14 bairros

Carro fumacê reforça ações contra o Aedes

Para ampliar a ação do produto, recomenda-se que se abram portas e janelas na passagem dos veículos pulverizadores

Carro fumacê em atividade, na manhã dessa terça-feira, no bairro Cidade dos Funcionários ( Foto: Thiago Gadelha )
01:00 · 09.05.2018

A Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), até esta sexta-feira (11), deve finalizar o cronograma iniciado no dia 23 de abril de três ciclos de pulverização espacial UBV pesado, o fumacê, em 3.117 quarteirões de Fortaleza. Quatorze bairros, entre as regionais II e VI, são alvo da operação contra o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. A ação, no entanto, não elimina nem diminui a importância da erradicação dos focos do Aedes Aegypti, já que mata apenas mosquitos adultos.

Segundo a bióloga Ricristhi Gonçalves, técnica do Núcleo de Controle de Vetores da Sesa, o praguicida Malathion, usado na emulsão, age através do contato com o corpo do mosquito. "As gotículas tocam nas partes do mosquito e matam pelo contato. A substância age no sistema nervoso central do inseto afetando uma enzima essencial para eles, a colinesterase", explica a especialista. Segundo a técnica, a emulsão, que é dissolvida em água, passa de 30 a 35 minutos dispersa no ambiente e perde atividade no momento em que toca o solo, a água ou qualquer superfície.

De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS), a Capital já registrou 330 casos confirmados de chikungunya e 511 casos de dengue até abril. Nos bairros localizados nas Secretarias Regionais II e VI, que serão pulverizados até o fim desta semana, foram confirmados 110 casos de dengue e 84 casos de chikungunya. De acordo com a Sesa, as 19 equipes da Base Central de UBV (Ultra Baixo Volume) já finalizaram três ciclos em 8.394 quarteirões de 50 bairros.

A utilização do fumacê é ainda uma estratégia usada para combate do mosquito pela ação complementar à eliminação dos focos de reprodução. "Quando não há barreira física, o inseticida tem eficácia acima de 90%. Quando encontra barreiras, essa eficácia é reduzida para 80%. O máximo que temos conseguido em Fortaleza é um percentual de 70 a 80% devido ao perfil dos imóveis - muros altos, janelas fechadas, muitos apartamentos", explica a técnica da Sesa.

Segundo a Secretaria, as aplicações de inseticida devem ser usadas para combate ao mosquito somente quando houver necessidade do controle de surtos e epidemias, como estabelece o Ministério da Saúde. As áreas a serem cobertas são definidas pelos municípios, que solicitam o serviço ao Estado. Além de Fortaleza, Aracati, Solonópole, Milhã e Itaiçaba já tiveram operações de pulverização.

O inseticida usado nesses ciclos de pulverização "é eficaz e a formulação nova não tem odor forte", como a fórmula anterior que tinha odor característico. O Aedes vive em torno de 45 dias, e suas larvas, após contato com a água, eclodem dos ovos em apenas uma semana. O produto atinge os mosquitos adultos que entram em contato com as gotículas de inseticida pulverizadas no ar, formando a fumaça visível. Após a dispersão, o inseticida deixa de fazer efeito.

Para ampliar a ação do produto, recomenda-se que moradores abram portas e janelas das casas na passagem dos veículos pulverizadores para que o inseticida atinja o mosquito dentro das residências. A medida é complementar, pois não age sobre as larvas nos focos reprodutivos do mosquito. A substância usada no fumacê tem ação inespecífica, ou seja, atua sobre qualquer outro organismo. Por isso, pessoas com maior sensibilidade no sistema respiratório devem evitar o contato direto com a fumaça. "É natural que algumas pessoas tenham predisposição a ter algum problema quando aspiram o inseticida, mas basta que se afastem um pouco da origem do jato, podendo inclusive ficar no mesmo ambiente", explica.

Eliminação

As larvas do Aedes se alojam em caixas d'água, potes, baldes, pneus, lajes e qualquer outro local que acumule água parada. Para acabar seu ciclo de vida, a eliminação dos criadouros, recomenda a Sesa, deve ser feita pelo menos uma vez por semana. Substituir a água dos vasos de planta por areia, trocar e lavar os recipientes de água e comida dos animais de estimação e limpeza das calhas são atitudes que auxiliam no combate. (Colaborou Marina Gomes)

Cronograma

9/5: Manhã (5h às 8h30)

Papicu , De Lourdes, Praia do Futuro,

Vicente Pinzón, Dunas (M. Dias Branco) e Cidade 2000

Tarde (16h às 20h)

José de Alencar, Lagoa Redonda,

Edson Queiroz, Sabiaguaba,

Parque Manibura e Sapiranga Coité

10/5: Manhã (5h às 8h30)

Messejana, Curió, Dionísio Torres,

Guararapes, Luciano Cavalcante,

Joaquim Távora, São João do Tauape, Guajiru e Salinas

Tarde (16h às 20h)

Conjunto Palmeiras e Jangurussu

11/5 : Manhã (5h às 8h30)

Jangurussu

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