Atendimento

Com ambulâncias paradas, Samu aluga 8 veículos

00:28 · 19.07.2013
Reforço foi contratado para a Copa das Confederações; quatro veículos alugados ainda são utilizados

Pelas ruas é possível vê-los: veículos novinhos destinados ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) reforçando a frota já em circulação pela capital cearense. A medida tomada em relação a essas ambulâncias, no entanto, não parece ser a mais acertada para os servidores do órgão. Esses carros seriam alugados a custos elevados, em situação contraditória àqueles que se encontram sucateados em depósitos.

A garagem da empresa de ônibus CTC abriga 20 ambulâncias abandonadas. Segundo a SMS, são veículos que já não servem para uso Foto: Bruno Gomes

Na garagem da empresa de ônibus CTC, no bairro Cidade dos Funcionários, 20 carros se encontram abandonados. Um motorista socorrista do Samu, que não quis se identificar, afirma que, durante a Copa das Confederações na Capital, foram alugados oito veículos ao custo de R$ 40 mil cada. Passado esse período, o órgão continua utilizando o serviço de quatro, segundo ele. "Com certeza, se essa verba não fosse utilizada para pagar empresa privada, daria para ajeitar vários carros. Só com o aluguel dos oito, gastaram R$ 320 mil", comenta.

Além disso, o servidor ressalta que o governo federal repassa de recurso o valor de R$ 14,8 milhões para custeio da rede de ambulâncias básicas do Ceará e R$ 25 mil para carro de UTIs, valor que poderia, também, ser destinado à recuperação dos automóveis abandonados. "A porcentagem correta é de uma ambulância para cada 100 mil habitantes, de acordo com determinação do Ministério da Saúde. Éramos para ter 30 rodando por Fortaleza", diz. Hoje, na Capital, há 11 funcionando e sete esperando conserto em uma oficina.

Outro ponto abordado por ele é que a empresa responsável pelos veículos alugados, Easy Life Emergências Médicas, não permite que os socorristas do Samu dirijam os veículos e, por isso, os servidores destinados a este fim atuam com desvio de função. "Acabam atuando como um auxiliar de enfermagem ou maqueiro", destaca ele.

Outro servidor, que também não quis se identificar, alega que os motoristas dos veículos alugados não têm experiência e não estão aptos a conduzirem veículos de urgência. Além disso, reclama ele, essas ambulâncias possuem interior com teto baixo, o que dificulta o trabalho. "Não cabe uma pessoa em pé para o procedimento".

Frota

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o Ministério da Saúde reconhece que a vida útil de uma ambulância para atendimento é de três anos, e afirma que grande parte da frota é de doação ministerial. O Samu conta com 18 Unidades Suporte Básico, para a remoção de pacientes sem risco de morte; quatro Unidades de Suporte Avançado de Vida, para remoção de pacientes com risco de morte; e quatro motolâncias, para reconhecimento de área e início de atendimento de doente grave.

A Secretaria, no entanto, ressalta que 14 veículos são de 2010 e nove de 2012, já estando em solicitação a renovação dos carros de 2010, em virtude da demanda do dia a dia e da necessidade de reparos de maneira mais constante. Em geral, explica, a demora nos consertos pode ocorrer em virtude de avarias físicas, como colisões, ou por demora de peças próprias das marcas dos automóveis. Já em relação ao efetivo parado na garagem da CTC, a SMS explica se tratar de carros dos anos de 2004 e 2006, estando já condenados para uso e sem condições de reaproveitamento.

Sobre o aluguel dos veículos na Copa das Confederações, a Secretaria destacou a necessidade do reforço no período. O contrato dos aluguéis foi de um mês e vence nos próximos dias, quando a devolução do equipamento será providenciada.

A SMS explica, também, que os carros são alugados com motorista da empresa já preparados para a atividade, e os funcionários do Samu, que são motorista/socorrista, passam a atuar como socorrista, não havendo desvio de função. Esclarece, ainda, que os veículos com o teto mais baixo são usados, preferencialmente, para o Suporte Básico de Vida.

Por fim, a Secretaria afirma que recebe verbas das três esferas de governo para a manutenção do Samu 192 Regional Fortaleza, sendo destinado ao custeio do serviço. Somente para pagamento de funcionários são gastos cerca de R$ 800 mil.

Recurso de custeio aumentará 26%

O Ministério da Saúde anunciou, ontem, reajuste no recurso para custeio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no Ceará. Hoje, o valor investido é de R$ 14,8 milhões, e vai passar para 18,8 milhões. O incremento de R$ 3,9 milhões representa 26% de reajuste na verba, que é destinada à capacitação de profissionais e também à manutenção das equipes e equipamentos das unidades móveis do Samu.

Sete ambulâncias aguardam conserto na Capital. A demora nos reparos se deve a avarias físicas ou por demora de peças, explica a SMS Foto: Kléber A. Gonçalves

No Brasil a verba de custeio do serviço, que é repassada atualmente pelo Ministério da Saúde a Estados e municípios, terá um acréscimo de 19%. O montante passa de R$ 744 milhões ao ano para R$ 884,2 milhões, um incremento de R$ 140,2 milhões para toda a rede.

Já os valores para investimento nas Centrais de Regulação de Urgências serão reajustados em mais de 100%. A portaria com todos esses reajustes será publicada hoje, no Diário Oficial da União. A medida visa garantir atendimento rápido e eficaz à toda população.

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