Entre 2006 e 2016

Capital tem bom desempenho na Saúde e piora na Segurança

No quesito Saúde, Fortaleza ficou na 34ª posição entre as 100 maiores cidades avaliadas na pesquisa

01:00 · 21.08.2018 por Vanessa Madeira/Thatiany Nascimento - Repórteres
GRÁVIDA
Apesar de ainda existir um déficit em relação às demais cidades no quesito Saúde, nas consultas de pré-natal, por exemplo, Fortaleza passou de 34% para quase 61% de mulheres atendidas, segundo a pesquisa ( FOTO: JOSÉ LEOMAR )

Ampliar o acesso aos cuidados básicos de saúde, reduzir a violência, aumentar o número de crianças na escola e universalizar a cobertura das redes de água e esgoto estão entre as demandas mais urgentes das grandes cidades brasileiras. No caso de Fortaleza, as carências existentes nessas áreas essenciais colocaram a Capital cearense em 56º lugar no ranking da pesquisa Desafios da Gestão Municipal 2018, levantamento divulgado ontem (20) pela consultoria Macroplan, que avalia o desempenho dos 100 municípios mais populosos do País em indicadores de Saúde, Segurança, Educação e Saneamento.

O estudo avalia, a partir de dados de fontes oficiais de informação, os avanços e retrocessos registrados entre os anos de 2006 e 2016. Em relação aos resultados obtidos na edição anterior da pesquisa, Fortaleza subiu seis posições, evolução ancorada majoritariamente em melhorias na área de Saúde. No entanto, para ficar entre os melhores índices do País, a Capital precisa superar os déficits no setor de Segurança, que, embora sejam considerados de competência das gestões estaduais, também se firmaram como desafios para os municípios.

INFO

 

Evolução

Na Saúde, Fortaleza aparece na 34ª colocação no ranking nacional, a melhor entre todas as áreas. No quesito, foram avaliados a cobertura da atenção básica, o acesso de gestantes a consultas de pré-natal, a taxa de mortalidade infantil e a taxa de mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis. Segundo o consultor Flávio Tadashi, um dos coordenadores da pesquisa, apesar de não ter figurado na lista de municípios com desempenhos mais altos, as melhorias em todos os indicadores foram significativas.

"Nesses quatro indicadores, a cidade melhorou muito nos últimos anos. Apesar de ainda existir um déficit em relação às demais cidades, vemos que, nas consultas de pré-natal, Fortaleza passou de 34% para quase 61%. Melhorou também a taxa de mortalidade infantil, que caiu para 11,4, e a cobertura da atenção básica, que evoluiu para 49,43%", observa Tadashi. No setor de Segurança, contudo, a Capital foi na contramão e atingiu os desempenhos mais baixos, ficando em 68º lugar no ranking nacional. Nos dois indicadores analisados - taxa de homicídios e taxa de óbitos no trânsito - houve perdas de posições.

Óbitos

De acordo com os dados do levantamento, entre 2006 e 2016, a taxa de homicídios subiu de 31,2 por 100 mil habitantes para 44,6. Já em relação aos óbitos no trânsito, embora o índice tenha caído de 17 por 100 mil habitantes para 14,1, Fortaleza não acompanhou a evolução dos demais municípios e caiu da 35ª para a 55ª posição.

Cálculos feitos pela consultoria com base nos resultados de municípios semelhantes a Fortaleza, como São Luís, Vila Velha, Goiânia e Salvador, apontam que, para alcançar os melhores índices na área, a Capital cearense precisaria registrar 288 homicídios e 208 óbitos no trânsito a menos do que contabilizou em 2016. Com isso, subiria do 68º lugar para o 46º.

"Os avanços vistos em Fortaleza já mostram a possibilidade de melhorar, mas com certeza a Segurança é um indicador que precisa de atenção. A taxa de homicídio, apesar de ter atingido um pico em 2013, com 83 por 100 mil habitantes, e diminuído, ainda é muito alta para os padrões", afirma Flávio Tadashi.

