CE é pioneiro em nova técnica para cura de arritmias - Cidade - Diário do Nordeste

HOSPITAL DE MESSEJANA

CE é pioneiro em nova técnica para cura de arritmias

02.09.2008

Nova tecnologia permite que paciente com arritmias graves sejacurado de forma mais segura e eficaz

Desde que se entende “por gente” o agente sanitarista Sandro Wagner Silva dos Santos começou a sentir que seu coração não batia num ritmo normal. Qualquer esforço físico, por menor do fosse, provocava cansaço, palpitação — o coração “parecia que ia sair pela boca, conta” — e muitas vezes chegou a desmaiar. Até a um mês atrás, a cirurgia era a única saída para ele, já que o tratamento mais convencional para este tipo de problema — ablação ou cauterização do foco — não surtiu o efeito desejado: a cura.

Hoje, aos 29 anos de idade e há dois sendo submetido a tratamento no Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), Sandro foi o primeiro paciente a se submeter a um procedimento pioneiro no País chamado pulsão epicárdica monitorada por pressão. No procedimento, é realizado o mapeamento interno e externo do coração do paciente e, depois de detectado o foco da arritmia, é realizada a cauterização por meio de um cateter.

A nova tecnologia evitará que, assim como o agente sanitarista, outros pacientes portadores de arritmias graves passem por cirurgia. O novo método é menos agressivo, com recuperação rápida e com apenas sedação. Seu custo ainda é alto: R$ 20 mil por paciente.

O coordenador do Serviço de Arritmia da instituição, Fábio Dorfman, ressalta a eficácia do método, com diagnóstico mais preciso, evitando que pacientes fiquem sempre retornando aos postos ou hospital. E, no caso de cirurgia, tenha necessidade de permanecer internado por mais tempo. “O paciente entra pela manhã e no dia seguinte recebe alta. Com cinco dias, ele volta a ter uma vida normal e livre a arritmia”, garante o médico.

Atualmente, 450 pessoas estão na fila para a realização de ablação, recurso utilizado para tratar a arritmia. Este ano, 50 procedimentos foram realizados no HM. Na maioria dos casos, 95%, explica o médico, a arritmia tem seu foco na parte interna do coração. “São casos mais simples que a simples ablação resolve”. Os outros 5% acontecem na parte externa ou epicardia.

O novo equipamento será utilizado nesses casos. A tecnologia foi aperfeiçoada na Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos e apresentada no Congresso Americano de Eletrofisiologia, ocorrido em maio último, em São Francisco, na Califórnia. São Paulo e Rio de Janeiro utilizam uma outra técnica para o procedimento, mas esta usada agora pelo HM é a mais recente do mundo.

O médico americano Srijoy Mahapatra participa especialmente dos primeiros procedimentos no hospital, compondo a equipe de especialistas do HM. “Estas arritmias são as mais difíceis de serem curadas, mas com o novo método, os pacientes voltarão a ter uma vida normal rapidamente”, afirma Dorfman.

No caso de Sandro, a volta a vida normal será em pouco mais de cinco dias. Para se submeter ao procedimento, ele ficou seis horas em jejum e passou por mais de três horas com a equipe médica. Foi realizado o mapeamento de seu coração e da parte externa e, depois de detectada o foco do problema, coisa que até então o método usual não conseguiu, foi realizada a cauterização.

Ainda hoje, o agente sanitarista receberá alta e em menos de uma semana poderá realizar seu maior sonho: jogar futebol, coisa que não podia fazer devido a arritmia.

A nova tecnologia também beneficiará pacientes com outros problemas cardíacos. O caso de Adalgisa Maria Oliveira, de 26 anos, é exemplo. Desde os seis anos sofre com sintomas de arritmia . “Fui a muitos médicos que me diziam que era nervosismo”, conta.

Há um ano foi para o HM e descobriu que tem dois problemas no coração: além de arritmia também sofre um tipo de anomalia. Já fez duas ablações sem resultado. Agora, será uma das primeiras a passar pelo novo método.

Em condições normais, explica Dorfman, o nosso coração “bate” em uma freqüência que varia de 60 a 100 vezes por minuto. Quando a batida for mais de 100 vezes por minuto, a pessoa sofre de taquicardia, uma das formas de arritmia cardíaca. O sintoma mais comum é a palpitação (ou “batedeira”), além de cansaço, falta de ar, mal-estar, podendo levar até o desmaio ou, em casos mais graves, a morte súbita.

FIQUE POR DENTRO
O que é arritmia cardíaca?

Arritmia cardíaca é um problema na velocidade ou ritmo do batimento cardíaco. Durante uma arritmia, o coração pode bater muito rápido, muito devagar, ou com ritmo irregular. Batimento cardíaco muito rápido é chamado de taquicardia, enquanto muito devagar chama-se bradicardia.

A maioria das arritmias não causa danos, porém algumas podem ser sérias ou até precisar de tratamento para toda a vida. Com arritmia cardíaca, o coração pode não ser capaz de bombear sangue suficiente para o corpo, o que pode danificar o cérebro, coração e outros órgãos. Arritmia pode ocorrer quando os sinais elétricos que controlam os batimentos cardíacos ficam atrasados ou bloqueados. Isso pode acontecer quando as células nervosas especiais que produzem o sinal elétrico não funcionam apropriadamente, ou quando os sinais elétricos não viajam normalmente pelo coração.

Estresse, fumo, ingestão de álcool, exercício físico muito forte, uso de certas drogas (como cocaína e anfetaminas), uso de alguns medicamentos, e muita cafeína podem ocasionar arritmia em algumas pessoas.

Mais informações:
Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes
Av. Frei Cirilo - 3480 - Messejana
(85) 3101-4075

Lêda Gonçalves
Repórter



Comente essa matéria


Editora Verdes Mares Ltda.

Praça da Imprensa, S/N. Bairro: Dionísio Torres

Fone: (85) 3266.9999