PIONEIRISMO NO N/NE

Ceará inicia transplante de pulmão este ano

00:35 · 02.06.2008
O Hospital de Messejana começa, a partir da próxima quinta-feira, dia 5 de junho, a oferecer esperança de vida para os pacientes terminais de doenças pulmonares. Nesse dia, a instituição inaugura o Ambulatório Especializado em Pulmão e abre lista de espera para a realização de transplante do órgão, que deverá acontecer ainda este ano. O Hospital de Messejana coloca, assim, o Ceará como pioneiro nesse tipo de cirurgia no Norte e Nordeste. No Brasil, apenas a Santa Casa de Porto Alegre, o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), em São Paulo, e o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), realizam esse transplante.

Para disponibilizar o serviço, a unidade de saúde prepara sua equipe médica multidisciplinar há dois anos, inclusive com especialização de cirurgiões no Hospital Geral de Toronto, no Canadá, referência mundial nesse tipo de transplante. Além disso, relata, a diretora geral do hospital, Socorro Maia, iniciou licitação para a compra de equipamentos adequados.

A pneumologista e uma das integrantes da equipe médica do hospital, Cíntia Viana, explica que o paciente com indicação para transplante de pulmão tem doença pulmonar, em estágio avançado e cujo tratamento não responde mais aos medicamentos. Sua expectativa de vida com a doença gira em torno de dois a três anos e sua idade máxima, no geral, não deve ultrapassar 65 anos. Além disso, deve ter condições de se locomover e morar próximo ao centro de referência para tratamento prolongado.

O transplante é indicado para pacientes com enfisema pulmonar grave (relacionado com tabagismo); fibrose pulmonar avançada, além de hipertensão pulmonar e fibrose cística. A última é uma doença congênita que acomete mais crianças e adolescentes. São contra-indicados para transplante de pulmão pacientes fumantes e que apresentam coronariopatia, cirrose, insuficiência renal, hepatite aguda; infecção extrapulmonar; HIV e câncer.

O importante, salienta o chefe da equipe, Antero Gomes Neto, é que somente os pacientes que estão sendo tratados com medicação correta, são dependentes de balão de oxigênio e assim mesmo nada disso surte efeito é que poderão entrar na lista de espera. Por isso, o ambulatório somente receberá casos encaminhados pelos médicos, com diagnóstico definido e exames preliminares realizados. “A partir daí, esse paciente se submeterá a exames mais específicos, em clínicas terceirizadas, e ainda serão avaliados pela equipe multiprofissional do hospital´, diz.

Atualmente, como ainda não existe a cirurgia, a Central de Transplantes, coordenada pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), não atua na captação de pulmão. De acordo com a coordenadora de Enfermagem da Central, Eugênia Filizola, somente a partir da lista de espera aberta pelo Hospital de Messejana, é que a Central começará a atuar na doação.

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