Castanhão reabre comportas e atrai curiosos ao açude - Cidade - Diário do Nordeste

BELEZA HÍDRICA

Castanhão reabre comportas e atrai curiosos ao açude

02.04.2008

O açude atingiu a capacidade de 67% e os técnicos abriram duas de suas comportas no início da tarde de ontem

Jaguaribara. Depois de apenas um mês e meio de inverno “propriamente dito” e mais de 30 açudes sangrando no Ceará, foi a vez do “gigante” Castanhão lançar suas águas para controlar o seu nível hídrico e os de outros reservatórios. Ao atingir aproximadamente cinco bilhões de metros cúbicos e 67% de sua capacidade, o açude teve duas de suas 12 comportas abertas na tarde de ontem, jorrando 500 mil litros de água por segundo. O fenômeno atraiu, imediatamente, cerca de 300 pessoas que andaram por vários quilômetros para não perder a “onda Castanhão”.

“’Bora’, gente, comprar a camisa do Castanhão. E tem boné também”, anuncia a vendedora ambulante Jocimeire Freire de Freitas, mostrando camisetas e bonés com a foto do Castanhão estampada com suas comportas todas abertas – situação ocorrida em fevereiro de 2004, na primeira vez em que o açude derramava água no leito do Rio Jaguaribe, a uma vazão de 1.200 metros cúbicos de água por segundo (ou 1,2 milhão de litros). A atual abertura de duas comportas se dá para controlar o nível de cheia de rios como o Figueiredo e açudes como o Orós, este com sangramento previsto para os próximos dias. É quando mais uma ou duas comportas do Castanhão poderão ser abertas.

A abertura da primeira comporta aconteceu, ontem, às 14h 30, logo após técnicos e engenheiros do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) averiguarem que o reservatório alcançava a cota de 101 metros acima do nível do mar, o que corresponde a cinco bilhões de metros cúbicos de água acumulados. A segunda abertura foi às 14h55. Eduardo Segundo, coordenador do Dnocs, disse que o açude poderia segurar água sem transtornos até a cota 106, “mas não só o Dnocs como a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), avaliamos que a cota 101 é a ideal para manter o equilíbrio daqui e das outras bacias”.

RESERVA PARA QUATRO ANOS
Pessoas correm riscos para ver a água jorrar

As comportas abertas, ontem, despejavam água no Rio Jaguaribe a uma lâmina de 3,2 metros acima da cota do vertedouro. “Enquanto houver muita chuva enchendo as bacias do Salgado e do açude Orós manteremos as comportas abertas. Se o Orós sangrar nos próximos dias poderemos abrir mais algumas”, comentou Ulisses de Sousa, coordenador geral do Complexo Castanhão. Ele mora na região do próprio açude.

Ulisses com outros engenheiros monitoram, dia e noite, o nível da água. A abertura de comportas depende de dois fatores principais: o volume de água que entra no reservatório e a quantidade de água que suporta a vazão do Rio Jaguaribe, que é de até 1.500 metros cúbicos por segundo. Assim como a vazão de água, podia-se ver a quantidade de fotografias, por segundo, tiradas pelos que saíram de suas cidades para conferir o “espetáculo das águas”. Apesar do regime de segurança aplicado no entorno do açude Castanhão desde os primeiros abalos sísmicos, o acesso ontem, foi flexibilizado para quem queria ver o jorro d´água. Os 40 seguranças que vigiam o reservatório não puderam conter as pessoas, que se arriscavam em ficar mais próximo da passagem de água, ultrapassando a grade de segurança do mirante instalado no local e se arriscando em pedras escorregadias a mais de 100 metros de altura.

Enquanto o Castanhão “bombeia” água, nem tudo está concluído. O dique de proteção em Jaguaretama está com as obras apenas no início, crucial para a proteção da cidade. “Felizmente temos água suficiente para abastecer o Ceará nos próximos quatro anos”, ressalta o coordenador do Dnocs, Eduardo Segundo.

Melquíades Júnior
Repórter




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