Ações

Procurada pela reportagem, Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado (SSPDS) enviou nota afirmando que "não é legítimo fazer comparações entre unidades da federação, uma vez que cada Estado conta suas mortes utilizando metodologias diferentes".

A Pasta destacou que tem otimizado ações para combater Crimes Violentos Letais Intencionais e uma das estratégias adotadas é o estudo sobre o perfil das vítimas para a realização de diagnósticos das ocorrências. O objetivo, segundo o órgão, é gerar dados para a formulação de outras estratégias mais direcionadas. A Secretaria citou, ainda, ações de territorialização, como a distribuição de policiais militares em pontos estratégicos nas periferias da Capital, e a convocação de mais de 9 mil profissionais de Segurança no Estado.

No que se refere aos óbitos no trânsito, a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos de Fortaleza (SCSP), que desenvolve ações de segurança viária na Capital, contestou os dados da pesquisa. Segundo o secretário-executivo da pasta, Luiz Alberto Sabóia, as taxas apontadas no levantamento estão acima daquelas verificadas oficialmente pelo Município para o período indicado na pesquisa.

De acordo com ele, a discordância pode ser fruto da metodologia utilizada na coleta dos dados. A Prefeitura segue as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e considera os acidentes que ocorreram no território municipal, as mortes em decorrência desses acidentes e o número de habitantes da cidade. Já o Ministério da Saúde, por exemplo, contabiliza os óbitos que ocorreram em unidades de saúde em Fortaleza em decorrência do trânsito, mas cujas vítimas não foram acidentadas dentro do território da Capital, tendo sido encaminhadas de outros municípios para Fortaleza.

Conforme o secretário, apesar desta diferença, a taxa de óbitos no trânsito de Fortaleza ainda é alta e isso deve ser considerado. "Esse número ainda é muito alto para a realidade brasileira. Em cidades como Londres e Barcelona essa taxa é de 1,5 mortes por 100 mil habitantes por ano", afirma Sabóia. Desde 2014, a Prefeitura adotou uma Política de Segurança Viária, com apoio da Fundação Bloomberg e ações divididas em quatro eixos: dados, desenho urbano, fiscalização e comunicação/conscientização da sociedade.

Educação e saneamento

Além das áreas de Saúde e Segurança, a pesquisa Desafios da Gestão Municipal analisou indicadores de Educação e Saneamento. Na Educação, Fortaleza atingiu a 61ª colocação no ranking nacional de 2016, subindo cinco posições em relação a 2006. Foram avaliados critérios como matrículas efetivadas na Educação Infantil e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Na área de saneamento, a Capital ficou em 68º lugar, uma queda de 23 colocações na comparação com o resultado do estudo anterior. O desempenho foi calculado com base nas coberturas das redes de água e esgotamento sanitário, coleta de lixo e perdas de água.

Fique por dentro

Cobertura do PSF em Fortaleza deve subir para 61%

Considerado o pior indicador da área de Saúde na Capital de acordo com o levantamento da consultoria Macroplan, a atenção básica deve receber reforço com a qualificação de novas equipes de Saúde da Família, prevista pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Com isso, a cobertura do programa em Fortaleza deve subir para 61%. Segundo a assessora técnica das regionais de saúde e coordenadora do órgão, Aline Gouveia, foram solicitadas ao Ministério da Saúde qualificações para 103 novas equipes, que devem se somar às 375 existentes.

A Secretaria também lançou edital para a seleção de 42 profissionais por meio do Programa Mais Médicos, que devem ajudar na composição das equipes. A expectativa é que eles sejam encaminhados em até dois meses. Outras ações com foco na atenção básica, conforme Gouveia, foram a construção de 20 unidades básicas de Saúde e a implantação da Policlínica João Pompeu Lopes Randal.

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