Em 2017

Ceará teve 3ª menor incidência de Hepatite C

Tipologia é considerada a mais preocupante, pela possibilidade de causar complicações hepáticas graves

01:00 · 10.07.2018 por Renato Bezerra - Repórter

Em um ranking nacional, o Ceará ficou entre os estados com a menor incidência das principais hepatites virais no País em 2017. O vírus do tipo C, um dos mais preocupantes, atingiu 202 cearenses no ano passado, resultando numa taxa de 2,3 casos por cada grupo de 100 mil habitantes, acima apenas dos estados do Piauí (1,9) e Maranhão (1,8) e abaixo da média nacional, de 11,9 casos. Os dados são do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2018, do Ministério da Saúde (MS).

Em relação a Hepatite B, foram 170 casos confirmados no Ceará no mesmo ano, com taxa de incidência de 1,9 para cada 100 mil habitantes. Neste caso, o Estado ficou atrás da Paraíba (1,9), Piauí (1,8) e Rio Grande do Norte (1,6). A taxa nacional, por sua vez, ficou em 6,5 para cada 100 mil habitantes.

Já 22 pessoas no Estado tiveram o vírus do tipo A em 2017, o equivalente a taxa de incidência de 0,2 para 100 mil habitantes. Este também foi o 3º melhor índice do País, estando atrás dos estados do Espírito Santo (0,2) e Piauí (0,1), e abaixo da média nacional, de 1,0.

Mesmo com números abaixo da média do País, segue o desafio quanto a ampliação do diagnóstico e o controle das hepatites B e C, as mais preocupantes pela possibilidade de gerar graves complicações hepáticas, como a cirrose e o câncer hepático. Ao todo, 391 pessoas morreram no Estado em decorrência de complicações das duas tipologias, entre os anos de 2000 e 2016. Só no primeiro semestre deste ano, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) confirmou a morte de três pessoas por Hepatite C e uma por Hepatite B.

A ampliação da oferta de teste rápido para detecção das Hepatites B e C para todas as unidades básicas de saúde está entre as estratégias de atuação contra a doença no Ceará, segundo informa a assessora técnica do Grupo de Trabalho de IST, HIV/Aids e Hepatites Virais da Sesa, Nadja de Deus. "A gente espera com isso encontrar possíveis casos silenciosos da doença. Muitas pessoas têm o vírus e não sabem e elas precisam do diagnóstico para serem encaminhadas aos serviços de referência e serem tratadas. O vírus do tipo C é a segunda causa de transplante hepático no nosso Estado", afirma.

Tratamento

Apesar da gravidade, Nadja explica que o tratamento contra a Hepatite C é simples, com uso de medicamento via oral durante três meses, com chances de cura de 95% a 99%. Como medida de prevenção, conforme acrescenta, ela destaca a ampliação da vacina contra a Hepatite B, que desde o ano de 2016 abrange toda a população. No entanto, a assessora da Sesa faz o alerta para a baixa cobertura vacinal de adultos e idosos. "Por isso estamos intensificando essa oferta, orientando os municípios que abram os postos de saúde no 3º turno, para que o adulto que não consiga ir durante o dia vá em outro horário", comenta.

O modo de transmissão das hepatites pode ser por via fecal-oral, relacionadas ao vírus A e E, e pela via sanguínea e sexual, relacionadas ao vírus B, C e D.

As ações no Ceará atingem os 184 municípios, de acordo com a Sesa, e fazem parte da programação do "Julho Amarelo", em referência ao Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, 28 de julho.

 

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