inclusão

Ceará Moda Acessível premia três trabalhos

O Estado do Ceará tem 2,3 milhões de pessoas com alguma deficiência, segundo dados de 2015 do IBGE

O Concurso Ceará Moda Acessível foi realizado durante a programação do Festival de Moda de Fortaleza, no Maraponga Mart Moda ( FOTO: FABIANE DE PAULA )
01:00 · 25.04.2018 / atualizado às 01:30

A moda traz, consigo, algumas permissões. Para a deficiente visual Maria de Fátima Felix, nessa terça-feira (24) foi possível se sentir especial. "Quando eu experimentei, me senti uma boneca", imaginou. Ela e outros 14 modelos sentiram o frio na barriga da passarela do terceiro "Concurso Ceará Moda Acessível", realizado pelo Centro de Profissionalização Inclusiva para a Pessoa com Deficiência (Cepid), da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS).

O evento, realizado durante a programação do Festival de Moda de Fortaleza (FMF), no Maraponga Mart Moda, premiou os três melhores trabalhos, que consistiam em vestimentas adaptadas a pessoas que tenham alguma das deficiências prescritas no edital, divulgado pela Cepid em universidades que contenham cursos da área da moda.

Pedaços de calça que se juntam a velcro; blazer com uma abertura nas costas; peças com indicação da parte da frente e de trás. Elementos que resumem: modelar para portadores de alguma deficiência ainda é um verdadeiro desafio. Aleson Pinho participou do desfile na edição passada, enquanto estilista. Ele calcou o segundo lugar, à época. Nesta edição, trouxe duas peças: uma para um modelo amputado e uma para um cadeirante. Com o primeiro, alcançou o topo do pódio de 2018.

"É muito importante pensar nas peculiaridade de cada um deles. A moda ainda é muito preconceituosa. É muito pontual ver lojas que abracem o conceito inclusivo. Estou muito feliz. Valeu a pena cada minuto de costura", destacou o estudante de Design de Moda da Universidade Federal do Ceará (UFC).

O modelo Emilson Lopes sofreu um acidente de motocicleta há 6 anos, perdendo, em decorrência, parte da perna direita. Ele fez, no Cepid, curso de modelo e manequim. Levou para a passarela um modelo à base de velcro aos lados, adaptável à sua necessidade. Saiu vencedor.

As irmãs Elizabeth e Eliane Vaz, alunas do curso técnico em vestuário e modelagem do Senai, respectivamente, desenharam e confeccionaram juntas a peça de Robério da Silva, modelo cadeirante. "Ao fazer, nos colocamos no lugar dele", definem.

Regina Tahim, diretora do Cepid, garante que a iniciativa vem de dentro das aulas, quando eles incitam a moda em cursos. Além de Aleson Pinho, saíram vencedoras Giovana Costa, também da UFC e Daiane Melo, do Senai, em segundo e terceiro lugar respectivamente. Eles levaram o valor de R$2,500, R$1,500 e R$1,000. O prêmio foi pago pela Agência de Desenvolvimento Econômico e Social (Ades), parceira do evento.

"Meu modelo tem acesso nas laterais e uma possibilidade da aplicação de uma almofada, na parte das costas da cadeira de rodas. Tem elástico na cintura da calça e zíper nas mangas", explica Giovana, conquistadora do segundo lugar.

Felicidade

Para Daiane, que saiu com a medalha de bronze, há felicidade na espera que virou realidade. "Estou muito contente porque é a primeira vez que participo e já estou entre os vencedores". Sua peça tem um diferencial: ela é fitness. Um mercado que, segundo ela, ainda não está preenchido pela moda inclusiva.

O Cepid já profissionalizou cerca de três mil alunos em Fortaleza e conta com 8,3 mil cadastrados. Ainda na passarela, desfilaram, sem concorrer, a miss Plus Size Carol Melo, a miss Ceará, Teresa Santos, e o paratleta Henrique Gurgel. O Ceará tem 2,3 milhões de pessoas com alguma deficiência, segundo dados de 2015 do IBGE. Elas tiveram, durante toda a vida, que se adaptarem ao mercado da moda, quando a acessibilidade reforça: a moda é que deve se adaptar a eles. (Colaborou João Duarte)

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