134 milímetros

Capital registra a maior chuva do ano

As chuvas devem continuar ocorrendo em todo o Estado, pelo menos até sábado, de acordo com a Funceme

Moradores da Rua General Lima e Silva, no Bairro da Aerolândia, sofreram com as chuvas: muitos ficaram ilhados em casa, tiveram suas residências tomadas pela água ou seus carros submersos ( Foto: José Leomar )
01:00 · 11.05.2018 por Nícolas Paulino - Repórter
Duas árvores caíram no cruzamento das ruas dos Tabajaras e Arariús, na Praia de Iracema, arrastando a fiação de seis postes de iluminação pública e causando transtornos aos moradores da região ( Foto: Natinho Rodrigues )

De gota em gota, o pluviômetro do posto Água Fria, em Fortaleza, acumulou volume de 134 milímetros entre 7h da última quarta-feira (9) e 7h de ontem, conforme a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Segundo o órgão estadual, foi a maior precipitação do ano na Capital cearense. As chuvas devem continuar ocorrendo, pelo menos, até sábado. A previsão de tempo da Funceme estima que, hoje, o Ceará terá predomínio de céu nublado com eventos de precipitações no Centro-Norte e nebulosidade variável com chuva no Sul. Nos dois próximos dias, o tempo no Estado será de nebulosidade variável com eventos de chuva em todas as regiões cearenses.

No posto Messejana, o observado foi de 86,2 mm, além de 79,4 mm no Pici e 65,2 mm no Castelão. Anteriormente, a maior chuva havia sido registrada no dia 10 de março, quando o posto Pici acumulou 115 mm. No dia 16 de abril, a Capital voltou a apresentar um volume alto de precipitações, com 90.8 mm.

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O fortalezense sabe que dia de chuva deixa a cidade com um ritmo diferente. O pedestre, de guarda-chuva nas mãos, pula de calçada em calçada evitando as poças d'água. Tarefa difícil nas ruas e travessas da Aerolândia e do Lagamar, na Regional VI, alagadas e cheias de lixo boiando. Alguns, precavidos, sobem a barra da calça até a canela, andando de chinelos, mas com um par de tênis ou sandálias na bolsa.

Veículos

Nas paradas de ônibus, mochilas são pressionadas contra os corpos na tentativa de impedir que a chuva molhe os conteúdos. No entanto, em algumas situações, tanto cuidado não vale de nada quando um veículo passa sobre as poças e projeta a lama sobre eles. Segundo o artigo 171 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), usar o veículo para arremessar, sobre os pedestres ou veículos, água ou detritos, constitui infração média sujeita a quatro pontos na carteira de habilitação e multa de R$130,16.

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O Riacho Maceió quase transborda nesse trecho localizado no cruzamento com a Avenida Beira-mar (Foto: José Leomar)

Ultrapassando os pedestres, os motoristas de automóvel tentam cortar caminho para chegar mais rápido aos destinos, geralmente sem sucesso, uma vez que vias como a BR-116 apresentam trânsito lento pela redução da velocidade, por conta da pista molhada. Os limpadores de para-brisa trabalham freneticamente e os desembaçadores entram em ação: é preciso ficar atento ao sinal do freio luminoso do veículo à frente para evitar acidentes.

Na Avenida Senador Carlos Jereissati, por exemplo, no bairro Dias Macêdo, um carro apresentou problemas mecânicos e ficou parado, causando um congestionamento intenso ao longo da manhã. Já os motoqueiros, habituados a "costurar" nos corredores de tráfego, também reduziram a velocidade e, em alguns pontos da cidade, como no conjunto São Cristóvão, encolhiam as pernas para evitar o contato com as ondas d'água. Além dos engarrafamentos, as chuvas também provocaram incidentes como a queda de árvores na Capital. Um dos casos aconteceu na Avenida Virgílio Távora, esquina com a Rua Silva Jatahy, onde o trânsito ficou parcialmente obstruído. Duas árvores também caíram no cruzamento das ruas dos Tabajaras e Arariús, na Praia de Iracema, arrastando a fiação de seis postes de iluminação pública.

Ocorrências

A Defesa Civil do Município contabilizou, ontem, três alagamentos no bairro Barroso, na Regional VI; um desabamento do forro de gesso de um imóvel em Messejana, e um incêndio no bairro Dionísio Torres. Ninguém ficou ferido. Na Região Metropolitana, grandes precipitações também foram registradas no Eusébio (91 mm) e em Aquiraz (84 mm). Segundo o supervisor da Unidade de Tempo e Clima da Funceme, Raul Fritz, as chuvas dos últimos dias vêm se dando pela maior proximidade da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) da costa norte da região Nordeste. No último intervalo de 24 horas, o sistema indutor aumentou sua atividade convectiva. Ao todo, ontem, choveu em 81 municípios.

Em Uruoca, na região Noroeste do Estado, as precipitações atingiram 106 mm. O Litoral Norte tem sido a região que mais tem concentrado precipitações nos últimos dias, já que Barroquinha (67.2 mm), Santana do Acaraú (59 mm), Senador Sá (55 mm) e Sobral (54.8 mm) registraram chuvas acima de 50 mm.

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