitar os profissionais de saúde. Quanto mais a gente sabe, mais a gente combate", disse. É o que também acredita a estudante de enfermagem Vanilda de Sousa, que foi ao Vapt Vupt da Messejana para participar da palestra informativa: "Acredito que na saúde, (a informação) faz toda a diferença. Sem o conhecimento, não somos nada, então caso alguém tenha ou venha a ter a doença, a população precisa dessa informação".

A possibilidade de tirar as dúvidas com a equipe de saúde e saber mais sobre o tratamento foi o que levou o também aposentado José Claudemir Maia, 60, que nunca tinha ouvido falar da hanseníase, a procurar o Vapt Vupt na manhã desta segunda para se certificar sobre os sintomas. "Achei uma boa ideia e pensei em procurar, porque as vezes você não é informado. A gente vem pra saber realmente o que tem, porque às vezes uma simples coisa se torna uma coisa grave", disse.

O aposentado Francisco Jorge da Silva, de 60 anos, foi diagnosticado com a doença já em estágio avançado, mas não tinha conhecimento do que era a hanseníase. Já com o movimento das mãos prejudicado e muitas feridas, o homem é exemplo de como a falta de informação pode levar ao diagnóstico tardio. Francisco Silva está fazendo o tratamento gratuito já há seis meses: "Estou tomando dois comprimidos de manhã, quando acordo. Agora, eu já consigo fechar as minhas mãos, não estou consumindo bebida (alcoólica), já fui melhorando". O tratamento, no caso dele, durará 12 meses.

Sintomas

Os sintomas da hanseníase, causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae, incluem o aparecimento de machas brancas, vermelhas ou amarronzadas pelo corpo, geralmente acompanhadas da perda de sensibilidade ao frio, calor, dor e tato, caroços e inchaços, algumas vezes doloridos e avermelhados, sensação de dormência e choque nas extremidades e perda de pelos e alteração na sensibilidade e secreção de suor.

A transmissão ocorre através do ar, por tosse ou espirro. A hanseníase tem cura, o tratamento é gratuito e, a partir do momento em que inicia o processo, o paciente já deixa de transmitir a bactéria.

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