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CE vive maior epidemia de arbovírus em 30 anos

01:00 · 14.07.2017 / atualizado às 01:06

Metade de 2017 passou e o Ceará já registra o pior cenário epidêmico de arboviroses - doenças transmitidas por picadas de mosquitos - desde 1987, ano em que o Estado registrou a primeira epidemia de dengue. Antes, a maior epidemia por arbovírus, em número de casos confirmados, havia ocorrido em 2011, quando a dengue contabilizou 56.818 ocorrências no território cearense. Agora, com reforços da chikungunya e da zika, o número de casos confirmados das arboviroses disparou para 64.597, conforme o último boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde (Sesa).

No primeiro semestre deste ano, as três doenças levaram à notificação de 157.693 casos, que correspondem a uma taxa de incidência de 1.759,2 casos por 100 mil habitantes. Há casos suspeitos em 182 dos 184 dos municípios cearenses, segundo a Sesa. Levando em consideração apenas a dengue, a taxa de incidência é de 679,8 casos para cada 100 mil habitantes. O número representa duas vezes o parâmetro da Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera nível epidêmico quando uma cidade ou região tem mais de 300 casos da doença para cada 100 mil habitantes.

No primeiro semestre de 2017, de acordo com o boletim da Sesa, 60.935 casos da dengue foram notificados no Estado; somente os municípios Pires Ferreira e Salitre não tiveram ocorrências. De todas as notificações, 14.487 evoluíram para confirmação, até o momento. Além disso, houve 74 casos de dengue com sinais de alarme e oito óbitos pela forma grave da doença.

A

Há 32 anos circulando no Ceará, o vírus da dengue causou sete grandes epidemias nos anos de 1987, 1994, 2001, 2008, 2011, 2012 e 2015, segundo a Sesa, períodos em que foram isolados quatro dos cinco sorotipos da enfermidade. Desde 2015, o potencial transmissor do mosquito Aedes aegypti foi ampliado pela chegada dos vírus da chikungunya e da zika, que tornaram a população mais suscetível às novas infecções.

Casos

A chikungunya, com taxa de incidência atual de 1.051,3 casos por 100 mil habitantes, contabiliza 94.235 suspeitas no Estado em seis meses, quase o dobro das notificações de todo o ano passado. Além disso, em um semestre, 50.068 pessoas tiveram diagnóstico confirmado, contra 31.482 nos 12 meses de 2016 - aumento de 59%. Por outro lado, o número de mortes pela doença não mudou e continua em 43, a exemplo da semana epidemiológica anterior.

A zika, na contramão das outras duas arboviroses, tem sido mais discreta, com 2.523 casos suspeitos notificados, 402 confirmados e 1.009 descartados. Das pessoas contaminadas, 38 eram gestantes, e 18 delas contraíram a doença na fase aguda, entre o primeiro e o terceiro mês de gestação, quando há maior risco para o desenvolvimento dos bebês.

Em Fortaleza, no primeiro semestre deste ano, foram notificados 27.060 casos suspeitos de dengue, o que representa taxa de incidência de 353 casos por 100 mil habitantes. No total, 9.009 casos foram confirmados, além de quatro óbitos. Outras 23 mortes permanecem em investigação, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Já a chikungunya levou à notificação de 44.530 suspeitas, com taxa de incidência acumulada de 1.309,9 casos por 100 mil habitantes. No primeiro semestre, 33.691 casos da doença e 33 óbitos foram confirmados.

Combate ao mosquito continua

Segundo Nélio Morais, gerente da célula de Vigilância Ambiental e de Riscos Biológicos da Prefeitura de Fortaleza, o período mais crítico de transmissão das doenças se deu entre abril e maio; agora, há tendência para declínio de casos no segundo semestre, por conta do fim do período chuvoso. "Mas ainda não é motivo para ficarmos confortáveis. A transmissão continua a ocorrer, só não com a mesma intensidade. O ideal é trabalhar agora", reforça.

Até 30 de julho, a Prefeitura deve operar dentro de um plano emergencial, com foco em visitas de agentes de endemias casa a casa e na atuação de carros fumacê, principalmente em bairros da Regional VI. A partir de agosto, deve entrar em vigor um plano de estabilidade, com incentivo da participação da população.

A nível estadual, em junho passado, o Governo instituiu incentivo de R$10 milhões para os municípios que atingirem os melhores resultados no enfrentamento às arboviroses. Para receber o recurso, cada cidade precisa elaborar e monitorar permanentemente indicadores que apresentem impacto na redução do número de casos das doenças provocadas pelo mosquito, de julho a dezembro de 2017.

Outras medidas adotadas pela Secretaria da Saúde incluem o investimento em equipamentos pulverizadores acoplados a veículos, em equipamentos portáteis de pulverização (bombas costais), na distribuição de rolos de telas de proteção e na capacitação de agentes de Controle de Endemias municipais.

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