matemática

CE tem tradição em prêmios nacionais

Vários medalhistas olímpicos tornaram-se pesquisadores no Departamento de Matemática da UFC

01:00 · 11.08.2018 por Lêda Gonçalves - Repórter

Se por lado, o Ceará melhorou e muito a proficiência em disciplinas como Língua Portuguesa e Matemática, há ainda, segundo pesquisadores um longo e árduo caminho a percorrer. Principalmente, apontam, o verdadeiro fosso existente entre escolas públicas e particulares e, mais contraditório ainda: dentro da mesmo escola, na mesma sala de sala, com mesmos professores, alguns alunos são destaques em Olimpíadas como a da Matemática e muito saem do Ensino Médio sem resolver questões básicas da disciplina.

Para educadores como professor titular do Departamento de Matemática da Universidade Federal do Ceará (UFC) e Cientista-Chefe do Estado em Educação Básica (Funcap/Seduc), Jorge Lira, o cenário parece paradoxal, mas passível de explicação. Segundo ele, a história da Matemática no Ceará está intimamente ligada ao Departamento de Matemática da UFC. "Desde sua instalação nos anos 1960, esse departamento alia a atenção à Educação Básica ao esforço heroico de realizar pesquisa de nível internacional", informa. Deste modo, começando com o precursor projeto Mirim, o departamento foi pioneiro nacionalmente na criação e coordenação de Olimpíadas de Matemática, iniciadas nos anos 1980; na divulgação científica (escolas de verão, coluna da matemática em jornais); e, mais recentemente, nos anos 2000, na criação e coordenação do projeto Numerativa.

Esse projeto, comemora, abrigou a primeira Olimpíada para escolas públicas de que temos notícia. "Nossa olimpíada foi, portanto, o embrião da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Ao mesmo tempo, temos vencido o desafio de manter nossa pesquisa em uma condição de excelência, mantendo colaborações internacionais e formando novos grupos de pesquisa em nossa região", explica.

Vários medalhistas olímpicos tornaram-se pesquisadores no Departamento de Matemática. É o caso, cita, do professor Antônio Caminha Muniz Neto, que compilou anos de ensino olímpico em uma majestosa coleção de livros publicados pela Sociedade Brasileira da Matemática e que formam boa parte da bibliografia do Mestrado Profissional de Matemática em Rede Nacional, um imenso programa de pós-graduação nacional voltado para a qualificação dos professores das redes públicas.

Entre os pesquisadores da instituição, já tem um ex-aluno da rede pública, natural de Milhã, medalhista da OBMEP. A tese de doutorado do professor Edson Sampaio, defendida na UFC, recebeu menção honrosa da Capes, por conter um dos maiores avanços recentes para a resolução de um dos mais difíceis problemas em sua área.

Olimpíadas, avalia o professor, ao contrário do que se propaga, não têm a ver com competição agressiva ou posturas elitistas. Têm a ver, sim, com uma autêntica inclusão social. "Trata-se de mostrar aos alunos do que são capazes, de fazer com que confiem no mérito de seus esforços. É o trabalho de empedernidos professores, invisível nos currículos e nas estatísticas, que explica o aparente paradoxo do brilho das medalhas no cenário ainda escuro do Ensino Médio".

Jorge Lira defende o uso das mídias digitais de modo efetivo e estruturado como poderosas ferramentas que complementem o livro-texto no ensino da Matemática. Para ele, cabe divulgar e adaptar para a realidade escolar o sem-número de aplicativos, tutoriais, vídeos, animações e demais recursos online.

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