Conjunto José Walter celebra 40 anos de muita história - Cidade - Diario do Nordeste

ANIVERSÁRIO

Conjunto José Walter celebra 40 anos de muita história

14.04.2010

O bairro dispõe de equipamentos públicos que contemplam a atenção à saúde, leitura e cultura

Quando inaugurado, há 40 anos, o Conjunto Prefeito José Walter era considerado o maior conjunto habitacional da América Latina, com 5.500 casas. Hoje, já são mais de 26 mil pessoas residindo no local, de acordo com o último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O bairro é arborizado, possui vários campos de futebol e lembra cidades tranquilas do Interior.

Um local bastante frequentado por quem vive lá e também no Mondubim é a Lagoa do Catão. Apesar de ser urbanizada, ainda recebe poucas intervenções de limpeza, percebem os coopistas que frequentam diariamente o espaço.

Quando a questão é saúde, os moradores do bairro e adjacências podem contar com o Hospital Distrital Gonzaga Mota do José Walter, o Gonzaguinha. Uma unidade de emergência que chega a receber cerca de 18 mil pessoas por mês.

Além do hospital, outro local de referência é o Centro Social Urbano (CSU). Lá, acontecem eventos organizados pelos moradores, como a Semana de Arte de José Walter. Com mostras de artes plásticas, música, cinema, teatro e poesia, o festival revela os talentos do bairro. Dali, já saíram nomes que são nacionalmente conhecidos, garantem representantes da organização.

O evento é esperado anualmente pelos alunos da Rádio FM Cultura 87,9, que é Ponto de Cultura da Prefeitura de Fortaleza, do governo do Estado do Ceará e do Ministério da Cultura (Minc).

Biblioteca

O CSU do José Walter é frequentado por mais de 300 pessoas diariamente e abriga também a Biblioteca Regional do Complexo de Cidadania Adauto Bezerra. No acervo, constam mais de 800 obras, entre livros didáticos e paradidáticos.

Ainda assim, alguns moradores reclamam que o CSU está funcionando de forma precária. E que a infraestrutura do local não é aproveitada. "Lá já foi um lugar de referência para a prática de esportes, folclore, escola de música. Funcionava o dia inteiro, hoje está abandonado", queixa-se Maria Lidiane Menezes, moradora do bairro.

Sem acompanhamento

Sobre o espaço, a assessoria de imprensa da Secretaria Executiva Regional (SER) V esclareceu que essas grandes estruturas foram construídas cerca de 30 anos atrás, não tendo um acompanhamento sustentável do projeto. Ainda de acordo com o órgão, existe uma proposta com a Secretaria de Direitos Humanos, as Regionais, a Secretaria de Juventude e a iniciativa Centro Urbano de Cultura, Ciência, Esporte e Arte (Cuca).

A ideia é construir uma política integradora de forma articulada com as Secretarias mencionadas, Regionais e Centros de Cidadania, transformando esses espaços num "braço" do projeto Cuca, amplificando a participação da comunidade nos processos educacionais e culturais.

Hoje, o número de moradias do Conjunto José Walter continua a crescer, assim como sua infraestrutura viária. No bairro, está sendo construída uma ponte de 40m, ligando a Avenida D à Avenida Valparaíso, Conjunto Palmeiras, passando pelo rio Cocó, além de uma via de três quilômetros de extensão.

De acordo com a Secretaria Executiva Regional V, as obras fazem parte da reformulação da malha viária da Capital e têm o objetivo de desafogar o tráfego na Avenida Perimetral.

As construções das avenidas foram escolhas da população, tendo como instrumento o Orçamento Participativo (OP).

MAIS INFORMAÇÕES

Caso você queira ver o seu bairro neste espaço, entre em contato pelo numero 3261. 5050 ou pelo e-mail aloredacao@diariodonordeste.com.br

Popular
Rádio Comunitária mobiliza moradores


Seja para pedir uma música ou ajuda, o telefone da rádio FM Cultura 87,9 não para de tocar. É que os moradores do Conjunto José Walter e adjacências, como Planalto Ayrton Senna, Novo Mondubim, Marcos Freire, Sítio Córrego, Cidade Nova, Maraponga, Serrinha, Parque Dois Irmãos, Itaperi, Tupã-mirim, Rosalina, Castelão, Sítio São José e Jangurussu são ouvintes assíduos.

