resíduos sólidos

Ceará terá duas Centrais de Tratamento até o início de 2019

Os CTRs são soluções para 28 dos 178 municípios cearenses que ainda destinam o lixo inadequadamente

O 5º Seminário sobre Política Nacional de Resíduos Sólidos é uma realização da Arce, com promoção do jornal Diário do Nordeste ( FOTO: FABIANE DE PAULA )
01:00 · 22.05.2018 por Nícolas Paulino - Repórter

Duas Centrais de Tratamento de Resíduos (CTRs) devem ser implantadas no Ceará até o início de 2019, uma em Sobral e outra em Limoeiro do Norte. Após iniciarem as operações, os equipamentos beneficiarão as populações de 28 municípios (17 no primeiro consórcio e 11 no segundo), além de promoverem o encerramento de 29 dos mais de 300 lixões que o Estado tem atualmente. As informações foram dadas por representantes da Agência Reguladora do Estado do Ceará (Arce) durante o 5º Seminário sobre Política Nacional de Resíduos Sólidos, iniciado ontem na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza. O evento segue hoje.

O presidente da Arce, Hélio Winston Leitão, destacou que o CTR de Sobral está na fase de licitação da empresa que operará o consórcio. Já o de Limoeiro tem a construção "bem adiantada" e terá licitação de operação lançada, provavelmente, no segundo semestre deste ano. Alceu Galvão, analista de regulação da Agência Cearense, complementa afirmando que o intuito é iniciar os trabalhos "no primeiro semestre de 2019". "Será um grande avanço onde, antes, havia lixões. O Governo apostou nisso a partir de iniciativas das prefeituras, que vão chamar as empresas operadoras. A Arce entra na normatização e na fiscalização", explica Hélio Leitão.

Conforme Alceu Galvão, serão aplicados cerca de R$100 milhões nas Centrais. "Todo esse investimento foi pensado na gestão integrada, desde à 'rota marrom', que envolve os resíduos misturados, quanto à 'rota verde', que envolve a coleta seletiva e a reciclagem, com a participação dos catadores", detalha, lembrando que os CTRs são soluções de curto prazo para 28 dos 178 municípios cearenses que ainda destinam o lixo de forma inadequada. No Estado, atualmente, existem apenas sete aterros sanitários em operação, conforme levantamento da Secretaria das Cidades do Ceará.

Prevista para julho de 2018, um ano após a assinatura da ordem de serviço, a CTR de Sobral recebeu investimento de R$39,7 milhões, por meio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e contrapartidas do Governo do Estado. A área de 100 hectares, que beneficiará quase 430 mil habitantes, terá um aterro sanitário com capacidade de aterramento de quase dois milhões de toneladas de resíduos sólidos, além de unidades de compostagem, processamento de resíduos da construção civil e tratamento de resíduos de serviços da saúde.

Limoeiro do Norte

Já a CTR de Limoeiro é desenvolvida pela Secretaria das Cidades, por meio do Programa de Desenvolvimento Urbano de Polos Regionais, e vai receber recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Tesouro Estadual. A CTR inclui a construção de seis Estações de Transbordo (ETR) e vai atender aos 11 municípios do Consórcio Municipal para Aterro de Resíduos Sólidos (Comares-UL).

Outro projeto para resíduos citado por Hélio Leitão vem sendo desenvolvido pelo Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec), com o objetivo de instalar um sistema fotovoltaico para aplicações em áreas de aterros sanitários encerrados. Durante o dia, o sistema injetaria a energia produzida na rede elétrica e a empresa faria a compensação no consumo elétrico de escolas municipais, hospitais ou prédios públicos da Prefeitura e do Governo do Estado, por exemplo.

Atualmente, estuda-se a viabilidade de implantação no Aterro Sanitário Municipal Oeste de Caucaia (Asmoc). Caso o projeto se concretize, ele será o primeiro aterro do Brasil com esse tipo de inovação tecnológica. A proposta é captar o biogás gerado pelo aterro, purificá-lo e, depois, injetá-lo na rede da Companhia de Gás do Ceará (Cegás).

A Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela lei federal N°12.305 em agosto de 2010, proíbe a criação de novos lixões e determinava que, até 2014, todos os lixões deveriam ser eliminados, e que as prefeituras municipais construíssem aterros sanitários ambientalmente sustentáveis - prazos que não foram cumpridos pela maior parte dos municípios brasileiros, como explicou o ex-coordenador geral das Áreas de Integração Nacional e Meio Ambiente do Ministério de Transparência e Controladoria-Geral da União, Ricardo Plácido Ribeiro. Segundo o auditor, no País, a área ambiental é a que tem menos destinação de recursos.

Mesmo com a diminuição de recursos, o secretário de Meio Ambiente do Ceará (Sema), Artur Bruno, afirma que a expectativa é que em poucos anos o Ceará seja referência na coleta seletiva, na educação ambiental e na gestão integrada de resíduos sólidos. Segundo ele, um trabalho de educação ambiental será implantado a partir de 2019. "Estamos fazendo um trabalho com a Secretaria de Educação do Ceará (Seduc). Vamos levar para 720 escolas um grande programa de educação ambiental para que possamos ensinar as crianças desde a pré-escola a separar os seus resíduos sólidos e entender que é preciso reduzir o consumo e reciclar", revela.

Tecnologia

A Marquise, empresa que realiza a coleta de lixo em Fortaleza, afirma que tem buscado diariamente tecnologias que permitam o descarte de lixo sem perder a reutilização, segundo o diretor presidente de serviços ambientais da Marquise Ambiental, Hugo Nery. Atualmente, um dos sistemas usados em alguns pontos da cidade, como no Centro, são os contêineres subterrâneos, que, quando cheios, enviam uma notificação à Ecofor para serem descarregados. Dessa forma, não há o acúmulo de lixo.

"Além disso, estamos buscando tecnologias para energia renovável cujo valor de implantação se encaixe com a nossa capacidade de pagar, mas elas ainda estão em desenvolvimento", informa Hugo Nery.

O 5º Seminário é uma realização da Arce, com promoção do jornal Diário do Nordeste, Fundação de Cultura e Apoio ao Ensino de Pesquisa e Extensão (Funcepe) e Instituto Future. Tem ainda apoio institucional da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece) e apoio da Prefeitura de Fortaleza, da Enel Distribuição Ceará, da CDL Fortaleza e do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Ceará (Sinduscon-CE). Os patrocinadores são o Grupo Marquise, a Ecofor, o Banco do Nordeste do Brasil e a Indaiá. A organização é da Decora Eventos

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