em 12 meses

Centro de Fortaleza deve ganhar até 900 unidades habitacionais

Ação faz parte do eixo Habitação do Fórum Novo Centro e tem o objetivo de resgatar o caráter residencial do bairro

01:00 · 13.09.2018 por Theyse Viana - Repórter
CASA
Uma série de ações deve estimular a ocupação residencial ( Foto: Fabiane de Paula )

Para o fortalezense, em geral, o Centro da cidade é sinônimo de compras, lugar-de-tudo-barato. Por trás ou no alicerce desse senso comum, porém, reside outro sentido: o de um Centro-morada, que resiste entre os pontos comerciais. Com o objetivo de resgatar o caráter residencial do bairro, a Prefeitura de Fortaleza pretende viabilizar até 900 unidades habitacionais em um ano, por meio do Fórum Novo Centro, projeto de intervenções para o ordenamento da região.

De acordo com a Secretaria Municipal do Desenvolvimento Habitacional (Habitafor), responsável pela execução do eixo Habitação do Fortaleza 2040, têm sido realizadas, desde agosto, visitas aos imóveis com potencial para habitação de interesse social. "Para incentivar a criação de moradias, está sendo elaborado o Projeto de Lei do Retrofit, com incentivos fiscais para proprietários que queiram modificar seus prédios de escritório para residenciais. O Retrofit tem o objetivo de revitalizar antigos edifícios, preservando o patrimônio histórico, ao mesmo tempo em que permite a requalificação para novos usos", declararam a Habitafor e a Secretaria Regional do Centro (Sercefor).

As intenções de fortalecer o caráter residencial do Centro de Fortaleza já apareciam no chamado Plano Habitacional para Reabilitação da Área Central, hoje integrado ao Fortaleza 2040. Em 2009, o diagnóstico identificou 338 quadras da área central da Capital, com 23 áreas verdes, 36 imóveis considerados patrimônio arquitetônico, 10 equipamentos de saúde e cerca de 660 imóveis vagos ou subutilizados, dos quais um terço já tinham potencial para habitação.

Atualmente, segundo a Sercefor, o plano "está sendo atualizado para se adequar às diretrizes do Fortaleza 2040". Já o Novo Centro, em execução, deve ser efetivado num prazo de 12 meses, com "monitoramento de entidades de classe, moradores e sociedade civil".

Violência

Se pudesse ser ouvido e entregar ao bairro-berço tudo o que acha que precisa, o educador social Maurício de Sousa, que vive na mesma casa desde o primeiro dos 52 anos de vida, começaria pela segurança. "Não temos segurança, lazer nem o sossego de antes. O Centro morreu", lamenta, compartilhando com a comerciante Antonia Ferreira as mesmas rua - Princesa Isabel - e opinião. "A única desvantagem de morar aqui é a violência, à noite é deserto", lamenta, afirmando, porém, que se ignorados os problemas, "o local em si é bom, perto da praia, do comércio, de tudo".

O problema urbano é até reconhecido pela aposentada Luíza Araújo, 68, moradora da rua Castro e Silva há duas décadas, mas encarado como pequeno diante do afeto e do saudosismo pelo Centro. "A violência está em todo canto? A vantagem é que eu sou muito conhecida aqui. Só sinto falta da época em que não existia tanto comércio, que era mais famílias, todo mundo se conhecendo. Hoje, ninguém tem mais coragem nem se dá ao luxo de sentar na calçada", lamenta.

Videomonitoramento

Conforme a Sercefor, está prevista a instalação de 40 novas câmeras de monitoramento na região, "que serão somadas às 32 da Prefeitura já existentes e a outras 11 da Secretaria de Segurança Pública de Defesa Social (SSPDS)". Para fiscalização em tempo real, informa a Pasta, será implantada uma célula de videomonitoramento na área central.

O professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e membro do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, Eustógio Dantas, aponta o esvaziamento do Centro à noite e a insegurança como maiores causas da perda de peso do bairro como destino residencial. Como alternativa, o especialista sugere a intensificação da presença de edifícios residenciais na área.

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