Para o locutor François Paulino Júnior, a rádio desempenha uma grande função social, além de ser instrumento de informação e entretenimento para as comunidades do entono. Ao todo, são 32 bairros que recebem a frequência da rádio. "São mais de 30 mil moradias só no José Walter, aí você imagina nos demais! Funciona também como uma verdadeira central de achados e perdidos. Em dia de gincana, os comerciantes locais contribuem doando brindes para sorteios que mobilizam toda a comunidade", disse.

Manifestações
Celeiro de artistas de teatro, música e pintura


O músico Carlão do Crato, que dirige hoje, junto com seu pai, Júlio Pinto, um Ponto de Cultura no Conjunto José Walter, revela que, entre as décadas de 1970 e 1980, o bairro reunia uma grande quantidade de artistas importantes para a história do Estado do Ceará. Destaque para o grupo intitulado Fratura Exposta, que foi premiado em diversos salões de artes plásticas, como o Salão de Abril.

Boneco

O Bonequeiro Boca Rica, que tem suas "criaturas" hoje expostas em museus do Japão, Estados Unidos, França e outros, foi igualmente morador do bairro. Assim como o Poeta Oliveira, que tem mais de 40 músicas regravadas por músicos consagrados como Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo. A "Dama do Teatro Cearense", Antonieta Noronha, que participou do elenco da TVE, nos anos 70 também foi moradora do José Walter.

TRADIÇÃO
600 mil se reúnem nas festas juninas

Em todo o Estado acontecem, em média, 240 festivais profissionais de São João, de acordo com a Federação das Quadrilhas Juninas do Ceará. Mas é no bairro José Walter que a comemoração popular chega a reunir mais de 600 mil pessoas, segundo a organização do evento.

O Arraiá da Cumadi Chica, como é conhecido em todo o Estado, vai celebrar 37 anos de existência em junho próximo. Ou seja, três anos depois da inauguração do conjunto habitacional, a festa começava a mobilizar os moradores. E a cada nova edição, recebe um número maior de pessoas.

A festa começou no quintal da casa de Francisca Maia de Souza, a tão conhecida Cumadi Chica, que guarda fotografias desde o primeiro dia do evento. "Rapidamente, o São João ficou grande, tomando conta da rua. Os meninos faziam de mim ´gato e sapato´", relembra.

Hoje, as quadrilhas não são mais organizadas por Dona Chica, já que grupos do Nordeste inteiro pedem para comparecer ao festival que tomou grandes proporções, explica.

Há três anos, a festança acontece no polo de Lazer do Mercado do Conjunto José Walter, entre as avenidas J e N, na 2ª Etapa. No local, são armados camarotes, feira de artesanato, parque de diversão, barracas de comidas típicas, caipirinha e lanches variados. A organização garante, ainda, um espaço especialmente montado para as crianças que comparecem.

A ampla participação do público é também revertida em doação para várias entidades beneficentes. A cada ano, mais de dez toneladas de alimentos são arrecadadas e, posteriormente, distribuídas. Pelas ações de boa vontade, Cumadi Chica já foi agraciada com várias comendas e medalhas de reconhecimento de instituições cristãs.

Aproximadamente quatro mil pessoas participam dos bastidores do evento, que, além de contribuir para a manutenção do folclore entre as novas gerações, gera trabalho e renda.

Avaliação

Bom

Arborização
Todas as avenidas do bairro possuem árvores antigas. Figueiras, juazeiros, castanholas. O que termina causando uma sensação térmica muito agradável. Moradores do bairro dizem que a temperatura ali é mais amena e que os termômetros chegam a marcar em média 2 graus abaixo da temperatura de outras regiões da cidade

Mau

Centro comunitário
Moradores reclamam que o Centro Social Urbano (CSU) que atende o bairro está funcionando de forma precária, abaixo da capacidade. E que a infraestrutura do local não é aproveitada. A assessoria de imprensa da Secretaria Executiva Regional V respondeu que o local deve funcionar como braço do Cuca


Janayde Gonçalves
Repórter

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