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Capital registra menor taxa de roubos em ônibus

De janeiro a maio deste ano, 610 coletivos foram assaltados, uma média de 122 ocorrências mensais

01:00 · 30.06.2018

"Todo o nosso esforço é para que as pessoas não tenham medo de andar de ônibus", afirma o gerente de operações do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Ceará (Sindiônibus), João Luís Maciel. De acordo com balanço divulgado pelo órgão, 2018 detém o menor número de assaltos em ônibus em seis anos. O número corresponde aos meses de janeiro a maio deste ano. Durante o período, 610 coletivos foram assaltos, totalizando uma média de 122 ocorrências mensais e 1,67 diárias.

Apesar do número parecer alto, ao analisar a tabela que expõe os valores desde o ano de 2004, percebe-se que 2013 foi o ano com o maior número de assaltos, totalizando 2.528 ocorrências de janeiro a dezembro, com 210,67 assaltos mensais e 6,93 diários. Após isso, o número caiu para pouco mais que a metade e variou pouco, até 2017, em que subiu de forma significativa novamente, com 2.390 ocorrências, 199,17 por mês e 6,55 diariamente.

Segundo o gerente de operações do Sindiônibus, grande parte das ações existentes hoje, foi implantada após o alto número de 2013. De lá para cá, cofres foram instalados nos veículos; os cobradores passaram a circular com, no máximo R$ 60; câmeras foram instaladas em 100% da frota; todos os ônibus contam com GPS monitorado por uma equipe de 38 pessoas e, além disso, a Polícia Militar faz blitz diárias em regiões que costumam sofrerem mais assaltos.

Para Maciel, diminuir o valor levado pelo cobrador torna o roubo menos atrativo, já que grande parte dos assaltantes entra com o intuito de arrecadar dinheiro rápido. "Nossa ideia é que em um futuro não muito distante, todas as tarifas sejam pagas com o crédito eletrônico. Em algumas cidades como Goiânia, praticamente não têm assaltos a ônibus por que o pagamento é apenas com bilhete, não dinheiro", revela o gerente do Sindiônibus.

assaltos em coletivo

Polícia

O trabalho com a PM, no entanto, é uma das ações que têm surtido mais efeito, conforme informou Maciel. Um trabalho conjunto com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), estabeleceu que cada uma das oito Áreas de Segurança Integrada (AIS) deve fazer, pelo menos, 10 blitz diárias. São abordados ônibus de forma aleatória, evitando assaltos e flagrando o porte de armas.

Além disso, a Polícia tem acesso às imagens das câmeras dos veículos, facilitando a identificação dos assaltantes. "Nunca tivemos tantas prisões como neste ano". Outra ação de grande efeito, mencionada por João Luís Maciel, foi a mudança de posição das catracas, que aconteceu em novembro de 2017, quando o número começou a cair novamente. Em outubro do mesmo ano, 229 assaltos aconteceram. Já em novembro e dezembro, foram acumuladas as menores taxas do ano, com 149 e 129 assaltos, respectivamente. "Antes, o cobrador ficava sozinho lá atrás, às vezes era assaltado e ninguém via. Agora ele fica perto do motorista, coibindo mais a ação", explica.

Regiões

Segundo Maciel, não há como informar de forma precisa quais linhas são mais assaltadas em Fortaleza. Contudo, as regiões que concentram a maior parte das ocorrências são os trechos da Praia Futuro até o fim da Leste Oeste; o corredor da Oliveira Paiva entre a Washington Soares e o Castelão; a BR-116 entre a rotatória da Aguanambi e a Polícia Rodoviária Federal; e a região entre o Terminal da lagoa até o Terminal do Antônio Bezerra. "É importante dizer que isso muda. Quando eu digo para a PM que tem assalto, e eles fazem vistoria, muda, e de uma hora para outra, passa a ter assalto em outro lugar", revela. Maciel afirma, ainda, que os assaltantes a ônibus, em geral, são jovens e moram na região em que praticam os assaltos.

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