BARRA DO CEARÁ

Comunidade realiza passeata pela paz

20:28 · 23.06.2007
( MIGUEL PORTELA )

Profissionais de saúde e comerciantes são os principais alvos da violência na comunidade, que saiu ontem às ruas

Chamar a atenção das autoridades e despertar na população a importância da criação de uma cultura de paz. Estes foram os principais objetivos da passeata realizada, na manhã de ontem, pela comunidade da Barra do Ceará. “A gente não pode ficar na porta de casa porque corre o risco de ser assaltada”, reclama Vanda Cabral, 53 anos, presidente do Conselho de Saúde. “As pessoas não estão conseguindo trabalhar direito”, desabafa, acrescentando que a segurança está defasada no bairro.

A passeata foi desencadeada devido a um assalto, à mão armada, ocorrido no interior do Centro de Saúde da Família Chico da Silva, no início deste mês. Desde o episódio foram realizadas várias atividades de conscientização dos moradores sobre a questão da violência. “O ápice foi a passeata”, explicou Eymard Bezerra, chefe do Distrito de Saúde da Secretaria Executiva Regional I.

Embora discorde da utilização de segurança armada, preferindo apostar na criação de uma cultura de paz, Eymard Bezerra disse que todas as unidades da SER I dispõem de homens armados. É que os profissionais de saúde estavam impedidos de trabalhar. “Entendo que a violência é uma questão social. Por isso, estamos discutindo com a comunidade”.

O comércio é um dos setores mais afetados, fazendo com que as pessoas trabalhem atrás de grades. Nos últimos meses, profissionais de saúde e da educação passaram, também, a ser alvo de ações violentas. Ana Cleide Lopes Rocha, coordenadora da Unidade de Saúde Chico da Silva, prefere apostar na sensibilização da comunidade. “É um trabalho difícil”, reconhece, admitindo ser contra a política de armamento.

Segundo a enfermeira, outro ponto importante é despertar nas pessoas a consciência sobre a utilidade do patrimônio público, citando o exemplo dos postos de saúde e das escolas. “Além da valorização pela vida, as pessoas precisam aprender a se apropriar do patrimônio material. Esses equipamentos fazem parte da também da vida da comunidade”, destacou.

Sucateamento

Muitas pessoas dependem desses equipamentos. “Até mesmo os autores de violência utilizam esses serviços”, alerta Eymard Bezerra. Conforme Ana Cleide Rocha, 90% da população quer que os serviços funcionem e apenas 20% contribui para a sua desarticulação”, avalia, chamando a atenção para o sucateamento de alguns. “A gente precisa de segurança e não de opressão”.

PROTAGONISTAS
População teme a violência


Oricélio Carneiro Araújo

"A violência é uma constante aqui no bairro. Vejo assalto todo dia na minha calçada e a gente não pode fazer nada. O jeito é trabalhar atrás das grades. Espero que, com a passeata, as autoridades atentem para o problema."

Marilene do Nascimento Coelho

"A violência não chega a atrapalhar o meu trabalho de agente de saúde, realizado de casa em casa. Chego a fazer 20 visitas por dia e passo por áreas de risco. As pessoas da comunidade me respeitam e não chego a ter medo."

Mais informações:

Centro de Saúde da Família Chico da Silva
3452 6643 - Ana Cleide Lopes

Secretaria Executiva Regional I
3433 6873 Juliana Girão

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